Considerações sobre dois textos dramáticos de Álvares de Azevedo.

Considerações sobre dois textos dramáticos de Álvares de Azevedo.
(Adaptado de um trabalho de faculdade)
Álvares de Azevedo, no prefácio à segunda parte de sua Lira dos Vinte Anos, escreve que a unidade de seu livro, “verdadeira medalha de duas faces”, “ funda-se numa binômia”, dando voz às “ duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco mais ou menos de poeta” (AZEVEDO, 1999;119). De fato, a obra – póstuma, é bom lembrar, já que nunca saberemos se o livro veio a público como o autor o pensou, o que complica um pouco as coisas, principalmente em termos de edição – é dividida em duas partes: a primeira, contendo 42 poemas, apresenta o que ele mesmo chama de “ primeiros cantos de um pobre poeta”( IDEM,IBIDEM; 13), de inspiração sentimentalista, apresentando uma concepção platônica do amor, o canto da amada idealizada em um mundo onírico. Temos até mesmo um poema como “A Cantiga do Sertanejo”, que dentro da temática desta primeira seção, reaproveita o tema do nacionalismo, caro ao primeiro romantismo de Gonçalves de Magalhães, por exemplo.
Se de fato a segunda parte apresenta os cantos que sucedem cronologicamente os da primeira é algo que não sabemos; entretanto, seu prefácio a apresenta como o lugar onde “dissipa-se o mundo visionário e platônico”(AZEVEDO,1999;119) da primeira. Em vez daquela primeira alma, idealista, que cantava o elevado, o idealizado, aqui ouvimos a outra, que “vê, ouve, sente e, o que é mais, sonha de noite as belas visões palpáveis do acordado”(IDEM,IBIDEM;119); é como de o mesmo poeta da primeira parte descobrisse que “ antes e depois de ser um ente idealista, é um ente que tem corpo”(IDEM,IBIDEM;119-120). Por isso mesmo, escreve o que vê, ouve, sente: a beleza física, sensual e sensível, os fatos e personagens  cotidianos, prosaicos, temática “rebaixados”, chegando ao “cúmulo” de cantar a lógica mercantilista do mundo ( Dinheiro), “heroicizar” a figura de um mendigo (III- O Vagabundo, em Spleen e Charutos) e a comparar-se a uma lagartixa (IV – A Lagartixa, no mesmo Spleen e Charutos).
Essa binômia parece não se restringir apenas a este livro do autor, transbordando para toda a obra, em prosa e verso, do nosso poeta. Para melhor dizer, Lira dos Vinte Anos parece ser uma  parte da obra “binômica” do escritor. Antonio Candido observou em texto seu como, em obras em prosa do autor, “ a organização formal mistura ( para usar conceitos dele[de Álvares de Azevedo]) o ‘horrível’ ao ‘sublime’ e ao ‘belo, doce e meigo’”(CANDIDO, 1989; 10).
É o que vemos em Macário, peça – não feita para o teatro, segundo o  próprio autor, e de fato prestando-se mais à leitura -  dividida em duas partes “ relativamente autônomas, chamadas, talvez por isso, episódios, e não atos”( PRADO, 1996; 129). Se no primeiro episódio – onde, segundo o mesmo texto de Antonio Candido, “encontramos alguns dos momentos mais fortes do nosso Romantismo (CANDIDO,1989;22)  – vemos, antes de um debate, uma conversa entre um jovem estudante adepto da visão “rebaixada” do mundo e seu representante maior, o próprio Satan, no segundo episódio, aparece Penseroso, jovem romântico, idealista, nacionalista e otimista, que, nos diálogos travados entre os dois personagens, irá contrapor-se a este.
Paralelo a Macário encontramos, dentro da própria obra do poeta, na própria Lira dos Vinte Anos. Boêmios, que têm por subtítulo Ato de Uma Comédia Não Escrita, é poema em forma dramática, que tem por cenário a Itália do séc. XVI e se apóia no diálogo entre dois personagens que, por falta de indicação e por força da coerência para com o todo da obra do autor, parecem ser dois jovens: Puff, hedonista convicto, e Níni, romântico, com aspirações de poeta. Na verdade, antes de representar o diálogo entre os dois personagens, o poema é uma “peça”que simula a representação de uma peça que tem os dois como personagens, peça esta que é interrompida por “Um Homem na Platéia” – só então percebemos que, além de um poema, o de Níni, dentro do poema, temos uma peça dentro da “peça”. No final, ainda temos um Prólogo-personagem que faz as vezes de epílogo que faz algumas explicações que parecem ser do próprio jovem poeta – não Níni, mas Álvares de Azevedo.
