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Evo, a trans e as cruzes.

Isso me ofende mais, infinitamente mais, que a transexual na cruz. É de uma violência teológica e simbólica absurda. A trans, não sendo cristã, quando escolheu protestar com a cruz, escolheu um símbolo reconhecido de sofrimento para expressar o seu, e, de certa forma, o respeitou. Quando ela diz que lgbt's (ou qualquer outro grupo ou pessoa) são crucificados, são "pegos pra Cristo", não entende o significado teológico da cruz de Cristo, mas presta tributo ao Cristo moído, castigado, reconhece no Cristo crucificado o maior modelo de condenação do inocente, de castigo injusto, de bode expiatório. Se choca e ofende num primeiro momento, passado o furor, deve nos causar piedade com o sofrimento alheio. No mais, é bom ver que ela viu isso na cruz de Cristo.

O que Evo fez, dizendo-se católico, é infinitamente pior, e doentiamente diabólico, é bizarramente diabólico, idolátrico. Em nome da "luta" pelos oprimidos, faz da cruz um nada, põe sua redenção não na cruz, mas na luta de classes, elevando-a à sacralidade.

Esse pequeno texto ( http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/04/morte-por-amor-50-razoes-porque-jesus-veio-morrer-por-amor/) resume o que significa a cruz de Cristo para o cristão (esses pontos são desenvolvidos em um livro, mas são conhecimento básico de qualquer cristão). É simplesmente tudo, é o divisor da história da criação. Significa a possibilidade de reconciliação com Deus e de paz entre os homens, mostrando, mesmo graficamente, seus aspectos horizontal e vertical.

Evo despreza tudo isso e descarta a cruz, joga sua fé na luta política, aponta na luta da classe trabalhadora (e étnica, no seu caso) o meio de redenção e a eleva a símbolo da fé, idolatra o socialismo e despreza a Graça, trazendo a salvação por obra das mãos dos oprimidos. É uma ofensa profunda e propositadamente teológica, é uma perversão herética, idolátrica, diabólica, é o uso do motivo cristão para ofensa da religião cristã e promoção de outra coisa, em que a obra da Graça da cruz Cristo é substituída pela obra da classe (e da etnia), a salvação da alma pelo paraíso na terra, a batalha espiritual do bem contra o mal pela luta de classes, a centralidade soberana de Cristo na história pela história movida pela dialética da luta de classes. Essa figura bizarra é o símbolo maior da teologia da libertação, que encontra sua correspondente política perfeita no bolivarianismo. Ninguém deveria se assustar com a oração a Chávez - isso não tem nada a ver com cristianismo.

Ninguém que se sente confortável com isso (e reconforta ver a cara de constrangimento do Papa) tem o direito de reclamar de uma transexual na cruz.

Divertida Mente e o biologismo.

Uma das imagens da minha infância é a briga do anjinho e do diabinho nos ombros dos personagens dos desenhos animados, com o anjinho querendo induzir para o certo e o diabinho, para o errado. Era uma representação infantil de um conflito psicológico e moral.

Ontem, assisti a Divertida Mente, o novo filme da Pixar. Antes de mais nada, assistam, é muito bom e engraçado. Ele mostra como funciona a cabeça de Ryle, uma menina de 11 anos que muda com os pais de Minesota para São Francisco. (Não tem spoiler)

A cabeça da menina é mostrada como uma grande máquina, uma central de comando controlada por Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojo, os sentimentos básicos. O comportamento da menina depende de como esses personagens, metáforas de hormônios (Alegria e Tristeza podiam se chamar Serotonina e Cortisol tranquilamente), se harmonizam e conduzem o corpo. Eles são os protagonistas do filme, e não Ryle, que só reage a eles.

Não há mais anjinho e diabinho, não há mais certo e errado, não há mais drama psicológico e escolha moral. Tudo é reduzido ao funcionamento da máquina, ao equilíbrio hormonal, a respostas neurológicas. Divertida Mente é a forma mais bem acabada, divertida e feita pra crianças do mecanicismo e biologismo, do cientificismo materialista e reducionista que já tinha tomado forma televisiva com NatGeo e Discovery.

Só que bem mais divertida.

O direito de propriedade das carroças na Cracolândia

Sobre o direito de propriedade privada recaem diversas acusações, dentre as quais, a de ser um direito de ricos, que defende os que têm contra os que não têm, perpetuando injustiças sociais.

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo discorda.

