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Evo, a trans e as cruzes.

Isso me ofende mais, infinitamente mais, que a transexual na cruz. É de uma violência teológica e simbólica absurda. A trans, não sendo cristã, quando escolheu protestar com a cruz, escolheu um símbolo reconhecido de sofrimento para expressar o seu, e, de certa forma, o respeitou. Quando ela diz que lgbt's (ou qualquer outro grupo ou pessoa) são crucificados, são "pegos pra Cristo", não entende o significado teológico da cruz de Cristo, mas presta tributo ao Cristo moído, castigado, reconhece no Cristo crucificado o maior modelo de condenação do inocente, de castigo injusto, de bode expiatório. Se choca e ofende num primeiro momento, passado o furor, deve nos causar piedade com o sofrimento alheio. No mais, é bom ver que ela viu isso na cruz de Cristo.

O que Evo fez, dizendo-se católico, é infinitamente pior, e doentiamente diabólico, é bizarramente diabólico, idolátrico. Em nome da "luta" pelos oprimidos, faz da cruz um nada, põe sua redenção não na cruz, mas na luta de classes, elevando-a à sacralidade.

Esse pequeno texto ( http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/04/morte-por-amor-50-razoes-porque-jesus-veio-morrer-por-amor/) resume o que significa a cruz de Cristo para o cristão (esses pontos são desenvolvidos em um livro, mas são conhecimento básico de qualquer cristão). É simplesmente tudo, é o divisor da história da criação. Significa a possibilidade de reconciliação com Deus e de paz entre os homens, mostrando, mesmo graficamente, seus aspectos horizontal e vertical.

Evo despreza tudo isso e descarta a cruz, joga sua fé na luta política, aponta na luta da classe trabalhadora (e étnica, no seu caso) o meio de redenção e a eleva a símbolo da fé, idolatra o socialismo e despreza a Graça, trazendo a salvação por obra das mãos dos oprimidos. É uma ofensa profunda e propositadamente teológica, é uma perversão herética, idolátrica, diabólica, é o uso do motivo cristão para ofensa da religião cristã e promoção de outra coisa, em que a obra da Graça da cruz Cristo é substituída pela obra da classe (e da etnia), a salvação da alma pelo paraíso na terra, a batalha espiritual do bem contra o mal pela luta de classes, a centralidade soberana de Cristo na história pela história movida pela dialética da luta de classes. Essa figura bizarra é o símbolo maior da teologia da libertação, que encontra sua correspondente política perfeita no bolivarianismo. Ninguém deveria se assustar com a oração a Chávez - isso não tem nada a ver com cristianismo.

Ninguém que se sente confortável com isso (e reconforta ver a cara de constrangimento do Papa) tem o direito de reclamar de uma transexual na cruz.

Divertida Mente e o biologismo.

Uma das imagens da minha infância é a briga do anjinho e do diabinho nos ombros dos personagens dos desenhos animados, com o anjinho querendo induzir para o certo e o diabinho, para o errado. Era uma representação infantil de um conflito psicológico e moral.

Ontem, assisti a Divertida Mente, o novo filme da Pixar. Antes de mais nada, assistam, é muito bom e engraçado. Ele mostra como funciona a cabeça de Ryle, uma menina de 11 anos que muda com os pais de Minesota para São Francisco. (Não tem spoiler)

A cabeça da menina é mostrada como uma grande máquina, uma central de comando controlada por Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojo, os sentimentos básicos. O comportamento da menina depende de como esses personagens, metáforas de hormônios (Alegria e Tristeza podiam se chamar Serotonina e Cortisol tranquilamente), se harmonizam e conduzem o corpo. Eles são os protagonistas do filme, e não Ryle, que só reage a eles.

Não há mais anjinho e diabinho, não há mais certo e errado, não há mais drama psicológico e escolha moral. Tudo é reduzido ao funcionamento da máquina, ao equilíbrio hormonal, a respostas neurológicas. Divertida Mente é a forma mais bem acabada, divertida e feita pra crianças do mecanicismo e biologismo, do cientificismo materialista e reducionista que já tinha tomado forma televisiva com NatGeo e Discovery.

Só que bem mais divertida.

O direito de propriedade das carroças na Cracolândia

Sobre o direito de propriedade privada recaem diversas acusações, dentre as quais, a de ser um direito de ricos, que defende os que têm contra os que não têm, perpetuando injustiças sociais.

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo discorda.

Segundo informe de 10 de junho da própria entidade, “a Defensoria Pública de SP enviou na última semana ofícios à Prefeitura da Capital solicitando que sejam devolvidos os bens, objetos pessoais e carroças aos seus donos, pessoas em situação de rua que tiveram tais pertences apreendidos pelos guardas civis metropolitanos durante as operações que aconteceram na região da Cracolância no final do mês de abril” . As carroças são instrumentos de trabalho dessas pessoas, que trabalham recolhendo lixo reciclável na rua vendendo esse material. Como explicado no documento enviado à Prefeitura, “”Muitas pessoas tiveram suas carroças apreendidas durante a operação do dia 29 de abril e nos dias seguintes, assim como pertences pessoais diversos. As pessoas utilizavam as carroças para a coleta e transporte de materiais recicláveis, sendo essa uma das únicas fontes de renda que possuíam no contexto de extrema vulnerabilidade social em que vivem”.

Foi isso que lhes foi tirado – e isso responde pelo nome de propriedade.

Segundo o informe, “de acordo com os Defensores Públicos, a apreensão administrativa das carroças e objetos pessoais destas pessoas é ilegal e inconstitucional, e fere o direito de posse e propriedade. ‘É de rigor que se faça não apenas a devolução dos bens, objetos pessoais e instrumentos de trabalho, como também se apure as circunstâncias em que as apreensões ocorreram, que podem caracterizar, inclusive, o crime de abuso de autoridade’”.

Proudhon disse que a propriedade é roubo. Os moradores de rua que tiveram suas carroças e bens arrancados discordam; para eles, rouba que lhes tira o que é seu – no caso, o próprio Estado. A Defensoria Pública de São Paulo também discorda do filósofo – por isso, saiu em socorro do direito dos moradores de rua. Que seu exemplo, mais que aplaudido, seja seguido.

A defesa da propriedade não é a defesa do que tem muito , mas do que tem pouco, pois é justamente esse que não pode perder o que tem, e é justamente esse que está mais vulnerável a ter tomado de si o pouco que tem. Os ricos e as grandes empresas, quando querem garantir seus bens, compram sua segurança e o que pode garanti-la – inclusive o Estado; ao pobre, a única garantia é que seu direito a ter o que é seu seja respeitado e garantido e que todo aquele que viole seu direito seja obrigado a repará-lo – ainda que seja o Estado. Se o rico tem dinheiro, influência, poder e mesmo força e violência à sua disposição, ao pobre só resta seus direitos; tirem-lhe seu direito de ter o pouco que tem e estará lhe tirando tudo – absolutamente tudo.

Até uma carroça.

Publicado originalmente aqui: http://mercadopopular.org/2015/06/direito-de-propriedade-cracolandia/

LIBERDADE ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO HUMANO.

LIBERDADE ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO HUMANO.

Uma das acusações mais comuns contra o livre mercado é que ele traz ganhos apenas econômicos e concentrados nas mãos de poucos com dinheiro e poder, ou seja, que ele não traz benefícios sociais, para todos. Assim, seria necessário restringir a liberdade do mercado, regulando a economia, para que essa revertesse em ganhos públicos sociais.

Os números dizem o contrário. Comparando-se os últimos dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU (http://hdr.undp.org/en/content/table-1-human-development-index-and-its-components), que leva em conta, para seu cômputo, dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita e que é amplamente reconhecido como medida da qualidade de vida em um país (embora não imune a críticas), com os últimos números do Índice de Liberdade Econômica (ILE) da Heritage Foundation (http://www.heritage.org/index/ranking), fica clara a relação entre os dois índices.

Como a Tabela mostra, entre os vinte países com maiores IDHs, 18 têm ILEs livres ou em maior parte livres, sendo que um não é ranqueado; já entre os 20 piores IDHs, 19 são ranqueados como reprimidos ou em maior parte não livres no ILE, sendo que um não é ranqueado no índice.



Ao contrário do senso comum, os dados sugerem que, quanto maior a liberdade econômica, maior as chances de um país ter maior desenvolvimento humano e melhor o padrão de vida de seus habitantes.



A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL E A CONTRADIÇÃO CONSERVADORA.

A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL E A CONTRADIÇÃO CONSERVADORA.

Russel Kirk resumiu o conservadorismo em dez princípios, sendo o segundo o que diz que “o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade”, e o quarto, o chamado “princípio da prudência”, que diz que “qualquer medida pública deve ser avaliada por suas prováveis consequências de longo prazo, e não meramente por alguma vantagem ou popularidade temporárias” (pode-se lê-los aqui http://10principios.blogspot.com.br/). Assim, a continuidade da ordem estabelecida e o cuidado com sua reforma são caros aos adeptos desse pensamento. Por isso, causa espanto a enorme contradição de ver os conservadores na linha de frente da luta pela redução da maioridade penal para 16 anos, violando, ao mesmo tempo, os dois princípios kirkeanos.