Se em Macário, não fossem as “Páginas de Penseroso” – longa reprodução do que parecem ser trechos do diário do personagem – e a própria indicação do prólogo – “Não a fiz para o teatro” (AZEVEDO, s.d.;3) – talvez tivéssemos dúvidas quanto às intenções do escritor de representar a peça ou não, a própria inserção do “ato” em um livro de poemas, além de todas as peculiaridades que já vimos, deixa claro que  temos não um peça em verso, mas um poema dramático. O poeta, tanto em quanto em outro texto, brinca, subverte com a questão dos gêneros literários, manipulando o gênero dramático para compor, no caso de Boêmios,  um poema dramático, parte de um livro de poemas, e no caso de Macário, algo não devemos definir sem atentar para as palavras do próprio autor:  “ Quanto ao nome, chamem-no drama, comédia, dialogismo – não importa.”(IDEM,IBIDEM;p.3)   
 A binomia e a questão do (não) gênero literário aproximam, de fato, os dois textos, mas estes são elementos depreendidos, abstratos; há dois elementos concretos, dois substantivos, que aparecem ipsis litteris tanto em um quanto em outro texto: um cenário – Itália- e um nome Puff, que por motivos que explicarei mais adiante, não compreendo como um personagem.
Tanto a segunda parte de Macário quanto a peça de Puff e Níni em Boêmios desenrolam-se na Itália, sendo que a Itália do poema de Lira dos Vinte Anos  é a do séc. XVII e a dos diálogos de Macário e Penseroso, por falta de mais indicações, parece ser a do séc. XIX, contemporânea do autor. Mas isso parece ter pouca importância: uma vez que faltam referências factuais ao país europeu tanto em um como em outro caso, parece que Itália é só o nome de um cenário. Almeida Prado, analisando Macário, nota bem que o país-cenário é “ não a Itália histórica, mas o país sonhado pelas fantasias românticas”(PRADO,1996;136). Depois, e aproveitando para abrir um parêntesis, é interessante ver como, em Macário, temos um país nomeado como cenário na segunda parte, mas é na primeira parte, onde não há referência nominal a lugar algum, que temos referências diretas a uma cidade que “tem o [nome] de um santo”(AZEVEDO,s.d.;10).
A cidade é São Paulo. Mais especificamente, a São Paulo na qual Álvares de Azevedo estudava, na Academia de Direito do largo São Francisco. Macário não conhece esta cidade. Quem a conhece é Satan, que a vai descrevendo de modo nada elogioso para o jovem enquanto o leva para lá. Entretanto, eles não entrem nela, pousam na casa de Satan, que fica na entrada da cidade, e não dentro da cidade, assim como o cemitério que fica em frente à casa e no qual se desenrolarão as últimas andanças dos dois personagens na primeira parte. Depois de tanto se falar da cidade, Macário acaba por não entrar, por não conhecer São Paulo.
Por quê? Talvez porque Álvares de Azevedo achasse que a São Paulo do séc. XIX não fosse digna de ser cenário de uma peça sua, ou de qualquer peça ou texto, não fosse um espaço ficcional adequado. A cidade, de acordo com as palavras com as quais o “tinhoso” a descreve, é “ devassa como uma cidade, insípida como uma vila e pobre como um aldeia”, nela  as calçadas “ são intransitáveis”, “as moças poucas vezes têm bons dentes”, “as mulheres são lascivas, os padres dissolutos, os soldados ébrios, os estudantes vadios”(IDEM,IBIDEM;10). Comparações com correspondências do poeta com a família à época de estudante de Direito mostram que era mais ou menos isso que o escritor pensava da cidade. Mas essas comparações fazem-se desnecessárias. Mesmo sem as cartas já seria de se imaginar que pensasse isso, do contrário, por quê descreve-la de tal modo e pela boca de tal personagem? Parece-me que, se por um lado, há o que Antonio Candido afirma que “se poderia chamar de ‘ a invenção literária da cidade de São Paulo’, que Álvares de Azevedo instaurou como espaço ficcional” (CANDIDO,1989;12), por outro lado, é negado a esse espaço ficcional o papel de cenário, não é permitido que os personagens vão além da sua entrada. Fim do parêntesis. Falemos de Puff.
Puff é o hedonista convicto personagem de Boêmios, isto já foi dito mais acima. Abre sua participação no poema dramático dormindo no chão abraçado a uma garrafa e a encerra dormindo, ignorando a declamação do longo poema de Níni – que não é dos piores e bem poderia ter sido um texto da primeira parte do próprio livro de Álvares de Azevedo, que, de fato, foi quem o escreveu -  após entupir-se de vinho e de empada.
Bem menos claro é o que faz Puff em Macário. Ele não aparece na peça propriamente dita, sequer é um personagem, mas é o título de seu prólogo, que é um texto importante para entender o pensamento, as diretrizes teóricas de Álvares de Azevedo quanto à  literatura,ao teatro, especificamente, mas que fala pouco quanto à própria peça, como escreve o próprio autor no próprio prólogo, “ o meu tipo, a minha teoria, a minha utopia dramática, não é esse drama que aí vai”(AZEVEDO,s.d.;3). Depois, para nós, aqui e agora, interessa mais aparição do nome do que o prólogo.
