NO TABULEIRO – MUDANÇA DA META DO ORÇAMENTO, no Xadrez Verbal.

Participei de um debate no blog Xadrez Verbal, sobre a Mudança da Meta Fiscal (contra, claro).
Aqui: http://xadrezverbal.com/2014/12/15/no-tabuleiro-mudanca-da-meta-do-orcamento/

O jurisdicionado entre os juízes e os deuses.



O jurisdicionado entre os juízes e os deuses.



Apareceu na minha timeline notícia de um juiz federal que obrigou um Testemunha de Jeová a fazer uma transfusão de sangue, mesmo sendo isso contrário ao seus princípios religiosos. Não sou Testemunha de Jeová, discordo bastante deles, na verdade; tampouco sou contra transfusões de sangue, sou um doador até que frequente. Mas não consegui deixar de ficar perplexo com o que considero uma tremenda violência autoritária e totalitária.

Violência, física e psíquica. Violência física, porque introduz no corpo do paciente substância (sangue alheio) que ele não consentiu em receber; violência psíquica, porque fere os princípios mais básicos e valiosos do paciente, trazendo-lhe uma ferida psicológica, um dano moral de medição difícil.

Autoritária, pois, sob o pretexto de proteger a vida do paciente - e livrar o Estado de futuros infortúnios jurídicos, se impôs sobre o paciente uma decisão contrária à sua manifesta vontade, submetendo a autonomia do indivíduo de decidir sobre seu próprio corpo e sua vida ao arbítrio estatal (à Razão de Estado?).

Totalitária, porque se imiscui o Estado nas esferas mais íntimas da vida humana, quais sejam, a consciência moral e religiosa e a autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida.

Tal violência manifesta a cegueira, escondida sob o manto da laicidade do Estado, de uma cosmovisão naturalista-materialista, que, com o pretexto de afastar a religião das decisões na esfera pública, esmaga a esfera das decisões individuais dos indivíduos, reduzindo a liberdade religiosa a uma mera permissão de crença, restrita ao espaço privado, sem expressão externa possível.

Tal cegueira faz com que não se veja, nos fatos mais triviais da vida cotidiana, o significado sagrado que aquele ato tem para o crente. Não percebendo esse sentido mais transcendente da ação humana, óbvio e fundamental para a pessoa religiosa, esse é esmagado pela decisão imposta.

Assim, não conseguiu ver o juiz (e o médico) que, o que para ele era mero procedimento cirúrgico-terapêutico, para o Testemunha de Jeová era um pecado grave, uma abominação, com consequências morais, religiosas e sociais (como será recebido o paciente entre os seus irmãos de fé?); ao escolher a vida em prejuízo da liberdade, não se viu o que era a “boa vida” (nem a “boa morte”) para aquele sobre quem a decisão incidia; decidiu o juiz salvar uma vida, sem perceber que tipos de condenações (temporais e eternas) poderiam derivar de sua decisão.

Não há que se falar em deixar de lado as “superstições” nessas horas e passar por cima das convicções religiosas para se atentar aos “fatos reais” e submeter-se ao “conhecimento científico”. Não goza o membro do Poder Público (não só do Judiciário, aliás) de posição epistemológica privilegiada para simplesmente afastar valores e crenças daqueles que sofrerão as consequências de suas ações. A investidura do cargo não dá a ninguém saberes amplos sobre “esse mundo” e o “outro”, nem poderes “acima do bem e do mal”. Porque a condição humana é de ignorância quanto ao transcendente, restando-lhe apenas a crença, e porque, como relembrado exaustivamente nos últimos dias, juízes não são deuses, cabe a estes (não os deuses, os juízes...) respeitarem a crença dos jurisdicionados que suportam suas decisões.

Há dez anos, o filósofo alemão Jürgen Habermas e o teólogo também alemão Joseph Ratzinger, que viria a ser, mais tarde, o Papa Bento XVI, se encontravam na Academia Católica de Baviera, em Munique, na Alemanha, para um debate sobre essa relação complicada entre religião e razão no Estado Democrático de Direito (o debate virou um livro: “Dialética da Secularização: sobre Razão e Religião”). A despeito da importância do debate no cenário atual e do gabarito dos debatedores, a discussão é quase que totalmente negligenciada em terras brasileiras; pior, dá-se o assunto por encerrado, ostentando-se, no complexo séc. XXI, pós 11 de Setembro, as soluções (que falharam) de um superado pseudo-iluminismo (veja-se a sintomática decisão do STF no caso das células-tronco embrionárias, de 2008 [ADI 3510, especialmente o voto do Ministro Celso de Mello]). Embora de se lamentar, não é de se estranhar ver essa lógica nas decisões dos juízes.