Não existe a menor base sólida para afirmar que a redução da maioridade penal trará benefícios, seja a curto ou a longo prazos – pelo contrário, vários problemas da adoção dessa medida têm sido levantados (em resumo, aqui: https://18razoes.wordpress.com/quem-somos/; aqui: http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=280; e aqui: http://mercadopopular.org/2015/04/sera-que-devemos-reduzir-a-maioridade-penal/. Há apenas um “achismo” de que “leis penais mais severas diminuem a criminalidade”, uma aposta no mantra conservador em clara contradição com o quarto princípio de Kirk, um completo abandono da prudência política, um crença ingênua que se assemelha à dos engenheiros sociais de setores da esquerda.

Mais clara ainda é a violação do segundo princípio, o do respeito ao costume, à convenção e à continuidade. O nosso critério de maioridade penal data de quase um século, desde a lei 4.242/1921; antes disso, o menor de 18 nunca foi tratado como adulto em nosso ordenamento (ler aqui: http://justificando.com/2015/03/21/voce-conhece-a-historia-da-idade-penal-no-brasil/). Essa mudança rompe apenas com a nossa tradição, mas com uma tradição mundial: a maioria dos países usa os 18 anos como critério da maioridade penal (ler aqui: http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=323). Por que conservadores querem tanto essa mudança? Por que romper com essa “tradição”jurídica?

Parece-me que o que move os conservadores – e o povo, em geral – é simplesmente uma paixão punitiva, um sentimento justiceiro, uma sanha quase vingativa, apoiando-se em certo “sentimento democrático” de sujeição política à maioria. Esse “despotismo democrático” (classificação kirkeana), entretanto, viola, mais uma vez, um princípio conservador, o nono, que diz que “o conservador percebe a necessidade de prudentes restrições ao poder e às paixões humanas”. Nas palavras do próprio Kirk:

Politicamente falando, o poder é a habilidade de realizar a vontade de um não obstante a vontade dos demais. Um estado onde um indivíduo ou pequeno grupo seja capaz de dominar a vontade de seus concidadãos sem qualquer supervisão, será despótico, seja denominado monárquico, aristocrático ou democrático. (...) Sabendo ser a natureza humana uma mistura de bem e de mal, o conservador não deposita sua confiança na mera benevolência. Limitações constitucionais, verificações e contrapesos políticos, o cumprimento adequado das leis, a antiga e intricada teia das restrições por sobre a vontade e os apetites — isto é o que o conservador aprova como instrumentos da liberdade e da ordem. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade”.

Penso que os dez princípios de Kirk resumem bem um pensamento conservador vigoroso e respeitável. Assim, seria bom se nossos conservadores – e o nosso povo conservador – fossem mais coerentes com os seus princípios.

BOAS NOTÍCIAS SOBRE IMIGRANTES SÃO POSSSÍVEIS.

(Originalmente publicado na page do Facebook do EPL São Paulo)





BOAS NOTÍCIAS SOBRE IMIGRANTES SÃO POSSSÍVEIS.



Imigrantes têm sido os protagonistas de muitas notícias tristes envolvendo mortes, fugas perigosas, segregação e xenofobia e falta de oportunidades, entre outros problemas. Entretanto, não precisa ser assim. Reportagem da Folha de São Paulo de 04/05/2015 mostra como imigrantes haitianos têm transformado o bairro do Glicério em um “bairro negro” da cidade – e melhorando de vida. (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/05/1624794-com-igrejas-bilingues-e-lojas-tipicas-haitianos-mudam-a-cara-do-glicerio.shtml ). Vale muito a pena a leitura.



Saídos da situação grave pela qual passa o Haiti, piorada desde o terremoto de 2010 (sic, 2010), esses imigrantes vieram para o Brasil buscando melhores condições de vida e se instalaram no bairro, em torno da Missão Paz, ligada à Pastoral do Migrante. Lá, vão fazendo uma nova vida no Brasil:



“Igrejas evangélicas com cultos bilíngues são ao menos três. Lojas de roupas, cabeleireiros, lan houses e, agora, um restaurante de comida típica também abriram suas portas na região.



Aos poucos, essa população que busca por empregos e se fixar na capital vai fazendo o dinheiro girar no bairro”.



Como eu disse, vale a pena ler na íntegra a reportagem – e perceber que seu “tom” diferente está intimamente ligado com a forma com que imigrantes são tratados em cada situação.



Assim como japoneses, chineses, árabes, italianos e outros grupos étnicos de todo o mundo e também de todas as regiões do Brasil, São Paulo vai permitindo que, agora, sejam os haitianos que prosperem na cidade e contribuam com ela. Assim como aqueles povos estão integrados na economia e na cultura da cidade, poderemos, em breve, ter uma São Paulo com uma face haitiana. Bons para os haitianos, bom para São Paulo e para o Brasil.



Apesar de ser benéfica pra todos, a livre imigração é muito combatida - por pura xenofobia e racismo, por conservadorismo cultural ou por desculpas político-econômicas, como motivos de segurança ou por trazer um sobrepeso ao Estado de bem estar social, aumentando os gastos e a necessidade de recursos (o que joga muitos imigrantes na clandestinidade e na falta de direitos, como os bolivianos encontrados em condições à trabalho escravo em oficinas clandestinas de costura).



Se quisermos, entretanto, que notícias como essa não sejam exceção quando o assunto é imigração, mas a regra, é preciso que as barreiras à livre imigração, sejam elas físicas, culturais ou políticas, sejam derrubadas. Urgentemente.

Relatório mostra situação preocupante da liberdade religiosa no mundo.

Segundo o mais recente relatório da Pew Reserch Center sobre restrições religiosas no mundo, que analisa dados de 2013, 54 de 198 países (27%) impunham restrições governamentais à religião em níveis altos ou muito altos, implicando em que 63% da população mundial esteve debaixo dessas restrições. Os países com altos ou muito altos níveis de hostilidades sociais envolvendo religião (que engloba de vandalismo à assassinato de religiosos) foram também 27%, cobrindo 73% da população mundial. Esses números mostram-se ainda mais preocupantes quando se considera que eles mostram leve melhora quanto a 2012 (quando 29% dos países impuseram restrições oficiais e 33% apresentaram hostilidades sociais envolvendo religião) e ainda não consideram avanços recentes de grupos como ISIS e Boko Haram em 2014 e 2015.
Cristãos foram perseguidos, em 2013, em 102 países (52%), sendo o grupo religioso mais perseguido do mundo (dado que vai contra o nosso senso comum); muçulmanos, em 99 países (50%); judeus, em 77 países, havendo um preocupante aumento do antissemitismo no mundo; adeptos de religiões populares, em 34 países; hindus, em 9 países; budistas, em 12 países; fiéis de outras religiões, incluindo ateus, em 38 países. Houve perseguição religiosa, oficial ou por parte da população, em 164 países.
Em 30% dos países, houve restrições oficiais contra minorias religiosas, em 61% dos países houve hostilidades sociais contra minorias sociais. Judeus foram perseguidos por indivíduos ou grupos em 34 de 45 países europeus, ou seja, 76% destes; muçulmanos, em 32 países europeus (71%). Em 19 países europeus (42%), mulheres foram perseguidas por violação de regras quanto ao vestuário.
 

LIBERDADE DE IMPRENSA DECLINA EM TODO O MUNDO, SEGUNDO REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS.

"Os indicadores compilados pela organização Repórteres Sem Fronteiras são incontestáveis. Houve um declínio drástico na liberdade de informação em 2014. Dois terços dos 180 países pesquisados para o World Press Freedom Index 2015 um desempenho inferior ao do ano anterior. O indicador global anual, que mede o nível global de violações da liberdade de informação em 180 países ano a ano, subiu para 3.719, um aumento de 8 por cento ao longo de 2014 e quase 10 por cento em comparação com 2013. A queda afetou todos os continentes".
Esse é o preocupante relatório da ONG que monitora o liberdade de imprensa em todo mundo. O índice saiu semana passada.
Segundo a ONG, as deteriorações mais preocupantes da liberdade de imprensa ocorreram em Andorra, Timor Leste, Congo, Itália, Islândia, Venezuela, Equador, Líbia, Sudão do Sul, Rússia, Azerbaijão e Estados Unidos. As melhoras mais significativas foram em Mongólia, Tonga, Madagascar, Geórgia, Nepal, Tunísia, Brasil, México.
Os dez países com maior liberdade de imprensa, segundo o índice, são: Finlândia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Suécia, Nova Zelândia, Áustria, Canadá, Jamaica e Estônia.Os dez piores são: Eritreia, Coreia do Norte, Turcomenistão, Síria, China, Vietnã, Sudão, Irã,Somália e Laos.
O Brasil, como dito acima, teve substantiva melhora: subiu 12 posições, pulando da 111ª para a 99ª posição, com diminuição de jornalistas mortos, 2 em 2014, contra 5 em 2013. Essa, entretanto, é uma posição da qual não podemos nos orgulhar: estamos mais perto do último que do primeiro lugar. Os dez países imediatamente à nossa frente (do 98º ao 89° lugar) no ranking são: Líbano, Uganda, Seychelles, Gabão, Bolívia, Fiji, Peru, Grécia, Kwait e Libéria. No contexto das Américas, somos o 20º de 28 países, mais perto do último (Cuba, 169º do ranking geral) que do primeiro (Canadá, 8º do ranking geral), atrás até mesmo de Haiti (53º) e Argentina (57º). Em uma classificação gradativa que separa os países em cinco grupos, dos mais livres aos menos livres, fazemos parte do terceiro grupo. A RSF destaca ainda a violência contra jornalistas em protestos. Como ponto positivo, destaca a proteção dos usuários de internet com o Marco Civil.
Ainda no contexto da América Latina, há especial precupação com a Venezuela (137º), em que a Guarda Nacional Bolivariana abriu fogo contra jornalistas durante protesto, e Equador (108º), por conta de sua Lei Orgânica de Comunicação, um instrumento de censura.
Destaque-se, ainda, os Estados Unidos (49º, uma posição nada confortável para o "País da Liberdade"), cujo governo vem pressionando jornalistas para revelar suas fontes, como no caso WikiLeaks.
Link para o índice: http://index.rsf.org/

O UBER E OS LUDITAS DE HOJE.