Por quê intitular um prólogo de Puff? Não faço idéia. Alguns dizem que Puff-personagem é o “autor” do Puff-prólogo. Creio que não, e me explico: Puff, em Boêmios, é um personagem que vive na Itália do séc.XVI. A primeira parte de Macário, entretanto, passa-se no Brasil do séc.XIX. Três séculos de distância tornam essa tese improvável. Ainda mais que no prólogo vemos citados Goethe, Victor Hugo, Dumas, Byron, nascidos bem depois de 1600. A menos que o gosto pelo macabro do poeta tenha chegado ao ponto de psicografar seu personagem…
Além do mais, não sabemos  a ordem cronológica da realização, da escrita dos textos. Sim, porque se Macárioé anterior à Boêmios, ou mesmo se o prólogo tiver sido escrito antes de acabada a peça e escrito o poema, então não é o personagem que escreve o prólogo, nem mesmo que lhe dá nome, mas, ao contrário, é o prólogo que inspira o nome do personagem.
Não se pode saber ao certo o que o nome Puff faz no título do prólogo de Macário, mas, tendo ou não ligação direta com o personagem de Boêmios, o fato é que há a intertextualidade entre os dois “dramas”, que apresentam diálogos  entre dois personagens, um idealista e um hedonista: Macário e Penseroso em um caso, Puff e Níni no outro. E a intertextualidade se dá não pelo nome do personagem idealista – Penseroso – mas do hedonista Puff. O que me leva a fazer uma comparação entre Macário e Puff, os dois personagens desidealizados, e de suas respectivas narrativas e deixar Penseroso e Níni, que são mais contrapontos coadjuvantes daqueles do que qualquer outra coisa, Pensoroso com certeza, Nìni, me parece.
Protagonista, Macário e Puff “contaminam” seus respectivos textos com seus “estados de espírito”: de fato, enquanto a narrativa do taciturno – ainda que falante – Macário se desenrola através de diálogos filosófico-literários e acontecimentos aterradores, num tom sério, macabro e pesado, em Boêmios parece que cada linha é com o cinismo e a ironia de Puff – mesmo o poema longo e solene de Níni fica completamente ridicularizado quando vemos o sono irreverente de Puff. Isso fica bem claro quando comparamos a forma como o tema do anticlericalismo se manifesta nos dois textos.
Os padres, cônegos e clérigos em geral são apresentados em Macário como os seres mais hipócritas, devassos, mulherengos e falsos da face da Terra e são tratados de forma amarga, ríspida, severa, mesmo com desprezo, como vemos nos dois trechos citados abaixo, com grifos meus:
Macário — Crer? e no que? No Deus desses sacerdotes devassos? Desses homens que saem do lupanar quentes dos seios da concubina, com sua sotaina preta ainda alvejante do cotão do leito dela para ir ajoelhar-se nos degraus do templo! Crer no Deus em que eles mesmos não crêem, que esses ébrios profanam até do alto da tribuna sagrada?
(Azevedo, s.d.; 24)
Satan — (…)Mas o pior da história é que as beatas e os cônegos cada vez que saem, a cada topada,blasfemam tanto com o rosário na mão que já estou enjoado. Admiras-te? por que abres essa boca espantada? Antigamente o diabo corria atrás dos homens, hoje são eles que rezam pelo diabo.Acredita que faço-te um favor muito grande em preferir-te à moça de um frade que me trocaria pelo seu Menino Jesus, e a um cento de padres que dariam a alma, que já não tem, por uma candidatura.
(Azevedo, s.d., 10)
            De forma bem diversa, embora pelos mesmo motivos, é o tratamento de Puff para com os membros da Igreja: para o hedonista convicto, ele é o exemplo máximo, ele os inveja por comeram tanto e da forma que comem e por viverem enroscascados e mulheres. O mais pode querer um Puff senão comer, beber e amar como um padre? Chega mesmo a invejar a morte de um cônego, em episódio que cito, com grifos, por ser exemplar e esclarecedor quanto ao tema:
PUFF
(…)
(Entra um criado correndo.)
Roa-me o diabo as tripas, se não vejo
Ali correr com pernas de cabrita
O criado do cônego Tansoni.

NINI
Onde vais, Gambioletto?

GAMBIOLETTO
Vou à pressa
Ao doutor Fossuário.
PUFF
Acaso agora
O carrasco fugiu?
NINI
Quem agoniza?
GAMBIOLETTO
O Reverendo e Santo Sr. Cônego!
Deitando-se a dormir, depois da ceia,
No colo de Madona la Zaffeta,
Umas dores sentiu pela barriga,
Caiu estrebuchando sobre a sala…
Morre de apoplexia.
NINI
O diabo o leve!
GAMBIOLETTO
E o médico, Srs.!
PUFF
Venturoso!
Sempre é Cônego… Nini, dulce et decus
Pro patria mori… É doce e glorioso
Morrer de apoplexia! Quem me dera
Morrer depois da ceia, de repente!
