Relatório mostra situação preocupante da liberdade religiosa no mundo.

Segundo o mais recente relatório da Pew Reserch Center sobre restrições religiosas no mundo, que analisa dados de 2013, 54 de 198 países (27%) impunham restrições governamentais à religião em níveis altos ou muito altos, implicando em que 63% da população mundial esteve debaixo dessas restrições. Os países com altos ou muito altos níveis de hostilidades sociais envolvendo religião (que engloba de vandalismo à assassinato de religiosos) foram também 27%, cobrindo 73% da população mundial. Esses números mostram-se ainda mais preocupantes quando se considera que eles mostram leve melhora quanto a 2012 (quando 29% dos países impuseram restrições oficiais e 33% apresentaram hostilidades sociais envolvendo religião) e ainda não consideram avanços recentes de grupos como ISIS e Boko Haram em 2014 e 2015.
Cristãos foram perseguidos, em 2013, em 102 países (52%), sendo o grupo religioso mais perseguido do mundo (dado que vai contra o nosso senso comum); muçulmanos, em 99 países (50%); judeus, em 77 países, havendo um preocupante aumento do antissemitismo no mundo; adeptos de religiões populares, em 34 países; hindus, em 9 países; budistas, em 12 países; fiéis de outras religiões, incluindo ateus, em 38 países. Houve perseguição religiosa, oficial ou por parte da população, em 164 países.
Em 30% dos países, houve restrições oficiais contra minorias religiosas, em 61% dos países houve hostilidades sociais contra minorias sociais. Judeus foram perseguidos por indivíduos ou grupos em 34 de 45 países europeus, ou seja, 76% destes; muçulmanos, em 32 países europeus (71%). Em 19 países europeus (42%), mulheres foram perseguidas por violação de regras quanto ao vestuário.
 

LIBERDADE DE IMPRENSA DECLINA EM TODO O MUNDO, SEGUNDO REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS.

"Os indicadores compilados pela organização Repórteres Sem Fronteiras são incontestáveis. Houve um declínio drástico na liberdade de informação em 2014. Dois terços dos 180 países pesquisados para o World Press Freedom Index 2015 um desempenho inferior ao do ano anterior. O indicador global anual, que mede o nível global de violações da liberdade de informação em 180 países ano a ano, subiu para 3.719, um aumento de 8 por cento ao longo de 2014 e quase 10 por cento em comparação com 2013. A queda afetou todos os continentes".
Esse é o preocupante relatório da ONG que monitora o liberdade de imprensa em todo mundo. O índice saiu semana passada.
Segundo a ONG, as deteriorações mais preocupantes da liberdade de imprensa ocorreram em Andorra, Timor Leste, Congo, Itália, Islândia, Venezuela, Equador, Líbia, Sudão do Sul, Rússia, Azerbaijão e Estados Unidos. As melhoras mais significativas foram em Mongólia, Tonga, Madagascar, Geórgia, Nepal, Tunísia, Brasil, México.
Os dez países com maior liberdade de imprensa, segundo o índice, são: Finlândia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Suécia, Nova Zelândia, Áustria, Canadá, Jamaica e Estônia.Os dez piores são: Eritreia, Coreia do Norte, Turcomenistão, Síria, China, Vietnã, Sudão, Irã,Somália e Laos.
O Brasil, como dito acima, teve substantiva melhora: subiu 12 posições, pulando da 111ª para a 99ª posição, com diminuição de jornalistas mortos, 2 em 2014, contra 5 em 2013. Essa, entretanto, é uma posição da qual não podemos nos orgulhar: estamos mais perto do último que do primeiro lugar. Os dez países imediatamente à nossa frente (do 98º ao 89° lugar) no ranking são: Líbano, Uganda, Seychelles, Gabão, Bolívia, Fiji, Peru, Grécia, Kwait e Libéria. No contexto das Américas, somos o 20º de 28 países, mais perto do último (Cuba, 169º do ranking geral) que do primeiro (Canadá, 8º do ranking geral), atrás até mesmo de Haiti (53º) e Argentina (57º). Em uma classificação gradativa que separa os países em cinco grupos, dos mais livres aos menos livres, fazemos parte do terceiro grupo. A RSF destaca ainda a violência contra jornalistas em protestos. Como ponto positivo, destaca a proteção dos usuários de internet com o Marco Civil.
Ainda no contexto da América Latina, há especial precupação com a Venezuela (137º), em que a Guarda Nacional Bolivariana abriu fogo contra jornalistas durante protesto, e Equador (108º), por conta de sua Lei Orgânica de Comunicação, um instrumento de censura.
Destaque-se, ainda, os Estados Unidos (49º, uma posição nada confortável para o "País da Liberdade"), cujo governo vem pressionando jornalistas para revelar suas fontes, como no caso WikiLeaks.
Link para o índice: http://index.rsf.org/

O UBER E OS LUDITAS DE HOJE.



(originalmente publicado na page do EPL São Paulo)



Março de 2001: o Napster, software revolucionário que permitia com que as pessoas do mundo todo baixassem músicas em seus computadores de graça, em rede P2P, parou de funcionar. O serviço foi fechado devido a uma série de processos de companhias de empresas fonográficas, que alegavam que o software violava direitos de copyright (o equivalente ao nosso direito autoral) ao permitir a distribuição ilegal de música, o que afetava diretamente os negócios – e o lucro dessas companhias.