Segundo informe de 10 de junho da própria entidade, “a Defensoria Pública de SP enviou na última semana ofícios à Prefeitura da Capital solicitando que sejam devolvidos os bens, objetos pessoais e carroças aos seus donos, pessoas em situação de rua que tiveram tais pertences apreendidos pelos guardas civis metropolitanos durante as operações que aconteceram na região da Cracolância no final do mês de abril” . As carroças são instrumentos de trabalho dessas pessoas, que trabalham recolhendo lixo reciclável na rua vendendo esse material. Como explicado no documento enviado à Prefeitura, “”Muitas pessoas tiveram suas carroças apreendidas durante a operação do dia 29 de abril e nos dias seguintes, assim como pertences pessoais diversos. As pessoas utilizavam as carroças para a coleta e transporte de materiais recicláveis, sendo essa uma das únicas fontes de renda que possuíam no contexto de extrema vulnerabilidade social em que vivem”.

Foi isso que lhes foi tirado – e isso responde pelo nome de propriedade.

Segundo o informe, “de acordo com os Defensores Públicos, a apreensão administrativa das carroças e objetos pessoais destas pessoas é ilegal e inconstitucional, e fere o direito de posse e propriedade. ‘É de rigor que se faça não apenas a devolução dos bens, objetos pessoais e instrumentos de trabalho, como também se apure as circunstâncias em que as apreensões ocorreram, que podem caracterizar, inclusive, o crime de abuso de autoridade’”.

Proudhon disse que a propriedade é roubo. Os moradores de rua que tiveram suas carroças e bens arrancados discordam; para eles, rouba que lhes tira o que é seu – no caso, o próprio Estado. A Defensoria Pública de São Paulo também discorda do filósofo – por isso, saiu em socorro do direito dos moradores de rua. Que seu exemplo, mais que aplaudido, seja seguido.

A defesa da propriedade não é a defesa do que tem muito , mas do que tem pouco, pois é justamente esse que não pode perder o que tem, e é justamente esse que está mais vulnerável a ter tomado de si o pouco que tem. Os ricos e as grandes empresas, quando querem garantir seus bens, compram sua segurança e o que pode garanti-la – inclusive o Estado; ao pobre, a única garantia é que seu direito a ter o que é seu seja respeitado e garantido e que todo aquele que viole seu direito seja obrigado a repará-lo – ainda que seja o Estado. Se o rico tem dinheiro, influência, poder e mesmo força e violência à sua disposição, ao pobre só resta seus direitos; tirem-lhe seu direito de ter o pouco que tem e estará lhe tirando tudo – absolutamente tudo.

Até uma carroça.

Publicado originalmente aqui: http://mercadopopular.org/2015/06/direito-de-propriedade-cracolandia/

LIBERDADE ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO HUMANO.

LIBERDADE ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO HUMANO.

Uma das acusações mais comuns contra o livre mercado é que ele traz ganhos apenas econômicos e concentrados nas mãos de poucos com dinheiro e poder, ou seja, que ele não traz benefícios sociais, para todos. Assim, seria necessário restringir a liberdade do mercado, regulando a economia, para que essa revertesse em ganhos públicos sociais.

Os números dizem o contrário. Comparando-se os últimos dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU (http://hdr.undp.org/en/content/table-1-human-development-index-and-its-components), que leva em conta, para seu cômputo, dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita e que é amplamente reconhecido como medida da qualidade de vida em um país (embora não imune a críticas), com os últimos números do Índice de Liberdade Econômica (ILE) da Heritage Foundation (http://www.heritage.org/index/ranking), fica clara a relação entre os dois índices.

Como a Tabela mostra, entre os vinte países com maiores IDHs, 18 têm ILEs livres ou em maior parte livres, sendo que um não é ranqueado; já entre os 20 piores IDHs, 19 são ranqueados como reprimidos ou em maior parte não livres no ILE, sendo que um não é ranqueado no índice.



Ao contrário do senso comum, os dados sugerem que, quanto maior a liberdade econômica, maior as chances de um país ter maior desenvolvimento humano e melhor o padrão de vida de seus habitantes.



A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL E A CONTRADIÇÃO CONSERVADORA.

A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL E A CONTRADIÇÃO CONSERVADORA.

Russel Kirk resumiu o conservadorismo em dez princípios, sendo o segundo o que diz que “o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade”, e o quarto, o chamado “princípio da prudência”, que diz que “qualquer medida pública deve ser avaliada por suas prováveis consequências de longo prazo, e não meramente por alguma vantagem ou popularidade temporárias” (pode-se lê-los aqui http://10principios.blogspot.com.br/). Assim, a continuidade da ordem estabelecida e o cuidado com sua reforma são caros aos adeptos desse pensamento. Por isso, causa espanto a enorme contradição de ver os conservadores na linha de frente da luta pela redução da maioridade penal para 16 anos, violando, ao mesmo tempo, os dois princípios kirkeanos.