Não vem o confessor contar novelas,
Não soam cantos fúnebres em torno,
Nem se força o medroso moribundo
A rezar, quando só dormir quisera!
Venturosos os Cônegos e os Bispos…
E os papudos Abades dos conventos!

Eles podem morrer de apoplexia!
E se morrem pensando — cousa nova! —
Quem nunca no viver cansou-se nisso,
Se eles morrem pensando, ante seus olhos,
No momento final sem ter pavores,
Inda corre a visão da bela mesa!
A não morrer-se como o velho Píndaro
Cantando, sobre o seio amorenado
De sua amante Grega, oh! quem me dera
Cair morto no chão, beijando ainda
A botelha divina!
(Azevedo,1999;152-154)

Também muito diferentes são as formas com que os episódios macabros são desenvolvidos nas duas narrativas, cada texto de acordo com o estado de ânimo do protagonista. Em Macário vemos coisas como o diabo aparecendo como “ um vulto com um ponche vermelho e preto”(4) roçando a perna do jovem; a sugestão de necrofilia, quando uma velha pergunta se o personagem quer ver o cadáver nu da “vagabunda” desconhecida,“magra e lívida”(12,13) com quem se deitara na noite anterior em um casebre, mesmos casebre e noite em que ela morreu; um passeio de Macário e Satan pelo cemitério, onde escutam ais de agonia, que o diabo revelam ser o último suspiro da mãe do jovem, o que o leva a chorar  “como uma criança”(15) e a renegar o demo. Tudo num clima tenso, soturno, e pesado um conto que faz com que nosso conto de terror não deva nada a um filme B dos dias de  hoje.
Bem diversa é a maneira de Puff lidar com o macabro: ele o torna, como todo o resto, objeto de gozação, o ridiculariza, torna o assustador engraçado. Encerremos o nosso texto com o bizarro e divertido trecho abaixo, com grifos meus, que exemplifica isso:
NINI
Tens medo de defuntos?
PUFF
Um bocado.
Sinto que não nasci para coveiro.
Contudo, no domingo, à meia-noite…
Pela forca passei: vi nas alturas,
Do luar sem vapor à luz formosa,
Um vilão pendurado. Era tão feio!
A língua um palmo fora, sobre o peito,
Os olhos espantados, boca lívida,
Sobre a cabeça dele estava um corvo…
O morto estava nu, pois o carrasco
Os mortos despe pra vestir os filhos
E deixa à noite o padecente à fresca.
Eu senti pelo corpo uns arrepios…
Mas depois veio o ânimo… trepei
Pela escada da forca, fui acima…
E pintei uns bigodes no enforcado.
(Azevedo,1999;154-155)
Bibliografia:

AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos. São Paulo: Klick Editora, 1999.
AZEVEDO, Álvares de. Macário. Belém: NEAD: Núcleo de Educação Distância, s.d. Disponível emwww.nead.unama.br
CANDIDO, Antonio. A educação pela noite In A educação pela noite e outros ensaios. 2ª ed. São Paulo: Ática, 1989, pp. 10-22.
PRADO, Décio de Almeida. Um drama fantástico: Álvares de Azevedo In O drama romântico brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 1996.

Nota sobre Niezstche.

“Na Escola Bélica da Vida — O que não me faz morrer me torna mais forte.”
Friedrich Nietzsche,  Crepúsculo dos Ídolos,  Máximas e Sátiras, 8
Não sei quanto a vocês, mas a mim isso soa muito – mas muuuuuuuuito auto-ajuda. O quê vocês acham???

Guerra comunista contra a religião.

Guerra comunista contra a religião

Paul Kengor | 04 Setembro 2009
Artigos - Religião
Muito pouco é estudado sobre isto hoje. Nós não podemos ignorar esse componente vital da história da Guerra Fria. Tragicamente, muitas dessas informações continuam desconhecidas não apenas para o grande público, mas também para a comunidade acadêmica. Na verdade, há pessoas na academia que estão a par desse material, mas geralmente estão despreocupados, dispensando isso como curiosidade paranóica da “direita cristã” e de anti-comunistas, que eles vêem como rude e ingênuo.
Como Mikhail Gorbachev apropriadamente asseverou, o Estado comunista empreendeu uma patente “Guerra contra a Religião.” 1 Ele lamentara que os bolcheviques, seus predecessores, mesmo após a guerra civil terminada no começo dos anos 20, durante uma época de “paz”, “continuou a por ao chão as igrejas, a prender sacerdotes e a destruí-los”. 2
A União Soviética, modelo do comunismo mundial como um todo, era oficialmente hostil à religião e oficialmente ateísta; não era irreligiosa, sem nenhuma posição quanto à religião, queria fazer crer que não havia Deus. Além disso, esse ateísmo se transformou numa espécie de vício anti-religioso. Esta prática começou com a alvorada do Estado comunista e hoje continua sob várias formas nos países comunistas, desde a China, desde a Coréia do Norte, e desde Cuba.