(originalmente publicado na page do EPL São Paulo)



Março de 2001: o Napster, software revolucionário que permitia com que as pessoas do mundo todo baixassem músicas em seus computadores de graça, em rede P2P, parou de funcionar. O serviço foi fechado devido a uma série de processos de companhias de empresas fonográficas, que alegavam que o software violava direitos de copyright (o equivalente ao nosso direito autoral) ao permitir a distribuição ilegal de música, o que afetava diretamente os negócios – e o lucro dessas companhias.



Poucos dias depois do fechamento do Napster, já havia uma série de softwares semelhantes a ele que permitam a troca de música via P2P, como eMule, Ares Galaxy e BitTorrent. Hoje, 14 anos depois, nada é mais fácil do que baixar discos inteiros de graça na internet, e não só música, mas também filmes e séries, apesar do cerco das grandes companhias de entretenimento, que tiveram que se adaptar ao novo ambiente de mercado.



Abril de 2015: a Justiça de São Paulo determina a suspensão das atividades do aplicativo Uber, que oferece serviços de “carona paga”, na prática, faz intermediação entre motoristas autônomos e quem precise do serviço. A suspensão, liminar, atende ao pedido do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo, categoria que tem o monopólio do transporte individual pago ameaçado pela concorrência do aplicativo (esse monopólio, é importante ressaltar, não é culpa dos trabalhadores da categoria, mas uma imposição do Estado, grande beneficiário desse monopólio, que ganha rios de dinheiro com o “mercado” de licenças para atuar na atividade).



Pode ser que, por enquanto, a Justiça consiga atrapalhar as atividades com o aplicativo, ou mesmo tirá-lo do ar definitivamente. Como o caso do Napster mostra, entretanto, é impossível impedir que o avanço tecnológico remodele a forma como lidamos com o mundo, seja como ouvimos música ou como contratamos serviços de transporte. Mais cedo ou mais tarde, a tecnologia as restrições estatais obsoletas, ainda que legalmente válidas, e o mercado de transporte individual terá de se adaptar a essa nova realidade.



Nos tempos da primeira revolução industrial, um grupo de operários conhecido como ludditas quebrava as então inovadoras máquinas industriais a vapor por pensarem que essas máquinas tomavam seus empregos. Hoje, achamos pitoresca esse tipo de atitude, embora, como o caso do Napster e do Uber nos mostram, sempre aparecem grupos para agir do mesmo modo pitoresco. Como os casos passados mostraram, entretanto, é impossível barrar o avanço tecnológico e seus efeitos, ainda que isso vá contra o interesse de alguns.



A luta contra a tecnologia é sempre uma luta vã. Se é sábio atentar ao brocardo que diz que ninguém pode obrigar outro ao impossível (“ad impossibilia nemo tenetur”), então também deveríamos parar com a mania de proibir o inevitável.













MERCADO PARA OS POBRES.




 MERCADO PARA OS POBRES.

(Originalmente publicado na page od Facebook do EPL São Paulo)





É comum ouvirmos que o mercado é excludente, imoral, “selvagem”, e que a defesa do mercado é a defesa dos ricos, das grandes corporações e dos bancos. Embora seja o senso comum, isso simplesmente não corresponde aos fatos.

Pensemos em duas classes de bens e serviços, uma dos que são fornecidos pelo Estado ou por suas concessionárias, com monopólio, e outro grupo de bens e serviços que são livremente fornecidos no mercado. Não precisa muito esforço pra perceber que os pobres têm mais e melhor acesso aos produtos do segundo grupo do que do primeiro. Assim noticiou a Folha, em 2013:

“Casas com TV, DVD, computador, carro e moto, mas sem esgoto e coleta de lixo. Dados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, mostram que, enquanto no país avança a presença nas residências de bens duráveis, como eletrônicos, boas parte dos Estados fica paralisada – ou até regride – em serviços como água, esgoto e coleta de lixo. De 2011 para 2012, 14 Estados tiveram redução no percentual de moradias com esses serviços (em 11 a rede não teve nenhum avanço); apenas dois recuaram em bens duráveis. Na média nacional, houve crescimento ou estabilidade, dependendo do item”.(Casas têm mais TVs e menos rede de esgoto em 11 Estados do Brasil; Folha de 05/10/2013)

Mas porque as pessoas pobres têm mais acesso a mercadorias fornecidas pela lógica “selvagem” do mercado do que a direitos garantidos pelo Estado?

Um empresário trabalha e busca seu próprio lucro, isso é certo. Mas, para conseguir o maior lucro possível, ele precisa satisfazer o maior número de clientes possível pelo menor preço possível, e isso em um ambiente em que outros empresários querem a mesma coisa. Essa competição entre empresas faz com que elas forneçam produtos cada vez melhores por preços cada vez menores. Como resultado, a busca de lucro e a competição faz com que bens e serviços se tornem cada vez mais acessíveis àqueles que menos podem pagar por eles.

Como diz Mises: “O capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. As artes e os trabalhos manuais dos velhos tempos eram voltados quase que exclusivamente para os desejos dos abastados. E então surgiram as fábricas e começou-se a produzir bens baratos para a multidão. Todas as fábricas primitivas foram concebidas para servir às massas, a mesma camada social que trabalhava nas fábricas. Elas serviam às massas tanto de forma direta quanto indireta: de forma direta quando lhes supriam produtos diretamente, e de forma indireta quando exportavam seus produtos, o que possibilitava que bens e matérias-primas estrangeiros pudessem ser importados. Este princípio de distribuição e comercialização de mercadorias foi a característica inconfundível do capitalismo primitivo, assim como é do capitalismo moderno.

Os empregados são eles próprios os consumidores da maior parte de todos os bens produzidos em uma economia. Eles são os consumidores soberanos que "sempre têm razão". Sua decisão de consumir ou de se abster de consumir determina o que deve ser produzido, em qual quantidade, e com que qualidade. Ao consumirem aquilo que mais lhe convém, eles determinam quais empresas obtêm lucros e quais sofrem prejuízos. Aquelas que lucram expandem suas atividades e aquelas que sofrem prejuízos contraem suas atividades. Desta forma, as massas, na condição de consumidores no mercado, estão continuamente retirando o controle dos fatores de produção das mãos dos empreendedores menos capazes e transferindo-o para as mãos daqueles empreendedores que são mais bem sucedidos em satisfazer seus desejos.”

Já os governantes não precisam se preocupar com a satisfação do contribuinte, exceto em época de eleição, pois sua permanência no governo não depende de ele cumprir promessas de campanha. O financiamento do Estado não depende da satisfação das necessidades da população, pois impostos são tomados dela para sustentá-lo. Com a água e o esgota chegando ou não, o dinheiro entra no cofre estatal.

Uma empresa depende da satisfação de seus clientes para continuarem existindo; um Estado, não. Empresas precisam convencer seus clientes a lhe darem dinheiro; um Estado, não. Uma empresa pode perder um cliente se não oferecer seu produto com preço e qualidade que satisfaçam o cliente; um Estado, não. Empresários têm muitos motivos para satisfazerem as necessidades de seus clientes; governantes, não.

Por isso, quando os liberais defendem o livre mercado, eles não estão agindo em defesa de ricos e poderosos, mas das classes média e baixa, já que o mercado é a forma mais eficiente de acesso a serviços e produtos para a satisfação das necessidades das pessoas – incluindo o fornecimento estatal.






O Passe Livre e a conta que não se pode ver.


(publicado originalmente na page do EPL São Paulo)


O Movimento Passe Livre tem chamado novo protestos por todo o Brasil por conta do reajuste das tarifas do transporte público. A grande reivindicação do grupo é, como o nome diz, o “passe livre”, ou seja transporte público gratuito para todos, sem pagar passagem. “Catraca livre”, como dizem alguns.