Não existe a menor base sólida para afirmar que a redução da maioridade penal trará benefícios, seja a curto ou a longo prazos – pelo contrário, vários problemas da adoção dessa medida têm sido levantados (em resumo, aqui: https://18razoes.wordpress.com/quem-somos/; aqui: http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=280; e aqui: http://mercadopopular.org/2015/04/sera-que-devemos-reduzir-a-maioridade-penal/. Há apenas um “achismo” de que “leis penais mais severas diminuem a criminalidade”, uma aposta no mantra conservador em clara contradição com o quarto princípio de Kirk, um completo abandono da prudência política, um crença ingênua que se assemelha à dos engenheiros sociais de setores da esquerda.

Mais clara ainda é a violação do segundo princípio, o do respeito ao costume, à convenção e à continuidade. O nosso critério de maioridade penal data de quase um século, desde a lei 4.242/1921; antes disso, o menor de 18 nunca foi tratado como adulto em nosso ordenamento (ler aqui: http://justificando.com/2015/03/21/voce-conhece-a-historia-da-idade-penal-no-brasil/). Essa mudança rompe apenas com a nossa tradição, mas com uma tradição mundial: a maioria dos países usa os 18 anos como critério da maioridade penal (ler aqui: http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=323). Por que conservadores querem tanto essa mudança? Por que romper com essa “tradição”jurídica?

Parece-me que o que move os conservadores – e o povo, em geral – é simplesmente uma paixão punitiva, um sentimento justiceiro, uma sanha quase vingativa, apoiando-se em certo “sentimento democrático” de sujeição política à maioria. Esse “despotismo democrático” (classificação kirkeana), entretanto, viola, mais uma vez, um princípio conservador, o nono, que diz que “o conservador percebe a necessidade de prudentes restrições ao poder e às paixões humanas”. Nas palavras do próprio Kirk:

Politicamente falando, o poder é a habilidade de realizar a vontade de um não obstante a vontade dos demais. Um estado onde um indivíduo ou pequeno grupo seja capaz de dominar a vontade de seus concidadãos sem qualquer supervisão, será despótico, seja denominado monárquico, aristocrático ou democrático. (...) Sabendo ser a natureza humana uma mistura de bem e de mal, o conservador não deposita sua confiança na mera benevolência. Limitações constitucionais, verificações e contrapesos políticos, o cumprimento adequado das leis, a antiga e intricada teia das restrições por sobre a vontade e os apetites — isto é o que o conservador aprova como instrumentos da liberdade e da ordem. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade”.

Penso que os dez princípios de Kirk resumem bem um pensamento conservador vigoroso e respeitável. Assim, seria bom se nossos conservadores – e o nosso povo conservador – fossem mais coerentes com os seus princípios.

BOAS NOTÍCIAS SOBRE IMIGRANTES SÃO POSSSÍVEIS.

(Originalmente publicado na page do Facebook do EPL São Paulo)





BOAS NOTÍCIAS SOBRE IMIGRANTES SÃO POSSSÍVEIS.



Imigrantes têm sido os protagonistas de muitas notícias tristes envolvendo mortes, fugas perigosas, segregação e xenofobia e falta de oportunidades, entre outros problemas. Entretanto, não precisa ser assim. Reportagem da Folha de São Paulo de 04/05/2015 mostra como imigrantes haitianos têm transformado o bairro do Glicério em um “bairro negro” da cidade – e melhorando de vida. (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/05/1624794-com-igrejas-bilingues-e-lojas-tipicas-haitianos-mudam-a-cara-do-glicerio.shtml ). Vale muito a pena a leitura.



Saídos da situação grave pela qual passa o Haiti, piorada desde o terremoto de 2010 (sic, 2010), esses imigrantes vieram para o Brasil buscando melhores condições de vida e se instalaram no bairro, em torno da Missão Paz, ligada à Pastoral do Migrante. Lá, vão fazendo uma nova vida no Brasil:



“Igrejas evangélicas com cultos bilíngues são ao menos três. Lojas de roupas, cabeleireiros, lan houses e, agora, um restaurante de comida típica também abriram suas portas na região.



Aos poucos, essa população que busca por empregos e se fixar na capital vai fazendo o dinheiro girar no bairro”.