Ensinamento Comunista
A origem desse ódio e intolerância à religião está na essência da ideologia comunista. Marx alcunhou a religião como o “ópio das massas” e afirmou que “o comunismo começa onde o ateísmo começa”. 3 Num discurso em prol dos bolcheviques, em 2 de Outubro de 1920, Lênin declarou abertamente: “Nós não cremos em Deus.” Lênin insistiu que “Todo culto a uma divindade é uma necrofilia.” 4 Ele escreveu uma carta em Novembro de 1913 dizendo “qualquer idéia religiosa, qualquer idéia de algum deus, qualquer aproximação com um deus é a idiotice mais inexpressível … a burrice mais perigosa, a infecção mais vexatória.” James Thrower, da Universidade de Virgínia (especialista em Rússia e tradutor), diz que a infecção à qual Lênin se refere é a de doença venérea. 5
“Não pode haver nada mais abominável do que a religião,” escreveu Lênin em uma carta para Maxim Gorky em Janeiro de 1913. 6 N dia dia 25 de Dezembro de 1919, o Camarada Lênin, com suas próprias palavras, emitiu a seguinte ordem: “Participar do ‘Nikola’ (natal russo) será estúpido – toda a Cheka (futura KGB) deve estar alerta para não deixar de atirar em todo aquele que não aparecer para trabalhar por causa do ‘Nikola’”. 7 Estes não foram fatos isolados sob o mando de Lênin.
Com a ajuda de Trotsky, Lênin começou a se envolver na criação de grupos com nomes como A Sociedade dos Sem-Deus, também conhecida como a Liga dos Sem-Deus Militantes, que foi responsável pela disseminação da propaganda anti-religiosa na URSS. 8 Essa intolerância institucionalizada continuou a prosperar sob os discípulos de Lênin, com destaque para Stálin, e até mesmo sob os líderes mais benévolos, como Nikita Khrushchev.
Este ateísmo era endêmico para o experimento comunista. Mesmo os comunistas impedidos de se manter no poder – perdendo, portanto, a habilidade de perseguir crentes – eles deram o seu melhor para perseguir os ensinamentos da religião organizada e para ridicularizar a existência de Deus. Até nos Estados Unidos, não é surpresa parar numa banca de jornais da cidade e ver escrito na primeira página palavras como estas no Daily Worker (Diário dos Operários), o órgão comunista publicado pelo CPUSA: “NÃO HÁ DEUS”. 9 Os comunistas têm orgulho do seu ateísmo e militam por ele.
Discriminação Igualitária
Este assalto à fé religiosa não foi dirigidas apenas a cristãos – protestantes, católicos, ortodoxos – mas também contra judeus, muçulmanos, budistas e outras crenças. 10 Para cada cardeal Mindszenty na Hungria havia um cardeal Wyszynski na Polônia, um Richard Wurmbrand na Romênia, um Natan Sharansky ou um Walter Ciszek na Rússia, um Vasyl Velychkovsky ou um Severian Baranyk ou um Zenobius Kovalyk na Ucrânia, um clã Moaddedi no Afeganistão, um missionário luterano ou metodista ou um seguidor do Dalai Lama na China, uma freira presa em Cuba, um monge budista forcado a renunciar seus votos no Camboja.
Fosse o déspota Fidel Castro, Pol Pot ou Stalin, o sentimento era o mesmo: “Religião é veneno”, segundo disse Mao Tsé-Tung. Onde quer que eles fossem, de Leste a Oeste, da África à Ásia, de Phnom Penh a São Petesburgo, comunistas empreenderam uma luta pela extinção da religião. Os comunistas muito debateram sobre os detalhes da maneira pela qual implementariam a visão marxista, mas eram unânimes em uma coisa: a religião era a inimiga, uma rival para o controle mental marxista e deveria ser aniquilada, não importam os custos e dificuldades.
Moscou foi a fonte e o cume para a maior parte desse esforço. Mesmo assim, funcionários soviéticos desejaram repetir a campanha usando os mais ávidos camaradas que estavam em cargos de liderança em outros lugares. A repressão começara, em vários graus, por toda a Europa Ocidental. Por exemplo, a doutrinação anti-religiosa de alunos de escola foi especialmente rigorosa na Tchecoslováquia nos anos 70. A Tchecoslováquia tinha conhecida má-reputação por conta do seu ateísmo.
Entre as nações mais perseguidoras à religião no império comunista estava a Romênia. Lá o ódio à religião era evidente por causa dos terríveis meios usados na tentativa de bani-la.
Romênia: a experiência de Richard Wurmbrand
Como parte da educação atéia, Estados comunistas publicaram e disseminaram abertamente literatura anti-cristã. Na Romênia, o trabalho daquele que talvez seja o maior escritor romeno, Sadoveanu, “A Vida dos Santos”, foi publicado novamente como “A Lenda dos Santos”.
