Immanuel Kant e Hebreus 11.6 em litígio – John Piper

Immanuel Kant e Hebreus 11.6 em litígio – John Piper


C. S. Lewis achava que Immanuel Kant (falecido em 1804) foi um dos causadores dessa confusão. Ayn Rand, ateia, pensava o mesmo. Sua descrição muito inteligente da ética de Kant, mesmo que nem sempre historicamente exata, pelo menos mostra bem os efeitos paralisantes que ela parece ter tido sobre a igreja:

Kant disse que uma ação é moral apenas se a pessoa não tem o desejo de executá-la, e a faz por um senso de dever, sem tirar qualquer tipo de benefício dela, nem material nem espiritual. Um beneficio destrói o valor moral de uma ação. (Portanto, se alguém não tem nenhum desejo de ser mau, não pode ser bom; se tem, pode.)

Ayn Rand confundiu essa noção de virtude com o cristianismo e rejeitou prontamente toda a coisa. Mas isso não é cristianismo! Foi trágico para ela e é trágico para a igreja o fato de essa noção permear o ar da cristandade — a noção de que buscar a alegria é submoral, se não imoral.

Como seria bom se Ayn Rand tivesse entendido seu contemporâneo cristão Flannery 0'Connor:
Não creio que a renúncia ande junto com a submissão, nem mesmo que a renúncia seja um bem em si mesmo. Você sempre renuncia a um bem menor por outro maior; o oposto disso é pecado. [...] O esforço de submeter-se [•••] não é um esforço de submeter-se mas de aceitar, e com paixão. Quero dizer, possivelmente, com alegria. Retrate-me com meus dentes reluzindo de regozijo —também plenamente armado, pois a busca é altamente perigosa.

Amém!

Todo domingo de manhã, Hebreus 11.6 entra em litígio com Immanuel Kant: "Sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam". Você não pode agradar a Deus se não se aproxima dele buscando recompensa! Por isso, a adoração que agrada a Deus é a busca do prazer em Deus. Ele é nossa recompensa excessivamente grande! Em sua presença há plenitude de alegria, e à sua destra, delícias perpetuamente. Adoração é o banquete do prazer cristão.

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