Como eu disse, vale a pena ler na íntegra a reportagem – e perceber que seu “tom” diferente está intimamente ligado com a forma com que imigrantes são tratados em cada situação.



Assim como japoneses, chineses, árabes, italianos e outros grupos étnicos de todo o mundo e também de todas as regiões do Brasil, São Paulo vai permitindo que, agora, sejam os haitianos que prosperem na cidade e contribuam com ela. Assim como aqueles povos estão integrados na economia e na cultura da cidade, poderemos, em breve, ter uma São Paulo com uma face haitiana. Bons para os haitianos, bom para São Paulo e para o Brasil.



Apesar de ser benéfica pra todos, a livre imigração é muito combatida - por pura xenofobia e racismo, por conservadorismo cultural ou por desculpas político-econômicas, como motivos de segurança ou por trazer um sobrepeso ao Estado de bem estar social, aumentando os gastos e a necessidade de recursos (o que joga muitos imigrantes na clandestinidade e na falta de direitos, como os bolivianos encontrados em condições à trabalho escravo em oficinas clandestinas de costura).



Se quisermos, entretanto, que notícias como essa não sejam exceção quando o assunto é imigração, mas a regra, é preciso que as barreiras à livre imigração, sejam elas físicas, culturais ou políticas, sejam derrubadas. Urgentemente.

Relatório mostra situação preocupante da liberdade religiosa no mundo.

Segundo o mais recente relatório da Pew Reserch Center sobre restrições religiosas no mundo, que analisa dados de 2013, 54 de 198 países (27%) impunham restrições governamentais à religião em níveis altos ou muito altos, implicando em que 63% da população mundial esteve debaixo dessas restrições. Os países com altos ou muito altos níveis de hostilidades sociais envolvendo religião (que engloba de vandalismo à assassinato de religiosos) foram também 27%, cobrindo 73% da população mundial. Esses números mostram-se ainda mais preocupantes quando se considera que eles mostram leve melhora quanto a 2012 (quando 29% dos países impuseram restrições oficiais e 33% apresentaram hostilidades sociais envolvendo religião) e ainda não consideram avanços recentes de grupos como ISIS e Boko Haram em 2014 e 2015.
Cristãos foram perseguidos, em 2013, em 102 países (52%), sendo o grupo religioso mais perseguido do mundo (dado que vai contra o nosso senso comum); muçulmanos, em 99 países (50%); judeus, em 77 países, havendo um preocupante aumento do antissemitismo no mundo; adeptos de religiões populares, em 34 países; hindus, em 9 países; budistas, em 12 países; fiéis de outras religiões, incluindo ateus, em 38 países. Houve perseguição religiosa, oficial ou por parte da população, em 164 países.
Em 30% dos países, houve restrições oficiais contra minorias religiosas, em 61% dos países houve hostilidades sociais contra minorias sociais. Judeus foram perseguidos por indivíduos ou grupos em 34 de 45 países europeus, ou seja, 76% destes; muçulmanos, em 32 países europeus (71%). Em 19 países europeus (42%), mulheres foram perseguidas por violação de regras quanto ao vestuário.
 

LIBERDADE DE IMPRENSA DECLINA EM TODO O MUNDO, SEGUNDO REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS.