Significantemente, os comunistas não apenas tentaram bloquear ou deter a fé religiosa, mas também revertê-la. Isto foi verdade particularmente para a Romênia, mesmo antes da era Nicolai Ceasescu. Isto não implica apenas a proibição da prática religiosa e a prisão de ministros e crentes, mas o emprego de tortura para forçá-los a renunciar a fé. Nada disso foi eficiente o bastante para conter, silenciar ou punir os crentes presos; foi decidido que eles deveriam ser torturados de maneira inimaginavelmente degradante com o intuito de desfazer a fé religiosa.
Uma das melhores fontes sobre como os comunistas usaram sofrimentos extraordinários para reverter a crença é Richard Wurmbrand, um pastor que viveu um inferno na terra enquanto estava numa prisão romena. Após o ocorrido, ele detalhou algumas das crueldades testemunhadas em um relato ante ao congresso americano e em seu famoso Torturado por amor de Cristo, em 1967. A seguir há alguns trechos do emocionante livro de Wurmbrand:
Milhares de crentes de todas as denominações foram presos naquela vez. Não apenas sacerdotes foram enclausurados, mas também simples camponeses, moços e moças, que testemunharam por sua fé. Os presídios estavam lotados, e na Romênia, assim como em todos os países comunistas, estar preso significa ser torturado…
Um pastor que se chama Florescu foi torturado com tições de ferro incandescente e com facas. Ele foi agredido dolorosamente. Então ratos famintos foram conduzidos às suas celas por um largo cano. Ele não conseguia dormir porque era obrigado a se defender todo o tempo. Se ele toscanejasse por um só momento, os ratos o atacariam.
Ele foi forçado a ficar acordado por duas semanas, dia e noite… Eventualmente eles traziam seu filho de 14 anos e começavam a chicoteá-lo em frente ao seu pai, dizendo que continuariam a fazê-lo até que o pastor dissesse aquilo que eles queriam ouvir da sua boca. O pobre homem estava meio louco. Ele agüentou o tanto quanto pôde, então ele clamou ao seu filho, “Alexander, eu preciso dizer o que eles querem! Eu não posso mais agüentar seu sofrimento!” O filho então respondeu “Pai, não me faça a injustiça de ter um traidor como genitor. Resista! Se eles me matarem, eu morrerei com as palavras: ‘Jesus e minha pátria’.” Os comunistas, enfurecidos, investiram contra a criança e espancaram-na até a morte, com sangue espalhado pelas paredes da cela. Nosso querido irmão Florescu nunca mais foi o mesmo após ter visto isto. 11
Wurmbrand se lembrava de história após história sobre as torturas que ele testemunhou. Ele não apenas viu a tortura dos seus companheiros crentes, mas ele mesmo também as experimentou. Seus captores o entalharam em doze partes do seu corpo. Queimaram 18 buracos nele. Entre as muitas formas de torturas que ele sofreu, estava “O Refrigerador” – uma grande caixa de gelo. O crente seria preso com pouca ou nenhuma roupa. Os médicos da prisão sondavam por uma abertura até que vissem sinais de morte por hipotermia, então eles chamavam os guardas, que se apressavam para descongelar a vítima. Eles seriam descongelados e congelados novamente entre os minutos da morte. O processo era então repetido.
Tudo isso, obviamente, exigia esforços consideráveis dos carcerários. “O que os comunistas fizeram aos cristãos suplanta… o conhecimento humano,” escreveu Wurmbrand. “Eu vi comunistas cujas faces mostravam alegria entusiástica enquanto torturavam crentes. Eles diziam enquanto torturavam os cristãos, ‘nós somos o demônio!’”. Ele chamou o comunismo de “a força do mal”, que poderia ser combatido apenas por uma força espiritual, “O Espírito Santo.” Ele acrescentou:
Os torturadores comunistas freqüentemente [me diziam]: “Não há Deus, nem além, nem punição pelo mal. Nós podemos fazer o que quisermos.” Eu ouvi um torturador dizer, “Eu agradeço a Deus, em quem não creio, por viver até este momento em que pude expressar toda a maldade do meu coração.”
Em seu testemunho de Maio de 1966 ao Subcomitê de Segurança Interna do Senado americano, Wurmbrand descreveu a crucificação pelas mãos dos comunistas. Cristãos eram atados a cruzes por dias e noites. Isto era mau o bastante. Mas os comunistas eram criativos, e queriam se assegurar de que os crucificados sofreriam maior humilhação do que o próprio Cristo:
As cruzes eram colocadas no chão e milhares de prisioneiros tinham que satisfazer suas necessidades básicas nos rostos e nos corpos dos crucificados. Então as cruzes eram argüidas novamente e os comunistas zombavam e escarneciam: “Olhe para o seu Cristo! Quão belo ele é! Que fragrância ele traz do céu!”… Após serem quase levados à loucura pelos torturadores, um padre foi obrigado a consagrar excremento e urina humanos e fazer a Santa Comunhão aos cristãos nesta forma. Isto aconteceu na prisão romena de Pitesti., Após isto, eu decidi então perguntar ao padre porque ele não preferiu morrer ao participar dessa zombaria. Ele respondeu, “Por favor, não me julgue! Eu sofri mais do que Cristo!” Todas as descrições bíblicas sobre o inferno e as dores do Inferno de Dante não são nada comparadas às torturas nas prisões comunistas.
