Divertida Mente e o biologismo.

Uma das imagens da minha infância é a briga do anjinho e do diabinho nos ombros dos personagens dos desenhos animados, com o anjinho querendo induzir para o certo e o diabinho, para o errado. Era uma representação infantil de um conflito psicológico e moral.

Ontem, assisti a Divertida Mente, o novo filme da Pixar. Antes de mais nada, assistam, é muito bom e engraçado. Ele mostra como funciona a cabeça de Ryle, uma menina de 11 anos que muda com os pais de Minesota para São Francisco. (Não tem spoiler)

A cabeça da menina é mostrada como uma grande máquina, uma central de comando controlada por Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojo, os sentimentos básicos. O comportamento da menina depende de como esses personagens, metáforas de hormônios (Alegria e Tristeza podiam se chamar Serotonina e Cortisol tranquilamente), se harmonizam e conduzem o corpo. Eles são os protagonistas do filme, e não Ryle, que só reage a eles.

Não há mais anjinho e diabinho, não há mais certo e errado, não há mais drama psicológico e escolha moral. Tudo é reduzido ao funcionamento da máquina, ao equilíbrio hormonal, a respostas neurológicas. Divertida Mente é a forma mais bem acabada, divertida e feita pra crianças do mecanicismo e biologismo, do cientificismo materialista e reducionista que já tinha tomado forma televisiva com NatGeo e Discovery.

Só que bem mais divertida.

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