"Os indicadores compilados pela organização Repórteres Sem Fronteiras são incontestáveis. Houve um declínio drástico na liberdade de informação em 2014. Dois terços dos 180 países pesquisados para o World Press Freedom Index 2015 um desempenho inferior ao do ano anterior. O indicador global anual, que mede o nível global de violações da liberdade de informação em 180 países ano a ano, subiu para 3.719, um aumento de 8 por cento ao longo de 2014 e quase 10 por cento em comparação com 2013. A queda afetou todos os continentes".
Esse é o preocupante relatório da ONG que monitora o liberdade de imprensa em todo mundo. O índice saiu semana passada.
Segundo a ONG, as deteriorações mais preocupantes da liberdade de imprensa ocorreram em Andorra, Timor Leste, Congo, Itália, Islândia, Venezuela, Equador, Líbia, Sudão do Sul, Rússia, Azerbaijão e Estados Unidos. As melhoras mais significativas foram em Mongólia, Tonga, Madagascar, Geórgia, Nepal, Tunísia, Brasil, México.
Os dez países com maior liberdade de imprensa, segundo o índice, são: Finlândia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Suécia, Nova Zelândia, Áustria, Canadá, Jamaica e Estônia.Os dez piores são: Eritreia, Coreia do Norte, Turcomenistão, Síria, China, Vietnã, Sudão, Irã,Somália e Laos.
O Brasil, como dito acima, teve substantiva melhora: subiu 12 posições, pulando da 111ª para a 99ª posição, com diminuição de jornalistas mortos, 2 em 2014, contra 5 em 2013. Essa, entretanto, é uma posição da qual não podemos nos orgulhar: estamos mais perto do último que do primeiro lugar. Os dez países imediatamente à nossa frente (do 98º ao 89° lugar) no ranking são: Líbano, Uganda, Seychelles, Gabão, Bolívia, Fiji, Peru, Grécia, Kwait e Libéria. No contexto das Américas, somos o 20º de 28 países, mais perto do último (Cuba, 169º do ranking geral) que do primeiro (Canadá, 8º do ranking geral), atrás até mesmo de Haiti (53º) e Argentina (57º). Em uma classificação gradativa que separa os países em cinco grupos, dos mais livres aos menos livres, fazemos parte do terceiro grupo. A RSF destaca ainda a violência contra jornalistas em protestos. Como ponto positivo, destaca a proteção dos usuários de internet com o Marco Civil.
Ainda no contexto da América Latina, há especial precupação com a Venezuela (137º), em que a Guarda Nacional Bolivariana abriu fogo contra jornalistas durante protesto, e Equador (108º), por conta de sua Lei Orgânica de Comunicação, um instrumento de censura.
Destaque-se, ainda, os Estados Unidos (49º, uma posição nada confortável para o "País da Liberdade"), cujo governo vem pressionando jornalistas para revelar suas fontes, como no caso WikiLeaks.
Link para o índice: http://index.rsf.org/

O UBER E OS LUDITAS DE HOJE.



(originalmente publicado na page do EPL São Paulo)



Março de 2001: o Napster, software revolucionário que permitia com que as pessoas do mundo todo baixassem músicas em seus computadores de graça, em rede P2P, parou de funcionar. O serviço foi fechado devido a uma série de processos de companhias de empresas fonográficas, que alegavam que o software violava direitos de copyright (o equivalente ao nosso direito autoral) ao permitir a distribuição ilegal de música, o que afetava diretamente os negócios – e o lucro dessas companhias.



Poucos dias depois do fechamento do Napster, já havia uma série de softwares semelhantes a ele que permitam a troca de música via P2P, como eMule, Ares Galaxy e BitTorrent. Hoje, 14 anos depois, nada é mais fácil do que baixar discos inteiros de graça na internet, e não só música, mas também filmes e séries, apesar do cerco das grandes companhias de entretenimento, que tiveram que se adaptar ao novo ambiente de mercado.



Abril de 2015: a Justiça de São Paulo determina a suspensão das atividades do aplicativo Uber, que oferece serviços de “carona paga”, na prática, faz intermediação entre motoristas autônomos e quem precise do serviço. A suspensão, liminar, atende ao pedido do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo, categoria que tem o monopólio do transporte individual pago ameaçado pela concorrência do aplicativo (esse monopólio, é importante ressaltar, não é culpa dos trabalhadores da categoria, mas uma imposição do Estado, grande beneficiário desse monopólio, que ganha rios de dinheiro com o “mercado” de licenças para atuar na atividade).



Pode ser que, por enquanto, a Justiça consiga atrapalhar as atividades com o aplicativo, ou mesmo tirá-lo do ar definitivamente. Como o caso do Napster mostra, entretanto, é impossível impedir que o avanço tecnológico remodele a forma como lidamos com o mundo, seja como ouvimos música ou como contratamos serviços de transporte. Mais cedo ou mais tarde, a tecnologia as restrições estatais obsoletas, ainda que legalmente válidas, e o mercado de transporte individual terá de se adaptar a essa nova realidade.



Nos tempos da primeira revolução industrial, um grupo de operários conhecido como ludditas quebrava as então inovadoras máquinas industriais a vapor por pensarem que essas máquinas tomavam seus empregos. Hoje, achamos pitoresca esse tipo de atitude, embora, como o caso do Napster e do Uber nos mostram, sempre aparecem grupos para agir do mesmo modo pitoresco. Como os casos passados mostraram, entretanto, é impossível barrar o avanço tecnológico e seus efeitos, ainda que isso vá contra o interesse de alguns.



A luta contra a tecnologia é sempre uma luta vã. Se é sábio atentar ao brocardo que diz que ninguém pode obrigar outro ao impossível (“ad impossibilia nemo tenetur”), então também deveríamos parar com a mania de proibir o inevitável.