Esta é apenas uma pequena parte daquilo que aconteceu em um domingo e em muitos outros domingos na prisão de Pitesti. Outras coisas simplesmente não podem ser ditas. Meu coração falharia se eu tivesse que contá-las repetidamente. Elas são muito terríveis e obscenas para serem escritas…
Se eu fosse continuar a contar todos os horrores das torturas comunistas e todos os auto-sacrifícios dos cristãos, eu nunca terminaria.
Nós vemos aqui uma dedicação quase inacreditável para desfazer e reverter a fé pelos comunistas. Isto envolveu não apenas abusos extraordinários, mas também a atenção do Estado. O fato de o Estado comunista devotar tanto tempo e esforço demonstra a sua notável devoção – ironicamente, uma devoção quase religiosa – em alcançar a aniquilação da fé religiosa. Estes fatos também refletem a convicção comunista que a religião era inevitavelmente uma ameaça incompatível ao marxismo-leninismo.
Às vezes, esta perseguição viciada sai pela culatra. Para cada Richard Wumrbrand, ou para cada Severian Baranyk que os comunistas mataram com um corte em forma de cruz no peito, ou um Zenobius Kovalyk, executado numa crucificação de escárnio, surgia uma albanesa chamada Agnes Gonxha Bojaxhiu (Madre Teresa), que orava por suas almas, ou um Karol Wojtyla (Papa João Paulo II), que trabalhou com homens como Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Lech Walesa, e Vaclav Havel – entre outros – pelo colapso pacífico do império ateu.
Relevância atual
Porque estas informações são importantes hoje, sendo que a guerra fria e o império soviético comunista não mais existem? Ao nível do humano, é muito importante para aqueles que sofreram a perseguição. Muitos ainda estão vivos; eles querem que esta história seja contada; eles querem que o mundo saiba o que sofreram. Eles sabem que a História, pelo bem da História, precisa ser bem definida e não repetida. Em outro nível, a próxima geração de estudiosos da Guerra Fria tem pouco conhecimento e menos ainda reconhecimento do papel da religião na experiência da Guerra Fria. Eles não são apenas desinformados no que diz respeito às fontes e ao grau da perseguição, eles não contemplam a maneira que o ateísmo institucionalizado da URSS ajudou e propeliu oposição bipartidária americana a Moscou no começo da Guerra Fria. Democratas como Harry Trumann, John F. Kennedy e Republicanos como John Foster Dulles e Ronald Reagan condenaram o flagelo do “comunismo soviético sem-Deus assim como figuras bastante populares como Francis Cardinal Spellman, o Bispo Fulton Sheen, e o Dr. Fred Schwarz por meio de sua Cruzada Anti-Comunista Cristã. 12 Religiosamente falando, o esforço eventual para derrotar o comunismo ateu foi um esforço duplo de protestantes e católicos americanos.
Muito pouco é estudado sobre isto hoje. Nós não podemos ignorar esse componente vital da história da Guerra Fria. Tragicamente, muitas dessas informações continuam desconhecidas não apenas para o grande público, mas também para a comunidade acadêmica. Na verdade, há pessoas na academia que estão a par desse material, mas geralmente estão despreocupados, dispensando isso como curiosidade paranóica da “direita cristã” e de anti-comunistas, que eles vêem como rude e ingênuo. “Sob os [comunistas] houve perseguição à igreja,” escreve Richard Pipes, professor emérito de história russa em Harvard. “E também é verdade que o assunto tem recebido pouco ou nenhuma atenção dos acadêmicos.” 13
Protestantes, católicos, muçulmanos e budistas – os comunistas torturaram a todos. E membros de todas as crenças têm grande interesse em ver essa conspiração perversa recebendo a luz da verdade. Ninguém, muito menos uma organização central, contou as histórias das vítimas. Muitas delas são amargas, e estão todas frustradas porque esta vasta rede de intolerância brutal nunca foi exposta completamente. Os livros de história das escolas estão cheios de considerações sobre as Cruzadas, mas completamente caladas sobre a guerra comunista contra a religião, que é imensamente mais repressiva. 14
Mas ainda há grupos como a Fundação em Memória das Vítimas do Comunismo (Victims of Communism Memorial Foundation) para contar essa história, para revelar essa história e para honrar as vítimas.
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Biografia do autor: Paul Kengor é professor emérito de Ciência Política no Grove City College em Grove City, Pennsylvania. Entre seus livros estão God and Ronald Reagan: A Spiritual Life (HarperCollins, 2004), The Judge: William P. Clark, Ronald Reagan’s Top Hand (Ignatius Press, 2007), and The Crusader: Ronald Reagan and the Fall of Communism (HarperPerennial, 2007).