Parece uma boa ideia, mas você já parou pra pensar no que isso significa pra você, contribuinte, pagador de impostos?



Peguemos o exemplo da cidade de São Paulo. Segundo dados do Portal São Paulo em Movimento, da Prefeitura de São Paulo, a receita tarifária mensal média entre novembro de 2013 e outubro de 2014, ou seja, a soma de todas as passagens de ônibus pagas na cidade dividida pelo número de meses, doze, dá R$ 377,2 milhões. Muito dinheiro. Multiplicando-se isso por doze, temos que, em um ano, a receita tarifária, foi de, aproximadamente, R$ 4.500.000. Sim, quatro bilhões e meio de reais.



Caso o “passe livre” tivesse sido implantado na cidade de São Paulo após os protestos de 2013, R$ 4.500.000 deixariam de ser pagos às empresas de ônibus, uma vez que as passagens deixariam de ser pagas. Obviamente, este dinheiro, que remunera os empresários, paga os salários de motoristas, cobradores, mecânicos e outros funcionários das viações e custeia a manutenção da frota de ônibus, teria de ser compensado de algum jeito. A prefeitura teria de bancar esse valor, ou seja, tirar R$ 4.500.000 dos cofres públicos para cobrir o dinheiro que deixou de entrar com as passagens.



Para conseguir fazer isso, a prefeitura poderia fazer duas coisas. A primeira é remanejar recursos, isto é, usar o dinheiro que seria empregado em outra coisa para pagar o dinheiro das passagens. Ela teria de atrasar uma obra ali, aumentar menos o salário de alguns funcionários, ou mesmo deixar de aumentar, deixar de reformar alguma escola ou dar manutenção em alguns equipamentos de postos de saúde e hospitais, por exemplo, para juntar quatro bilhões e meio de reais e dar ás empresas de ônibus e vans.



O que isso significaria para os cofres da prefeitura. Olhando-se a Lei Orçamentária Anual de 2014, que é a lei que diz o quanto de dinheiro vai entrar e o quanto vai sair dos cofres da cidade, vemos que R$ 4.5 bi significam aproximadamente 17% de todo o dinheiro pago pelos cidadãos em imposto, taxas e contribuições em 2014 (R$ 20,5 bi) e 9% de todo o dinheiro previsto para entrar na prefeitura (R$ 41,3 bi).



Pra entender o que isso significa, imagine que você ganha um salário mínimo, R$ 788. Imagine que você consiga se organizar e controlar seus gastos de modo que, com esse salário mínimo, você consiga pagar suas contas e sustentar sua casa. É difícil, mas imagina. Agora, imagina que, de repente, aparecesse uma conta de R$ 70 (que correspondem a 9% do salário mínimo). Você teria que comprar alguns produtos pra sua casa de uma marca mais barata, ou mesmo deixar de comprar alguns produtos. Pior, você atrasaria uma outra conta para pagar essa.



Mas o quê dá pra fazer com R$ 4,5 bi? Dá, por exemplo, pra comprar 1500 aparelhos de ressonância magnética de R$ 3.000.000,00. Dá pra comprar 5000 ônibus biarticulados de R$ 900.000,00. Dá pra fornecer o subsídio máximo de R$ 25.000,00 do “Minha Casa, Minha Vida” para 180 mil famílias e construir 30000 casas populares no valor de R$ 150.000,00. Dá pra pagar o salário base dos professores da rede municipal de R$ 3.000,00 por um ano para 125 mil professores. Dá pra construir 19 pontes estaiadas como a que atravessa a Marginal Pinheiros a um custo de R$ 230 milhões. Enfim, dá pra fazer muita coisa.



Não precisa explicar muito pra entender que usar os R$ 4,5 bi que estavam reservados para outros gastos para pagar o “passe livre” significaria que algumas obras seriam atrasadas ou mesmo deixariam de ser feitas, alguns serviços prestados pela prefeitura, como saúde, educação, teriam sua qualidade, que já não é grande coisa, prejudicada.



A segunda forma de a prefeitura conseguir pagar o “passe livre” é aumentando sua receita, ou seja, conseguindo que mais dinheiro entre nos seus cofres. A principal forma de a prefeitura conseguir dinheiro é com tributos, que são os impostos, taxas e contribuições que nós, moradores da cidade, pagamos. Para conseguir mais dinheiro, a prefeitura teria que aumentar impostos e taxas.



Os principais tributos pagos para prefeitura são o IPTU e o ISS.



O IPTU é o imposto que você paga por ser dono de um imóvel. Alguns podem achar que esse é um imposto que só rico paga, mas isso não é verdade. Muitas pessoas passam anos trabalhando duro para conseguir comprar sua casinha ou conseguir uma melhor para sua família, muitos deixam de aproveitar finais de semana, feriados, até férias, para construir sua própria casa. Além disso, o valor desse imposto é repassado para as pessoas que pagam aluguel, que normalmente não tem renda para conseguir um imóvel próprio.



A prefeitura pode aumentar o IPTU para pagar o “passe livre”, como já fez em 2014 para bancar os subsídios dos ônibus. Mas isso significaria um aumento nas contas dos proprietários de imóveis, inclusive aqueles que trabalham duro e controlam os gastos para conseguir pagar prestação e os que passaram anos trabalhando para conseguir comprar sua casa ou mesmo construí-la. Obviamente, esse aumento seria mais sentido pelos trabalhadores menos abastados do que pelas pessoas mais ricas, mesmo com o chamado IPTU progressivo. Além disso, haveria um aumento do imposto repassado para quem paga aluguel, o que, na prática, significaria aumento de aluguel. Também o aumento de IPTU de imóveis não residenciais, como lojas, restaurantes e outros comércios e prestadores de serviços, seria repassado para os consumidores, isso é, haveria aumento de preços. Obviamente, esse aumento pesaria mais sobre os pequenos comerciantes da periferia do que sobre as grandes e conhecidas lojas.



Já o ISS é o imposto que pessoas e empresas prestadoras de serviços pagam por prestar esses serviços. Em São Paulo, serviços prestados por autônomos e profissionais liberais não pagam ISS. Convênios e laboratórios de exames médicos, buffets de festas, o veterinário do seu bichinho, eletricista, encanador, escola particular, conserto de rádio e tv, o cineminha do fim de semana, a xerox autenticada no cartório, entre muitas outras coisas, são serviços prestados e pagam ISS, desde que não prestados por autônomos ou profissionais liberais. Assim, toda vez que você paga por uma dessas coisas, o preço do ISS está embutido. O valor do ISS é de, no mínimo, 3% do preço do serviço e, no máximo, 5%, dependendo do tipo de serviço. Assim, ao contratar um serviço que custa R$ 100, você vai pagar, no mínimo, R$102, e no máximo, R$ 105.



Para conseguir pagar o “passe livre”, a prefeitura pode aumentar o ISS dos serviços em que já não se paga 5% do preço de imposto. Obviamente, esse valor seria repassado pra que contrata esses serviços, ou seja, haveria aumento de preços.



Mas de quanto teria que ser esse aumento? Bem, como vimos, R$ 4,5 bi equivalem a 17% de todo o dinheiro que a prefeitura receberia com impostos, taxas e lucros. Assim, deve haver um aumento de 17% na arrecadação desses tributos, entre reajustes de contribuições taxas e impostos, sendo que o mais afetado seria o IPTU, trazendo todos os problemas já explicados para proprietários, locadores, comerciantes e consumidores.



Há ainda uma terceira coisa que a prefeitura pode fazer: criar uma dívida de R$ 4,5 bi. Mas não precisa explicar porque isso seria ruim, né?



Resumindo, como disse o economista norte-americano Milton Friedman, não existe almoço grátis. No nosso caso, não existe ônibus grátis. “Passe Livre” parece uma solução simples e fácil, mas como disse o economista francês Frederic Bastiat, é preciso estar atento não apenas para os efeitos de uma medida que se podem ver imediatamente, mas também para aqueles que não se veem logo e que poderão causar muita dor de cabeça no futuro. Uma solução simples pode esconder um grande problema. No caso, um problema de R$ 4,5 bi.









