Imago Dei, Antropologia Bíblica e Ética Cristã.


Considere-se a proposição:
(1) Todo ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus.
Para os cristãos e judeus (em geral), essa é uma proposição verdadeira. Disso segue a moral judaico-cristã, que se resume no mandamento de fazer ao próximo aquilo que gostaríamos de fizessem conosco e na figura do bom samaritano. Que nem todos os cristãos sejam bons samaritanos é um problema desses cristãos, não do cristianismo. Ainda assim, creio que esse entendimento da natureza humana é o fundamento da superioridade da moral cristã.
Bom, para que se siga uma ética correta com base nessa proposição não basta considerar (1) verdadeira; é preciso conhecer o referente (o termo significado não cabe aqui, significados são objetos da linguística, não da lógica) verdadeiro do termo Deus para dele derivar uma imagem verdadeira, ou seja, é preciso conhecer o verdadeiro Deus para, com base nele, descobrir quais atributos Ele comunicou aos homens.
Poderia-se fazer o caminho contrário, partindo dos atributos dos homens para compará-los com os de Deus? Dificilmente isso dá certo, primeiro porque quem parte desse ponto normalmente deixa Deus de fora do seu trabalho intelectual; depois, apenas racionalmente não dá pra saber o que é Imago Dei e o que é fruto da queda; por último, ao partir da imagem do homem para a de Deus, distorce-se o conceito de Deus com base na natureza do homem caído. Enfim, erra-se geral.
Creio que uma ética fundamentalmente cristã calca-se numa antropologia fundamentalmente bíblica, abarcando os conceitos da Imago Dei e da Queda, sem os quais o ser humano não é corretamento compreendido.

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