De Fetos e Cãezinhos.


É engraçado que muitos que defendem o aborto justifiquem que, até determinado ponto de desenvolvimento, o feto não constitui um ser humano. Com isso, parecem querer dizer que podem dispor dela como podem dispor de vidas não humanas.
Pois bem, o engraçado é que, na moralidade judaico-cristã ocidental, aquela que, para descontentamento dos liberals de plantão, ainda rege a sociedade brasileira, não podemos dispor da vida animal  a nosso bel-prazer.
O simples fato de que você não pode matar seu cãozinho por ter enjoado dele prova isso. Mesmo antes das leis de proteção aos animais influenciadas pela ideologia ecolátra, matar um animal sem uma justificativa razoável era moralmente condenável.
O princípio moral que rege a ética nesse assunto parece ser: a vida humana é mais valorosa que a vida animal. A causa desse princípio é a doutrina do homem como Imago Dei; a consequência, a licitude de matar um animal em favor de uma vida humana.
O caso mais evidente desse princípio é o onivorismo: exceto alguns vegas, que são tidos como excêntricos, sendo porcentagem mínima na população ocidental, é plenamente normal comer carne animal no Ocidente, recomendável, até. No fim das contas, é a cadeia alimentar. Creio também que poucos sustentariam que um animal não deveria ser morto para proteger um ser humano: um cão, touro ou qualquer outro animal que atacasse um humano e fosse morto não causaria muita polêmica. Uso terapêutico, para o vestuário, entre outros, seguem o mesmo princípio: a vida do animal só será legitimamente ceifada se disso decorrer a proteção humana.
Mesmo o uso animal para vestuário seguia primitivamente esse princípio, afinal, roupas não só luxo, são proteção do frio, calor, etc...
Deve o feto humano gozar de mesma proteção? Para os modernosos, não. O seu problema não é que ele é como um animal qualquer, mas que ele é um tipo de animal bem específico: um ser humano. Afinal, o que se faz com fetos não se faz com um filhote de nenhum bicho. Mesmo fazer um bicho abortar ou quebrar ovos de um pássaro qualquer tornou-se mais abominável que que qualquer aborto humano.

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