LIBERDADE E DEMOCRACIA DECAEM NO MUNDO, SEGUNDO RELATÓRIO DA FREEDOM HOUSE



LIBERDADE E DEMOCRACIA DECAEM NO MUNDO, SEGUNDO RELATÓRIO DA FREEDOM HOUSE
"Pelo nono ano consecutivo, o relatório anual da Freedom House "Liberdade no Mundo" ("Freedom in the World"), sobre as condição global dos direitos políticos e das liberdades civis, mostra um declínio global. De fato, a aceitação da democracia como a forma de governo dominante no mundo - e de um sistema internacional construído sobre ideais democráticos - está sob maior ameaça do que já esteve nos últimos 25 anos".
Assim inicia o relatório da Freedom's House de 2015, mostrando a situação mais que preocupante da democracia e da liberdade no mundo. Segundo o documento, 89 países do mundo são livres, 55 são parcialmente livres e 51não são livres. Em termos populacionais, 2,8 bilhões de pessoas (40% da população mundial) vivem em países livres, 1,7 bilhão de pessoas (24%), em países parcialmente livres e 2,6 bilhões de pessoas (36%) vivem em países não livres, o que significa que mais da metade da população mundial não goza de liberdade política e/ou civil em níveis minimamente satisfatórios.
61 países tiveram declínio nos seus índices de liberdade, enquanto apenas 33 tiveram aumento nesse índice. O relatório se mostra especialmente preocupado com o declínio da liberdade na Rússia, Venezuela, Egito, Turquia, Tailândia, Nigéria, Quênia, Azerbaijão e Hungria. O único destaque positivo em termos de ganho de liberdades é a Tunísia. A metodologia da medição é baseada na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Doze países e territórios tiveram os índices mais altos de ausência de direitos políticos e liberdades civis (7 em cada quesito): República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Eritreia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Síria, Turcomenistão, Usbekistão, Tibete e Saara Ocidental. 10 países e territórios tiveram índice 7 de falta de direitos políticos e 6 de falta de liberdades civis: Bahren, Bielorrússia, Chade, China, Cuba, Laos, Sudão do Sul, Crimeia, Faixa de Gaza e Ossétia do Sul.
Na América do Sul, 5 países são tidos como parcialmente livres: Colômbia, Venezuela, Paraguai, Bolívia e Equador. No contexto da América Latina, o relatório também destaca o declinio na liberdade no México, país parcialmente livre, onde houve, ano passado, o desaparecimento de 43 estudantes na cidade de Iguala. Cuba é classificada como um país não livre.
O Brasil é classificado como país livre, alcançando índice 2 de liberdades civis e direitos políticos, índice que vem sendo mantido desde 2006, sendo que o melhor índice é 1. É um bom resultado diante do cenário global, mas também significa que ainda temos em que melhorar em termos de liberdades para alcançar o melhor índice, ainda mais se percebermos que o nosso índice está estagnado há quase dez anos. Além disso, o relatório lembra que o Brasil foi silenciosamente tolerante com as repressões violentas do governo Maduro, na Venezuela.
Como bem lembra o relatório, "práticas antidemocráticas levam à guerra civil e a crises humanitárias. Elas facilitam o crescimento de movimentos terroristas, cujos efeitos inevitavelmente se espalham para além das fronteiras nacionais. Corrupção e governança fraca alimentam instabilidade econômica".
O link do relatório vai abaixo.

Humor ou Barbárie.

As notícias sobre o massacre de Charlie Hebdo, logo pela manhã, me deixaram atordoado. Imediatamente, me vieram à mente as palavras do filósofo romeno Andrei Plesu, no seu texto Tolerância e o intolerável: crise de um conceito, que está no livro Da Alegria no Leste Europeu e na Europa Ocidental e outros ensaios:

(...) Uma fonte muito consistente de tolerância, insuficientemente levada em conta, é o humor. Assistires ao espetáculo do mundo sem exasperação, saberes alegrar-te com o fascínio multicolorido do real, teres capacidade de distinguir as coisas (poucas em número) que devem ser levadas a sério, das que (muito numerosas) não devem ser levadas a sério, e, principalmente, não te levares muito a sério, com tuas opiniões pomposas, com as certezas feitas prontamente, com tuas exigências mais ou menos hipócritas - eis uma motivação muito fundamentada do espírito de tolerância.

De fato, quando não se sabe mais que uma piada, mesmo com todo o fundo crítico e/ou preconceituoso que possa ter, não é mais que uma piada, que, no máximo, merece a crítica de volta, preferencialmente bem humorada, quando essa resposta é o amordaçamento, na base da bala ou da canetada, é bem mais que a piada que está em jogo. O que se tem são pessoas e grupos que se levam tão a sério que não sabem brincar, pois se veem acima de qualquer crítica, como se todos devessem reverência a eles.
Os cartunistas do Charlie Hebdo não davam a mínima pra isso, eram irreverentes, irresponsáveis, como diz em algumas capas, não perdoando ninguém, políticos, religiosos, celebridades, ninguém. Passavam do ponto, às vezes? Eu diria que sim, alguns diriam que não, mas isso pouco importa. Sempre se poderia respondê-los, criticá-los, até mesmo ridicularizá-los, digamos que poderiam mesmo acioná-los no judiciário - nunca feri-los, nunca matá-los. Quando não se suporta o humor, se cai na barbárie.
O que deve nos deixar alertas. Muitos tem apontado o dedo para os muçulmanos, acusando sua religião, mas, mesmo tendo em vista a minoria extremista, o fato é que o quadro não é bom para o humor de uma forma geral, no mundo todo. O mundo está mal humorado.
Seis pessoas foram presas no Irã por dançarem "Happy", do Pharell; Chris Rock deixou de se apresentar para estudantes porque eles se sentem ofendidos com tudo; hackers quase impediram o lançamento de um filme que zoava o chefe da Coreia do Norte.
Aqui no Brasil o quadro também não é tão animador: Gustavo Mendes, imitador da presidente Dilma, foi agredido em uma apresentação; o Porta dos Fundos teve um vídeo retirado do ar (liberado depois) por criticar Garotinho; o mesmo grupo foi processado por Marcos Feliciano por conta de um especial de Natal; Gregório Duvivier foi hostilizado em um restaurante; Danilo Gentilli teve que retirar da internet um vídeo em que fazia piada com uma doadora de leite.
Todos os casos acima são recentes e foram lembrados por mim de improviso, sem pesquisa maior. Se eu pesquisar, certamente vem mais coisa.
Se comparam os casos acima com o massacre de Paris? Obviamente, não; é preciso ter senso de proporção e, sobretudo, respeito com a vida e com os mortos. Agora, uma coisa é certa: o mundo está cada vez mais mal humorado - e, como lembram os atiradores de Charlie Hebdo, isso é um perigo pra cultura de tolerância.

O jurisdicionado entre os juízes e os deuses.



O jurisdicionado entre os juízes e os deuses.



Apareceu na minha timeline notícia de um juiz federal que obrigou um Testemunha de Jeová a fazer uma transfusão de sangue, mesmo sendo isso contrário ao seus princípios religiosos. Não sou Testemunha de Jeová, discordo bastante deles, na verdade; tampouco sou contra transfusões de sangue, sou um doador até que frequente. Mas não consegui deixar de ficar perplexo com o que considero uma tremenda violência autoritária e totalitária.

Violência, física e psíquica. Violência física, porque introduz no corpo do paciente substância (sangue alheio) que ele não consentiu em receber; violência psíquica, porque fere os princípios mais básicos e valiosos do paciente, trazendo-lhe uma ferida psicológica, um dano moral de medição difícil.

Autoritária, pois, sob o pretexto de proteger a vida do paciente - e livrar o Estado de futuros infortúnios jurídicos, se impôs sobre o paciente uma decisão contrária à sua manifesta vontade, submetendo a autonomia do indivíduo de decidir sobre seu próprio corpo e sua vida ao arbítrio estatal (à Razão de Estado?).

Totalitária, porque se imiscui o Estado nas esferas mais íntimas da vida humana, quais sejam, a consciência moral e religiosa e a autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida.

Tal violência manifesta a cegueira, escondida sob o manto da laicidade do Estado, de uma cosmovisão naturalista-materialista, que, com o pretexto de afastar a religião das decisões na esfera pública, esmaga a esfera das decisões individuais dos indivíduos, reduzindo a liberdade religiosa a uma mera permissão de crença, restrita ao espaço privado, sem expressão externa possível.

Tal cegueira faz com que não se veja, nos fatos mais triviais da vida cotidiana, o significado sagrado que aquele ato tem para o crente. Não percebendo esse sentido mais transcendente da ação humana, óbvio e fundamental para a pessoa religiosa, esse é esmagado pela decisão imposta.

Assim, não conseguiu ver o juiz (e o médico) que, o que para ele era mero procedimento cirúrgico-terapêutico, para o Testemunha de Jeová era um pecado grave, uma abominação, com consequências morais, religiosas e sociais (como será recebido o paciente entre os seus irmãos de fé?); ao escolher a vida em prejuízo da liberdade, não se viu o que era a “boa vida” (nem a “boa morte”) para aquele sobre quem a decisão incidia; decidiu o juiz salvar uma vida, sem perceber que tipos de condenações (temporais e eternas) poderiam derivar de sua decisão.

Não há que se falar em deixar de lado as “superstições” nessas horas e passar por cima das convicções religiosas para se atentar aos “fatos reais” e submeter-se ao “conhecimento científico”. Não goza o membro do Poder Público (não só do Judiciário, aliás) de posição epistemológica privilegiada para simplesmente afastar valores e crenças daqueles que sofrerão as consequências de suas ações. A investidura do cargo não dá a ninguém saberes amplos sobre “esse mundo” e o “outro”, nem poderes “acima do bem e do mal”. Porque a condição humana é de ignorância quanto ao transcendente, restando-lhe apenas a crença, e porque, como relembrado exaustivamente nos últimos dias, juízes não são deuses, cabe a estes (não os deuses, os juízes...) respeitarem a crença dos jurisdicionados que suportam suas decisões.

