Necessidades.


NECESSIDADES

É preciso saber ouvir um não
E dizer sim a quem um não nos deu
É preciso manter os pés no chão
E a cabeça, é preciso, lá no céu

É preciso nascer mais uma vez
E é preciso, pr’a isso, sim, morrer
É preciso manter o que se fez
E é preciso mais, muito mais, fazer

É preciso estar sempre um passo à frente
E é preciso saber olhar pr’a trás
É preciso saber ganhar presentes
E é preciso saber dar, inda mais

É preciso manter as esperanças
E saber que isto tudo está perdido
É preciso agir como as crianças
E pensar como um velho encanecido

É preciso ter fé pr’a se ter fé
E é preciso mais fé pr’a se não ter
É preciso, pr’a ser o que se é
Coragem, e bem mais pr’a se não ter

É preciso salvar a própria alma
E é preciso perdê-la pr’a salvar
É preciso saber manter a calma
E é preciso saber quando gritar

É preciso pensar  na eternidade
E é preciso pensar na própria morte
É preciso empenhar-se de verdade
E é preciso contar com alguma sorte

É preciso que o sangue esteja quente
E a cabeça, é preciso, esteja fria.
É preciso chorar copiosamente
E é preciso que, alegre, a gente ria.

De Fetos e Cãezinhos.


É engraçado que muitos que defendem o aborto justifiquem que, até determinado ponto de desenvolvimento, o feto não constitui um ser humano. Com isso, parecem querer dizer que podem dispor dela como podem dispor de vidas não humanas.
Pois bem, o engraçado é que, na moralidade judaico-cristã ocidental, aquela que, para descontentamento dos liberals de plantão, ainda rege a sociedade brasileira, não podemos dispor da vida animal  a nosso bel-prazer.
O simples fato de que você não pode matar seu cãozinho por ter enjoado dele prova isso. Mesmo antes das leis de proteção aos animais influenciadas pela ideologia ecolátra, matar um animal sem uma justificativa razoável era moralmente condenável.
O princípio moral que rege a ética nesse assunto parece ser: a vida humana é mais valorosa que a vida animal. A causa desse princípio é a doutrina do homem como Imago Dei; a consequência, a licitude de matar um animal em favor de uma vida humana.
O caso mais evidente desse princípio é o onivorismo: exceto alguns vegas, que são tidos como excêntricos, sendo porcentagem mínima na população ocidental, é plenamente normal comer carne animal no Ocidente, recomendável, até. No fim das contas, é a cadeia alimentar. Creio também que poucos sustentariam que um animal não deveria ser morto para proteger um ser humano: um cão, touro ou qualquer outro animal que atacasse um humano e fosse morto não causaria muita polêmica. Uso terapêutico, para o vestuário, entre outros, seguem o mesmo princípio: a vida do animal só será legitimamente ceifada se disso decorrer a proteção humana.
Mesmo o uso animal para vestuário seguia primitivamente esse princípio, afinal, roupas não só luxo, são proteção do frio, calor, etc...
Deve o feto humano gozar de mesma proteção? Para os modernosos, não. O seu problema não é que ele é como um animal qualquer, mas que ele é um tipo de animal bem específico: um ser humano. Afinal, o que se faz com fetos não se faz com um filhote de nenhum bicho. Mesmo fazer um bicho abortar ou quebrar ovos de um pássaro qualquer tornou-se mais abominável que que qualquer aborto humano.

Deus e o Estado - Breve Reflexão sobre 1 Samuel 8:11-17.


Não sou anarquista, creio que toda autoridade vem de Deus e que o Estado (ou algo análogo que o valha) tem funções dadas por Deus e esferas de atuação e, por isso, é legítimo - embora, em grande parte, aja ilegitimamente; entretanto, não se pode negar que o Estado - que é apenas um  tipo de autoridade constituída, mas não é a única, nem a melhor, nem nada - tem seus males intrínsecos. A meu ver, esse texto diz bem isso. Ele diz muitas outras coisas, inclusive sobre abrir mão do autogoverno para alienar-se e etc. Mas não quero falar de nada disso aqui.
O primeiro problema do Estado é a coerção. O Estado não convida, convoca; não pede, toma. Mesmo em regimes representativos, como o nosso, a vontade do Governo-Estado interfere em nossas vidas contra a nossa vontade. Sustentamos órgãos que não queremos, votamos sem querer, vamos para guerras que não apoiamos.
Outro problema é que ele tem poder sobre nossos filhos. Com filhos, quer-se dizer com as pessoas mais novas, fortes e capazes, físicas e intelectualmente.  O Estado coopta os de maior potencial para o interesses próprios dos governantes, que podem ser uma guerra, podem ser padaria e perfumaria. Retira-se do "mercado" os melhores para funções burocráticas, muitas vezes, inúteis. Quando não, para simples proveito do governante. É claro que, isso compromete a economia de um país.
O confisco de terras e produções para o interesse do governo e sua burocracia, que não produz nada, parece ser um problema que dispensa explicação. Políticos vivem muito bem às nossas custas e revertem muito pouco para nós, a população.
Repito: não sou anarquista. Creio que o Estado é dispensável (ele o foi em Israel, não existiu até Saul), mas não tenho por causa destruí-lo. Mas querer aumentar seu poder sem refletir nos problemas que isso traz inexoravelmente é uma burrice da qual o próprio Deus nos alerta.

O Anti-Liberalismo Constituinte Brasileiro. (repost, c/ um P.S.)


Todo "direitista" brasileiro sente o quanto o anti-liberalismo está impregnado em todos os aspectos da vida brasileira. Os textos abaixos, tirados da imprensa da época (1986-1988) e encontrados no site do Senado Federal, mostram o quanto a Constituinte –  e, por conseqüência, a própria Constituição Federal– foi enviesada por este sentimento anti-liberal.
Post de 19/02/2010
P.S.: republiquei esse post depois de ler A Nova Era e A Revolução Cultural: Fritjof Capra e Antonio Gamsci, do Olavo de Carvalho, e o novo artigo de Lorena Miranda no Ad Hominem. Recomendadíssimo os dois. Pouca gente percebe que a coisa já é constituinte no Brasil, em sentido jurídico e filosófico.

Os Bonecos de São Paulo.


Muitos dos que reclamam da eleição de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo dizem que ele é mais um dos bonecos de Lula, assim como Dilma. Pode ser, talvez seja.
Entretanto, esse negócio de boneco na prefeitura já é uma tradição na maior cidade do país. Em 1996, Paulo Maluf iniciou a coisa com Celso Pitta. Naquela época, petismo e malufismo estavam em lados opostos da luta política.
Mais recentemente, em 2008, Serra lançou seu desconhecido vice Kassab contra seu conhecido correligionário e atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e conseguiu elegê-lo. Não se pode falar que Kassab foi eleito pelos quase dois anos de mandato tapa-buraco do Serra,  pois todos nós paulistanos sabemos que, no início da campanha, ele ainda era um ilustre desconhecido, fato que Marta usou safadamente na campanha do segundo turno para desqualificá-lo. Foi Serra quem promoveu Kassab, dividindo o PSDB.
Que a principal cidade do país tenha lançado essa moda de bonecos políticos, o que quer dizer que ela mesmo não consegue produzir lideranças políticas genuínas e importantes, é sintomático dos nossos dias.