Há 20 anos, morria a última vítima do Muro de Berlim.

Há 20 anos, morria a última vítima do Muro de Berlim


Quer apostar quanto que os 20 anos da queda do Muro de Berlim vai ser menos comemorada que os 40 anos da morte do Che, ano passado? Ou os 90 anos da Revolução Russa, em 2007? Ou mesmo do que a eleição do Obama, que, segundo dizem eles – “eles”, já entrou para a História?
Quanto? Um doce?

Da Morte no Avião

“(…) a poesia é mais filosófica e de caráter mais elevado que a história, porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular.”
(Aristóteles, Poética,IX,3)
Essa frase me veio à cabeça nesses dias, devido aos acidentes de avião ocorridos aqui e nos EUA. As notícias, na TV ou na imprensa escrita, por mais que nos comovam, nunca nos tocam profundamente, nunca nos coloca na pele dos que tiveram sua vida interrompida. O discurso jornalístico, algo como a História do presente, sempre nos apresenta algo alheio, particular aos acidentados, algo que aconteceu de fato com eles.
O discurso poético, diferentemente, trata do universal, nos apresenta algo que poderia, que pode acontecer com qualquer um, pode acontecer conosco. E por isso, nos toca mais profundamente.
Por issso, se você quer entender de verdade esses acidentes, deixe as notícias um pouco de lado e lê  Morte no Avião, de Drummond, em A Rosa do Povo:

(…)
Ó brancura, serenidade sob a violência
da morte sem aviso prévio,
cautelosa, não obstante irreprimível aproximação de um perigo atmosférico
golpe vibrado no ar, lâmina de vento
no pescoço, raio
choque estrondo fulguração
rolamos pulverizados
caio verticalmente e me transformo
 em notícia.