Há dez anos, o filósofo alemão Jürgen Habermas e o teólogo também alemão Joseph Ratzinger, que viria a ser, mais tarde, o Papa Bento XVI, se encontravam na Academia Católica de Baviera, em Munique, na Alemanha, para um debate sobre essa relação complicada entre religião e razão no Estado Democrático de Direito (o debate virou um livro: “Dialética da Secularização: sobre Razão e Religião”). A despeito da importância do debate no cenário atual e do gabarito dos debatedores, a discussão é quase que totalmente negligenciada em terras brasileiras; pior, dá-se o assunto por encerrado, ostentando-se, no complexo séc. XXI, pós 11 de Setembro, as soluções (que falharam) de um superado pseudo-iluminismo (veja-se a sintomática decisão do STF no caso das células-tronco embrionárias, de 2008 [ADI 3510, especialmente o voto do Ministro Celso de Mello]). Embora de se lamentar, não é de se estranhar ver essa lógica nas decisões dos juízes.

“Há mais coisas no céu e terra (...) do que foram sonhadas na sua filosofia”, nos lembra Hamlet; em uma época, entretanto, em que as ideologias, sempre simplificadoras e esquematizadas, como nos adverte Ricoeur, ocupam o lugar de qualquer esforço filosófico (e a formação descamba, cada vez mais, para a mera aprendizagem técnica, quando não para a doutrinação, daí pensar que o assunto seja relevante para os colegas do “Páteo”), não há sequer o esforço de se pensar o que há fora delas. Reduzido o Outro a seu papel no esquema, é impossível entende-lo de verdade, em toda a sua complexidade. Cegueira.



7 Características do Ministério de Música - Ron Man


7 Características do Ministério de Música

Ron Man





(nota: Tradução de um texto do The Gospel Coalition [link no fim do texto] que fiz para estudo de grupo de louvor.)



“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;
Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;
Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” Efésios 5:18-20

Diferentemente do Velho Testamento, há poucas coisas (mas preciosas) no Novo Testamento sobre o ministério musical para o louvor corporativo; mas Efésios 5:18-20 (com Colossenses 3:16) nos dá um fundamento útil. Nesta passagem nós vemos ao menos 7 aspectos que deveriam caracterizar nosso ministério de música.



1. Um ministério cheio do Espírito

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito, . . “

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.” Filipenses 3:3

Pra além dos debates sobre o que seja se encher do Espírito intrigante aqui é que o primeiro resultado mencionado por Paulo de se encher do Espírito seja cantar!

2. Um ministério recíproco

” . . . falando entre vós. . . “

Há um importante aspecto horizontal do nosso ministério musical para o louvor corporativo é algo que fazemos juntos. Louvor privado e pessoal é uma parte importante do nosso andar com Deus; mas no ajuntamento da igreja precisamos estar focados no “uns aos outros” tanto quanto em Deus. Isso nos sugere um importante corretivo pra muitos de nossos conflitos no louvor: louvor congregacional prove benefício mútuo, ao invés de benefício individual, primeiramente; assim, a atitude onipresente de “o que é pra mim nessa música?” ou “o que eu ganho com ela?” com a qual muitos abordam o louvor corporativo mostra uma grave falta de entendimento sobre o porquê de nos reunirmos. Nós ministramos uns aos outros e encorajamos uns aos outros e fortalecemos uns aos outros enquanto cantamos.



3. Um ministério diversificado

” . . . em salmos, e hinos, e cânticos espirituais. . .”

O significado exato dessas três categorias de canções em sido muito discutido pelos últimos dois mil anos, sem uma conclusão inequívoca. Entretanto, é certo que Paulo está dizendo que devemos usar diferentes tipos de música em nosso louvor corporativo. Vamos aproveitar das riquezas musicais além das fronteiras estilísticas, geracionais e nacionais.



4. Um ministério focado em Deus

” . . . cantando e salmodiando ao Senhor. . .”

Com certeza, nossa canção é direcionada para Aquele que é o único digno de nosso louvor. Não cantamos para nosso próprio prazer ou benefício (ainda que isso seja um positive efeito colateral), mas em Sua oferta e para Seu prazer e glória.



5. Um ministério interno

” . . . no vosso coração. . .”

“Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” 1 Samuel 16:7

Temos de fazer melodia com o coração antes que ela chegue aos nossos lábios. Pois louvor, para ser para glória e prazer de Deus, deve ser a expressão de um coração devotado. Tanto o antigo quanto o Novo Testamento deixam claro que Deus está mais preocupado com a atitude interna do louvor do que com a forma externa. Por isso nossa canção deve vir de dentro.



6. Um ministério responsivo

” . . Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai. . .”

“Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza.” Salmos 150:2

Nós só temos uma canção pra cantar por causa da iniciativa de Deus de se revelar a Si mesmo para nós e se mostrar a nós poderoso em Seus atos salvadores em nosso favor. Todo louvor é uma resposta à graciosa auto-revelação de Deus.



7. Um ministério empoderado por Cristo

” . . .em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.”

“Dizendo: Anunciarei (eu, Cristo) o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores (ao Pai) no meio da congregação.” Hebreus 2:12

Nossas músicas agradam a Deus porque Ele veio e, através do nosso Sumo Sacerdote, sua canção se sobrepõe e aperfeiçoa a nossa. Orar e louvar em nome de Jesus é bem mais que colocar Seu nome no final pra dar um efeito máximo; ao invés disso, é saber que somente nEle e por Ele, por meio de Seu sacerdócio e revestidos de Sua justiça, podemos nos aproximar de Deus.



Fonte: http://www.thegospelcoalition.org/blogs/tgcworship/2014/01/27/7-characteristics-of-the-ministry-of-song/







Da Morte No Avião.


[post antigo, republicado]



“(…) a poesia é mais filosófica e de caráter mais elevado que a história, porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular.”


(Aristóteles,
Poética,IX,3)


Essa frase me veio à cabeça nesses dias, devido aos acidentes de avião ocorridos aqui e nos EUA. As notícias, na TV ou na imprensa escrita, por mais que nos comovam, nunca nos tocam profundamente, nunca nos coloca na pele dos que tiveram sua vida interrompida. O discurso jornalístico, algo como a História do presente, sempre nos apresenta algo alheio, particular aos acidentados, algo que aconteceu de fato com eles.


O discurso poético, diferentemente, trata do universal, nos apresenta algo que poderia, que pode acontecer com qualquer um, pode acontecer conosco. E por isso, nos toca mais profundamente.


Por issso, se você quer entender de verdade esses acidentes, deixa as notícias um pouco de lado e lê
Morte no Avião, de Drummond, em A Rosa do Povo:





(…)


Ó brancura, serenidade sob a violência
da morte sem aviso prévio,
cautelosa, não obstante irreprimível aproximação de um perigo atmosférico
golpe vibrado no ar, lâmina de vento
no pescoço, raio
choque estrondo fulguração
rolamos pulverizados
caio verticalmente e me transformo em notícia.

O ESTADO DE EXCEÇÃO POLICIAL E A CONTRADIÇÃO LIBERAL.






O ESTADO DE EXCEÇÃO POLICIAL E A CONTRADIÇÃO LIBERAL.




O Estado policial que se ensaiava desde as repressões das manifestações de junho do ano passado tem se mostrado francamente nesses últimos dias, talvez como um dos grandes legados da Copa do Mundo. Quem tem acompanhado o noticiário nesses últimos dias não tem ignorado o que tem acontecido, mas o “Manifesto de Juristas contra a Criminalização das Lutas Sociais” (http://outraspalavras.net/blog/2014/07/20/juristas-reagem-a-criminalizacao-das-lutas-sociais/) , encabeçado por Fábio Konder Comparato, resume bem as irregularidades:




“Como já foi amplamente divulgado, são várias as ilegalidades percebidas nesse inquérito: 1) orientado por um explícito e inconstitucional direito penal do autor, ele é conduzido a partir de um rol de perguntas sobre a vida política das pessoas intimadas e chegou-se ao absurdo de proceder à busca e apreensão de livros na casa de alguns “investigados”; 2) no decreto de instauração, está expresso o objetivo ilegal de investigar “indivíduos (que) atuam de forma organizada com o objetivo de questionar o sistema vigente”, sem a indicação de qualquer fato específico que constitua crime; 3) a ampla maioria das pessoas intimadas para “prestar esclarecimentos” foi presa ilegalmente, sem flagrante ou qualquer acusação formal de prática de crime; 4) há infiltração de agentes em manifestações, determinada a partir do inquérito e sem autorização judicial.”









Eu não quero, nesse texto, comentar notícias já conhecidas. Pretendo chamar a atenção para uma contradição dentro do movimento liberal (no sentido mais amplo possível da palavra liberal), qual seja, ver liberdades e direitos fundamentais de indivíduos serem violadas – e assistir a isso passivamente.




Sim, porque essas pessoas presas sem provas estão sendo violadas em suas mais básicas liberdades, de pensamento, de expressão e de reunião, além de serem privadas do devido processo legal (http://www.conjur.com.br/2014-jul-22/policia-nega-acesso-inquerito-vaza-grampos-acusa-advogado?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook),tudo isso garantido em Constituição.




