Nota sobre "As Dores da Colômbia", exposição de Botero.

Acabei, por acaso, vendo no último sábado a exposição "Dores da Colômbia" de Fernando Botero no MuBE, aqui em São Paulo, que acabou no domingo (clique aqui para ver uma reportagem sobre a mostra).


Não sei se por ignorância, preconceito ou os dois, eu achava que a pintura tinha perdido, com o advento da fotografia, do cinema e da tv e o desenvolvimento do jornalismo, a sua função de registro histórico de uma sociedade e de uma época. Para mim, toda as artes plásticas tinham virado artzooka.
Essa mostra mudou meu conceito completamente.

Todo a violência, todo o horror, toda a frieza e maldade da narcoguerra colombiana está representada magistralmente nessa série de quadros. Os traços do pintor, especialmente seus rechonchudos colombianos e  a maneira como pinta o rastro das balas e as explosões mostram de uma maneira bela e comovente toda a crueza da situação. Comove. É arte de verdade. 
Uma foto que mostrasse tudo o que os quadros da mostra representam chocaria, mas, e talvez pelo choque, não comoveriam. Esses quadros, sendo arte, tocam no que há de mais humano, mais dolorido, mais terrível nessa história. Mas, de forma bela.
O que Aristóteles disse sobre a poesia vale para as artes em geral. Uma pintura como essas é mais filosófica, mais universal do que qualquer foto ou notícia sobre massacres. Sem saber nomes nem locais, aprende-se (ou, ao menos, apreende-se, entende-se) muito mais sobre narcoguerra vendo esses quadros do que lendo jornais.

PS.: como dito acima, a mostra já acabou. Pena.

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