Tradução: Rafael Resende Stival, do Blog Salmo 12.

Notas
1 Mikhail Gorbachev, Memoirs (NY: Doubleday, 1996), p. 328.
2 Mikhail Gorbachev, On My Country and the World, (NY: Columbia University Press, 2000), pp. 20-1.
3 O comentário “ópio das massas” “é bem conhecido. A fonte para a citação, “o comunismo começa onde começa o ateísmo,” é Fulton J. Sheen, Communism and the Conscience of the West (Indianapolis e NY: Bobbs-Merrill, 1948). Sheen, que lia e falava várias línguas, traduziu a citação em Inglês de uma obra sem tradução de Marx.
4 Lenin escreveu isso em 13 ou 14 de novembro de 1913 em uma carta para Maxim Gorky. Veja: James Thrower, God’s Commissar: Marxism-Leninism as the Civil Religion of Soviet Society (Lewiston, NY: Edwin Mellen Press, 1992), p. 39.
5 Citado em Thrower, God’s Commissar, p. 39. Outra tradução desta citação vem de Robert Conquest, in his “The Historical Failings of CNN,” em Arnold Beichman, ed., CNN’s Cold War Documentary (Stanford, CA: Hoover Institution Press, 2000), p. 57.
6 Veja: J. M. Bochenski, “Marxism-Leninism and Religion,” em B. R. Bociurkiw et al, eds., Religion and Atheism in the USSR and Eastern Europe (London: MacMillan, 1975), p. 11.
7 Este item foi publicado em um livro de 2002 pela Yale University Press. Veja: Alexander N. Yakovlev, A Century of Violence in Soviet Russia (New Haven and London: Yale University Press, 2002), p. 157.
8 Veja: Daniel Peris, Storming the Heavens: The Soviet League of the Militant Godless (Ithaca, NY: Cornell University Press, 1998).
9 Veja: Bertram D. Wolfe, A Life in Two Centuries (Stein and Day, 1981), pp. 403-4.
10 A repressão foi exercida em graus diferentes entre as nações do bloco soviético. Entre elas, Romênia, Albânia, Alemanha Oriental e Tchecoslováquia foram especialmente repressivas.
11 Richard Wurmbrand, Tortured for Christ (Bartlesville, OK: Living Sacrifice Book Company, 1998), pp. 33-8.
12 Veja: Paul Kengor, God and Ronald Reagan: A Spiritual Life (NY: HarperCollins, 2004).
13 Richard Pipes speaking at Grove City College, Grove City, Pennsylvania, September 27, 2005.
14 Paul Kengor comparou o tratamento dos dois em um exaustivo e longo projeto de um ano de pesquisa que analisou os textos de história utilizada nas escolas públicas de Wisconsin, que eram os mesmos textos utilizados em todos os estados. Veja também: Paul Kengor, “Searching for Bias: World History Texts in Wisconsin Public Schools “, Wisconsin Policy Research Institute, junho de 2002. Uma cópia do estudo está publicado no site da WPRI.

O Fim do Mundo - ou Como Assim, Pagar pra Tocar violão na Igreja???

Notícia do CristianismoHoje:
Resumindo: pra tocar no culto, tem que pagar.
É mole???
1º ponto: A regulamentação da profissão de músico, como de 99% das profissões, por si só já é absurda ( o porcento restante, que inclui profissões como médico,enfermeiro e advogado, é discutível, mas nunca óbvia); ”caçar” músicos religiosos, mais especificamente cristãos, mais especificamente ainda  evangélicos, para cobrar-lhes dinheiro, é um absurdo “aperfeiçoado”. Cheiraria a perseguição, não fosse uma medida capitaneada por líderes evangélicos. DEPOIS DA LEI DE IMPRENSA, É HORA DE CAIR A LEI 3857/60, A LEI DA MÚSICA.
2º ponto: quase a totalidade dos músicos de igreja, de qualquer igreja e religião, são, como eu, que sou baixista da minha igreja, “músicos” de fim de semana. São pessoas que trabalham como qualquer um de segunda a sexta, no sábado ensaiam um pouco – na semana não dá tempo – pra tocar no culto domingo. A música, para eles, ou melhor,  para nós, a música não é uma profissão, mas uma vocação; não tocamos pra tocar dinheiro, mas para expressar nossa fé; não damos shows, celebramos cultos.
Não se pode pedir carteirinha para alguém poder prestar culto, nem taxar a expressão da fé. ISSO É CRIAR EMPECILHOS AO LIVRE EXERCÍCIO DO CULTO RELIGIOSO DESSES MÚSICOS,O QUE É IMPEDIDO PELA NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL (Art. 5º, VI).
3º ponto: e tem gente que acha que Olavo de Carvalho exagera…
Post de 06/08/2009