Apesar disso, o movimento liberal assiste a tudo isso com um silêncio vergonhoso. Pior, certos setores mais conservadores (liberais?) goza certo prazer na injustiça dos “esquerdopatas”, “petralhas”, “comunas”. Silenciar-se ou apoiar a perseguição, entretanto, fere de morte as convicções liberais mais fundamentais.




Sim, porque não se trata de convicções políticas, de disputas de idéias, mas de perseguições de indivíduos, irredutíveis às suas crenças políticas e inalienáveis de seus direitos fundamentais, trata-se da violação desses direitos. Trata-se, sobretudo, de conivência cúmplice com o Estado, que se utiliza da força policial – que de resto, está mais a serviço do próprio Estado que da população – para restringir liberdades de indivíduos e lança mão de uma máquina de justiça totalmente viciada para cercear defesas e condenar conforme suas conveniências (http://blogs.estadao.com.br/sp-no-diva/as-policias-nao-erram-mais-apenas-nas-periferias-e-a-deixa-para-mudarmos/) . Trata-se de legitimar um Estado de exceção, policial, sem pudor de se impor violentamente sobre qualquer oposição. Um Estado que, inclusive, pode vir a voltar sua violência sobre quem hoje o legitima. A história é pródiga em exemplos disso.




“Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la.” Esse velho adágio, de autoria incerta, ainda é um belo resumo da convicção liberal de que a liberdade de expressão é inviolável; não se pode negá-lo sem comprometer todo o liberalismo, pois, como bem ensinou Hayek, a liberdade é indivisível.




Pouco importa quais sejam as idéias políticas que essas pessoas defendam, se é passe livre, mais interferência do Estado na economia, educação, pouco importa que seja a defesa aberta do socialismo. Tanto faz. Não se trata de lutar por idéias políticas, mas de defender a inviolabilidade do indivíduo e de suas liberdades mais fundamentais, seu direito de se opor ao Estado e de não ser perseguido por isso. Se os liberais não puderem tomar essa luta para si, se nós não pudermos, mais do que ninguém, defendermos a inviolabilidade do indivíduo, ninguém mais poderá fazê-lo.

TODOS os Direitos Humanos para TODOS os Humanos.


TODOS os Direitos Humanos para TODOS os Humanos.

 

Ah, os Direitos Humanos. Eu gosto deles, mesmo. Afinal, eu também sou um ser humano, embora às vezes pode não parecer. Eu juro que sou.

Não sou da turma dos “Direitos Humanos para humanos direitos”: estou certo de que sou “de direita”, seja lá o que isso quer dizer; direito, nem tanto. Além disso, a apreciação de quem é direito é subjetiva demais para ser base de direitos, maleável a todo tipo de canalhice. A história está cheia de lições sobre o que acontece quando se divide os seres humanos em duas classes, uma de “humanos direitos”, com todos os direitos e a outra, de gente de segunda classe, sem direitos.

Não posso concordar, entretanto, com o uso torto que a esquerda faz desses direitos, instrumentalizando-os para tirar proveitos políticos. Sim, pois quase não é possível fazer uma mera oposição opinativa sem correr o risco de ser levado ao Tribunal de Haia por alguma ONG ou um parlamentar mais sensível às opiniões diversas da sua, mesmo quando são eles que violam os direitos humanos.

Exagero, mas só um pouco. Senão, vejamos.

O texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, de 1948, é um belíssimo texto, sem dúvida. Composto de preâmbulo e trinta artigos, o texto tem por objetivo que “cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades.” Vale a pena a leitura do texto, que é curto, principalmente para perceber que esse objetivo não pode ser alcançado selecionando-se quais artigos devem ser promovidos e quais devem ser esquecidos, uma vez que o texto é um todo que leva em conta a dignidade humana como um todo, sendo que a preferência por um artigo em detrimento de outros põe em perigo a dignidade humana como um todo.

Pois é exatamente isso que a esquerda faz, um desmantelamento do texto, como que  “revogando” alguns artigos

O artigo 3º, por exemplo, diz que “todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” Quer ver chilique de esquerdistas, põe o povo pra reclamar da insegurança das cidades, de não se sentirem livres para andar em determinado local o horário ou pra usar determinado tipo de roupa ou qualquer outro tipo de coisa, do alto número de homicídios. Qualquer manifestação no sentido que quere garantias de vida, liberdade e segurança pessoal é logo visto como “conservadorismo”. Se o clamor vier da classe média, então, esquece. Classe média não é exatamente ser humano, é uma “aberração política, ética e cognitiva,” como disse a guru da militância, Marilena Chauí, embora eu ainda esteja me esforçando pra entender que classe média é essa que ela diz que desfila de Mercedes-Bens...

Isso para não falar da polícia. Não se vê a esquerda fazer qualquer tipo de censura aos ataques mais ou menos sistemáticos que policiais sofrem por parte de organizações criminosas. Existe um abismo entre repudiar a violência policial e aceitar que trabalhadores sejam mortos simplesmente por sua profissão. Parece que, para alguns, PM bom é PM morto.

Também tem o artigo 12:

“Ninguém será sujeito à interferências em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.”

Ora, o Estado diz que tipos de substâncias eu posso usar, que tipo de automóvel eu posso dirigir (e cobra licença para que eu possa dirigi-lo), que tipo de comida eu posso comer (você sabia que estabelecimentos comerciais não podem vender ovo com gema mole?), como eu devo contratar (a liberdade contratual é cada vez menor), como minha profissão deve ser exercida (vide OAB, mas não só, você não pode dublar desenhos animados para crianças de 5 anos de você não for ator  “de carteirinha”), etc. E nem tente ir ao tribunal querer garantias contra esses arbitrariedades, é perda de tempo. Nenhuma ONG vai fazer passeata por você.

O artigo 13 nós, brasileiros, temos respeitado bem, sou obrigado a reconhecer. Mas quando é para reconhecer aos cubanos o direito de “deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar”, garantido no §2 desse artigo, a coisa já é bem diferente. Nem falemos do silêncio sepulcral sobre as violações desse artigo na China e na Coreia do Norte. De todos, diga-se de passagem. Ao invés de ataques, esses regimes merecem loas, como o recente artigo de Tarso Genro elogiando o regime chinês (“Uma perspectiva de esquerda para o Quinto Lugar” facilmente encontrado na internet) e a nota de apoio do PC do B ao regime norte-coreano não tem muito tempo. Para uma boa parte da esquerda, chineses e norte-coreanos, assim como a classe média, é ser humano de segunda classe, se muito.

Vejamos o artigo 14:

“1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.”

O primeiro parágrafo foi violado pelo governo petista quando negou asilo a Edward Snowden – antes mesmo de qualquer pedido; o segundo, quando concedeu asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti, condenado por quatro homicídios em seu país. Esse ato do governo teve todo o apoio da esquerda; aquele, nenhum repúdio.

Diz o artigo 15, parágrafo primeiro, que “Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade.” Não é difícil encontrar, entretanto, gente que negue esse direito aos judeus com seu anti-sionismo (e não só entre as fileiras da esquerda, sejamos sinceros, antissemita é erva daninha que dá em qualquer canto). Esquecem-se mesmo do contexto em que o texto foi declarado, sob o recente trauma do Holocausto nazista e dos terrores da Segunda Guerra Mundial. Não à toa, a Declaração foi adotada no mesmo ano da criação do Estado de Israel.

E o que falar do artigo 17, esse excrecência que não sabemos como ainda não foi expurgada da declaração?

“1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.”

É claro que, se esse direito fosse respeitado, todos os expropriados da Copa do Mundo e de outras obras faraônicas ainda estariam em suas casas, a menos que quisessem negociar suas propriedades. Mas a gente não tem muito o costume de atribuir também ao trabalhador comum o direito de propriedade. Afinal, se ele é explorado a um salário de fome, como é que ele vai conseguir ter casa própria? Mas direito de propriedade é tudo que os pobres precisam para se manter a salvo dos desmandos do poder econômico dos outros, como Diogo Costa mostra em seu belo texto,” Contra a iniciativa privada dos ricos que é contra a propriedade privada dos pobres” ( http://goo.gl/lfswhW ):

“Políticos prometem cestas e bolsas para os pobres; prometeram "auxílio-produção" aos desapropriados. Mas negam aos pobres exatamente aquilo que pode fazer com que eles não dependam mais de cestas nem de bolsas: o direito de serem donos das suas coisas. Em vez disso, os pobres permanecem dependentes de favores na época de eleições, de decisões políticas tomadas em gabinetes fechados, da boa vontade do judiciário e de deliberações intermináveis travadas em conselhos comunitários.”

 Vamos ao artigo 18:

” Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.”