“Há mais coisas no céu e terra (...) do que foram sonhadas na sua filosofia”, nos lembra Hamlet; em uma época, entretanto, em que as ideologias, sempre simplificadoras e esquematizadas, como nos adverte Ricoeur, ocupam o lugar de qualquer esforço filosófico (e a formação descamba, cada vez mais, para a mera aprendizagem técnica, quando não para a doutrinação, daí pensar que o assunto seja relevante para os colegas do “Páteo”), não há sequer o esforço de se pensar o que há fora delas. Reduzido o Outro a seu papel no esquema, é impossível entende-lo de verdade, em toda a sua complexidade. Cegueira.



7 Características do Ministério de Música - Ron Man


7 Características do Ministério de Música

Ron Man





(nota: Tradução de um texto do The Gospel Coalition [link no fim do texto] que fiz para estudo de grupo de louvor.)



“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;
Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;
Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” Efésios 5:18-20

Diferentemente do Velho Testamento, há poucas coisas (mas preciosas) no Novo Testamento sobre o ministério musical para o louvor corporativo; mas Efésios 5:18-20 (com Colossenses 3:16) nos dá um fundamento útil. Nesta passagem nós vemos ao menos 7 aspectos que deveriam caracterizar nosso ministério de música.



1. Um ministério cheio do Espírito

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito, . . “

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.” Filipenses 3:3

Pra além dos debates sobre o que seja se encher do Espírito intrigante aqui é que o primeiro resultado mencionado por Paulo de se encher do Espírito seja cantar!

2. Um ministério recíproco

” . . . falando entre vós. . . “

Há um importante aspecto horizontal do nosso ministério musical para o louvor corporativo é algo que fazemos juntos. Louvor privado e pessoal é uma parte importante do nosso andar com Deus; mas no ajuntamento da igreja precisamos estar focados no “uns aos outros” tanto quanto em Deus. Isso nos sugere um importante corretivo pra muitos de nossos conflitos no louvor: louvor congregacional prove benefício mútuo, ao invés de benefício individual, primeiramente; assim, a atitude onipresente de “o que é pra mim nessa música?” ou “o que eu ganho com ela?” com a qual muitos abordam o louvor corporativo mostra uma grave falta de entendimento sobre o porquê de nos reunirmos. Nós ministramos uns aos outros e encorajamos uns aos outros e fortalecemos uns aos outros enquanto cantamos.



3. Um ministério diversificado

” . . . em salmos, e hinos, e cânticos espirituais. . .”

O significado exato dessas três categorias de canções em sido muito discutido pelos últimos dois mil anos, sem uma conclusão inequívoca. Entretanto, é certo que Paulo está dizendo que devemos usar diferentes tipos de música em nosso louvor corporativo. Vamos aproveitar das riquezas musicais além das fronteiras estilísticas, geracionais e nacionais.



4. Um ministério focado em Deus

” . . . cantando e salmodiando ao Senhor. . .”

Com certeza, nossa canção é direcionada para Aquele que é o único digno de nosso louvor. Não cantamos para nosso próprio prazer ou benefício (ainda que isso seja um positive efeito colateral), mas em Sua oferta e para Seu prazer e glória.



5. Um ministério interno

” . . . no vosso coração. . .”

“Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” 1 Samuel 16:7

Temos de fazer melodia com o coração antes que ela chegue aos nossos lábios. Pois louvor, para ser para glória e prazer de Deus, deve ser a expressão de um coração devotado. Tanto o antigo quanto o Novo Testamento deixam claro que Deus está mais preocupado com a atitude interna do louvor do que com a forma externa. Por isso nossa canção deve vir de dentro.



6. Um ministério responsivo

” . . Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai. . .”

“Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza.” Salmos 150:2

Nós só temos uma canção pra cantar por causa da iniciativa de Deus de se revelar a Si mesmo para nós e se mostrar a nós poderoso em Seus atos salvadores em nosso favor. Todo louvor é uma resposta à graciosa auto-revelação de Deus.



7. Um ministério empoderado por Cristo

” . . .em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.”

“Dizendo: Anunciarei (eu, Cristo) o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores (ao Pai) no meio da congregação.” Hebreus 2:12

Nossas músicas agradam a Deus porque Ele veio e, através do nosso Sumo Sacerdote, sua canção se sobrepõe e aperfeiçoa a nossa. Orar e louvar em nome de Jesus é bem mais que colocar Seu nome no final pra dar um efeito máximo; ao invés disso, é saber que somente nEle e por Ele, por meio de Seu sacerdócio e revestidos de Sua justiça, podemos nos aproximar de Deus.



Fonte: http://www.thegospelcoalition.org/blogs/tgcworship/2014/01/27/7-characteristics-of-the-ministry-of-song/