Tenta-se, a todo custo, anular esses artigo. Segundo a “Open Doors International’s 2014 World Watch List”, entre outubro de 2012 e 2013, 2123 cristãos foram mortos no mundo todo por causa da sua fé sob o silêncio da opinião pública e da comunidade internacional (http://goo.gl/IAVYfY). Na França – não no Iraque ou na Síria, na França, se você tentar manifestar sua fé (qualquer fé) na esquina ou em praça pública você pode ser preso por crime de seita. Aqui, tenta-se criminalizar os dogmas da fé cristã como machistas, homofóbicos, racistas. Tenta-se limitar a liberdade de manifestação de crença ou religião ao exercício privado, quase exclusivamente caseiro, da devoção. Até mesmo o sacrifício de animais por religiões que o fazem tenta ser impedido. Afinal, animais também são humanos; religiosos, nem tanto.

Isso não é à toa. Como bem demonstrou Lew Rockwell e Ron Paul, os líderes políticos, em geral, e os da esquerda, em particular, assim como seus asseclas, todos esses odeiam a religião porque ela disputa com eles a lealdade das pessoas, suas mentes e corações (“Igreja, estado e políticos - o estatismo quer ser a nova religião oficial”, em http://goo.gl/sU1t45). Afinal, uma consciência moral individual que se  examina seus atos diante de Deus segundos princípios objetivos e tidos por absolutos jamais adotará a moral teleológica revolucionária de Trotsky em “A moral deles e a nossa” (título que a juventude do PSTU resolver alterar para “Moral e Revolução” em sua tradução, disponível em http://goo.gl/qtwur1 , sabe-se lá porquê), submetida a programa de partido, cauterizada de todo “moralismo burguês”, todo julgamento individual.

E o artigo 19?

“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.”

Quanto não são ofendidos, perseguidos, processados e condenados, moralmente linchados por mero “crime de opinião”? Quantos não foram a judiciário por causa de piadas? Quantos já não se mobilizaram para conseguir a demissão de por exemplo, Reinaldo Azevedo e Rachel Sheherazade? Quantos até já não exigiram essas demissões, com o dedo em riste, certos de que sua superioridade moral está acima de qualquer direito? O que não é tudo isso senão querer silenciar pessoas? E o silêncio cúmplice quanto às censuras em Cuba, na China e Coreia do Norte? E o apoio do PT, partido governista, por meio de nota (http://goo.gl/coIjZP), à repressão aos protestos dos estudantes contra governo Maduro na Venezuela, considerados “fatos e ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática na Venezuela”?

Se temos sido razoavelmente diligentes com o primeiro parágrafo do artigo 20, que diz que “todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica”, o parágrafo 2º, “Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação”, já não goza do mesmo cuidado. Ninguém pode advogar sem ser membro da OAB, o que equivale a uma associação compulsória. O mesmo vale para outras profissões. A obrigatoriedade de se obedecer aos acordos sindicais também não deixa de ser uma associação compulsória, assim como o imposto sindical obrigatório, já que tratam todo indivíduo trabalhador como membro de sindicato. De resto, fica a provocação: a filiação automática de todos os estudantes aos XI de Agosto viola direitos humanos ???

O artigo 26 diz que “os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.” Só tem um problema: não há “gêneros de instrução” a serem escolhidos pelos pais. O MEC dita os parâmetros e uniformiza os currículos escolares de todas as escolas do país, obriga a matrícula a partir dos 4 anos (4 anos!), proíbe o ensino por tutoria e o homeschooling. Que escolha há senão entre a escola cara que passa direitinho o programa do governo e a escola pública que mal ensina a ler e a escrever? De que vale a variedade de métodos quando todo o conteúdo é padronizado?

Na verdade, está relacionado diretamente com duas coisas. A primeira é a confusão entre educação e ensino formal. Como bem ensina Murray Rothbard, em “Educação: Livre e Obrigatória”, disponível em http://goo.gl/RyLZZW :

“Todo este processo do crescimento, de desenvolver todas as facetas da personalidade do homem, é sua educação. É óbvio que uma pessoa adquire sua educação em todas as atividades de sua infância; todas as horas em que está acordada são gastas no  aprendizado de uma forma ou de outra. É claramente absurdo limitar o termo “educação” para um tipo de escolaridade formal. A criança está aprendendo a todo instante. Aprende e forma ideias sobre outras pessoas, seus desejos, e ações para alcançá-los; sobre o mundo e as leis naturais que o governam; e sobre seus próprios fins, e como alcançá-los. Formula ideias sobre a natureza do homem, e quais fins (seus e dos outros) devem estar em acordo com esta natureza. Este é um processo contínuo, e é óbvio que o ensino formal constitui apenas um item neste processo.”

Ao trancarmos crianças o dia inteiro na escola, não estamos dando a elas uma educação melhor, pelo contrário, estamos lhes dando uma educação incompleta, limitada, que reduz o desenvolvimento humano à aprendizagem de álgebra e gramática. Ensino integral, se implicar alienação da família e da comunidade do processo educacional, é educação pela metade, e isso é um crime.

O segundo problema é achar que a educação serve não para dar à criança os meios de desenvolver todas as suas potencialidades individuais únicas, físicas, intelectuais e morais, com vistas a torna-la um adulto pleno e independente, responsável por si e por seus atos, mas para ensiná-la como contribuir com o todo social, como submeter sua vida a projetos políticos, econômicos e sociais que, pretensamente, visam o bem do “todo”, seja esse todo o partido, a pátria, a América Latina, a comunidade internacional ou o planeta enquanto entidade ecológica, destruindo personalidades individuais com um rolo compressor de padronização doutrinária que faz de multiformes potencialidades uma achatada figura de “bom cidadão” de repúblicas platônicas. Isso não é educação, é doutrinação. Nesse quesito, mais uma vez vale a pena atentar para Rothbard:

“É evidente que o comum entusiasmo pela igualdade é, num sentido fundamental, anti-humano. Tende a reprimir o desenvolvimento da personalidade e diversidade individual, e da civilização; é um impulso para a uniformidade selvagem. Visto que habilidades e interesses são naturalmente diversos, um impulso para tornar as pessoas iguais em todos ou quase todos os aspectos é necessariamente um nivelamento por baixo. É um impulso contra o desenvolvimento do talento, gênio, variedade e poder de raciocínio. Visto que nega os princípios fundamentais da vida humana e crescimento humano, o credo da igualdade e uniformidade é um credo de morte e destruição.”

Mas o melhor ficou para o final, ou melhor, para o começo. Diz o artigo 1º:

“Todas os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”

Esse espírito de fraternidade, apoiado na razão e consciência que cada indivíduo tem e que confere dignidade a cada um, dignidade essa que cada um livre e igual por natureza, é um antídoto para políticas paternalistas, que julgam governantes seres iluminados, acima dos governados, estes vistos como seres incapazes de vencer na vida por si por próprios e de decidirem o que é melhor pra suas vidas, enfim, incapazes de serem livres para serem eles próprios por si mesmos, seres diferentes, humanos de segunda classe. Todo “pai dos pobres” se julga acima deles e capaz de guiar suas vidas. Não dá pra ser pai e irmão ao mesmo tempo, não dá pra se achar acima e no mesmo nível ao mesmo tempo. Cada governante que despreza a razão e a consciência individual de seus governados é um grande violador dos direitos humanos.

Ainda sobre esse artigo, o que falar sobre a patrulha ideológica, que reduz todos a estereótipos ideológicos dos quais ninguém pode fugir sem ser caçado. Para os patrulheiros, não existe indivíduo, dotado de razão e consciência, como o artigo fala: existe operário, burguês, estudante, mulher, LGBT, hétero, homem, negro, branco, índio, entre outros papéis sociais muito bem definidos pelas suas teorias, sendo que aqueles que as contrariam causam verdadeira fobia nos vigilantes da moral esquerdista. Isso explica porque todo trabalhador que desgosta da ação dos sindicatos e dos “partidos dos trabalhadores” (PT, PSOL, PSTU, etc) é tido por alienado. Isso explica porque, um dia desses, apareceu na timeline do meu Facebook alguém reclamando que um tal “feminismo liberal” estava tumultuando as discussões de um grupo feminista. Isso explica porque um estudante negro diz que acha bizarro um outro estudante negro não apoiar cotas para negros (isso ocorreu em um debate na Sala dos Estudantes do Largo de São Francisco, http://goo.gl/sDS1Af ). Isso explica porque qualquer pensamento mais a favor da economia de mercado é tido como fascista – mesmo o fascismo tendo sido antiliberal. Isso explica porque todo crítico do bolivarianismo venezuelano é tido como imperialista, seja lá o que isso quer dizer. Isso explica porque toda essa caçada à Rachel Sheherazade, afinal, é inadmissível uma mulher nordestina pensar como um “homem-branco-heterossexual-burguês.” Isso trai a teoria, e não há nada pior que uma realidade que trai a teoria.

Esses são artigos geralmente esquecidos pelos “ativistas” dos direitos humanos, que enchem a boca pra usar-se da expressão quando lhes interessa. Não me esqueci dos outros, nem me oponho a eles, não os mencionei porque estes já tem seus defensores, seus ativistas, seus militantes. Não sou contra essas pessoas, eu quero o que elas querem. Na verdade, quero mais que eles, bem mais: quero todos os Direitos Humanos para todos os humanos. Porque eu não acredito em seres humanos de segunda classe.