Poucos dias depois do fechamento do Napster, já havia uma série de softwares semelhantes a ele que permitam a troca de música via P2P, como eMule, Ares Galaxy e BitTorrent. Hoje, 14 anos depois, nada é mais fácil do que baixar discos inteiros de graça na internet, e não só música, mas também filmes e séries, apesar do cerco das grandes companhias de entretenimento, que tiveram que se adaptar ao novo ambiente de mercado.



Abril de 2015: a Justiça de São Paulo determina a suspensão das atividades do aplicativo Uber, que oferece serviços de “carona paga”, na prática, faz intermediação entre motoristas autônomos e quem precise do serviço. A suspensão, liminar, atende ao pedido do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo, categoria que tem o monopólio do transporte individual pago ameaçado pela concorrência do aplicativo (esse monopólio, é importante ressaltar, não é culpa dos trabalhadores da categoria, mas uma imposição do Estado, grande beneficiário desse monopólio, que ganha rios de dinheiro com o “mercado” de licenças para atuar na atividade).



Pode ser que, por enquanto, a Justiça consiga atrapalhar as atividades com o aplicativo, ou mesmo tirá-lo do ar definitivamente. Como o caso do Napster mostra, entretanto, é impossível impedir que o avanço tecnológico remodele a forma como lidamos com o mundo, seja como ouvimos música ou como contratamos serviços de transporte. Mais cedo ou mais tarde, a tecnologia as restrições estatais obsoletas, ainda que legalmente válidas, e o mercado de transporte individual terá de se adaptar a essa nova realidade.



Nos tempos da primeira revolução industrial, um grupo de operários conhecido como ludditas quebrava as então inovadoras máquinas industriais a vapor por pensarem que essas máquinas tomavam seus empregos. Hoje, achamos pitoresca esse tipo de atitude, embora, como o caso do Napster e do Uber nos mostram, sempre aparecem grupos para agir do mesmo modo pitoresco. Como os casos passados mostraram, entretanto, é impossível barrar o avanço tecnológico e seus efeitos, ainda que isso vá contra o interesse de alguns.



A luta contra a tecnologia é sempre uma luta vã. Se é sábio atentar ao brocardo que diz que ninguém pode obrigar outro ao impossível (“ad impossibilia nemo tenetur”), então também deveríamos parar com a mania de proibir o inevitável.













MERCADO PARA OS POBRES.




 MERCADO PARA OS POBRES.

(Originalmente publicado na page od Facebook do EPL São Paulo)





É comum ouvirmos que o mercado é excludente, imoral, “selvagem”, e que a defesa do mercado é a defesa dos ricos, das grandes corporações e dos bancos. Embora seja o senso comum, isso simplesmente não corresponde aos fatos.

Pensemos em duas classes de bens e serviços, uma dos que são fornecidos pelo Estado ou por suas concessionárias, com monopólio, e outro grupo de bens e serviços que são livremente fornecidos no mercado. Não precisa muito esforço pra perceber que os pobres têm mais e melhor acesso aos produtos do segundo grupo do que do primeiro. Assim noticiou a Folha, em 2013:

“Casas com TV, DVD, computador, carro e moto, mas sem esgoto e coleta de lixo. Dados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, mostram que, enquanto no país avança a presença nas residências de bens duráveis, como eletrônicos, boas parte dos Estados fica paralisada – ou até regride – em serviços como água, esgoto e coleta de lixo. De 2011 para 2012, 14 Estados tiveram redução no percentual de moradias com esses serviços (em 11 a rede não teve nenhum avanço); apenas dois recuaram em bens duráveis. Na média nacional, houve crescimento ou estabilidade, dependendo do item”.(Casas têm mais TVs e menos rede de esgoto em 11 Estados do Brasil; Folha de 05/10/2013)

Mas porque as pessoas pobres têm mais acesso a mercadorias fornecidas pela lógica “selvagem” do mercado do que a direitos garantidos pelo Estado?

Um empresário trabalha e busca seu próprio lucro, isso é certo. Mas, para conseguir o maior lucro possível, ele precisa satisfazer o maior número de clientes possível pelo menor preço possível, e isso em um ambiente em que outros empresários querem a mesma coisa. Essa competição entre empresas faz com que elas forneçam produtos cada vez melhores por preços cada vez menores. Como resultado, a busca de lucro e a competição faz com que bens e serviços se tornem cada vez mais acessíveis àqueles que menos podem pagar por eles.

Como diz Mises: “O capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. As artes e os trabalhos manuais dos velhos tempos eram voltados quase que exclusivamente para os desejos dos abastados. E então surgiram as fábricas e começou-se a produzir bens baratos para a multidão. Todas as fábricas primitivas foram concebidas para servir às massas, a mesma camada social que trabalhava nas fábricas. Elas serviam às massas tanto de forma direta quanto indireta: de forma direta quando lhes supriam produtos diretamente, e de forma indireta quando exportavam seus produtos, o que possibilitava que bens e matérias-primas estrangeiros pudessem ser importados. Este princípio de distribuição e comercialização de mercadorias foi a característica inconfundível do capitalismo primitivo, assim como é do capitalismo moderno.

Os empregados são eles próprios os consumidores da maior parte de todos os bens produzidos em uma economia. Eles são os consumidores soberanos que "sempre têm razão". Sua decisão de consumir ou de se abster de consumir determina o que deve ser produzido, em qual quantidade, e com que qualidade. Ao consumirem aquilo que mais lhe convém, eles determinam quais empresas obtêm lucros e quais sofrem prejuízos. Aquelas que lucram expandem suas atividades e aquelas que sofrem prejuízos contraem suas atividades. Desta forma, as massas, na condição de consumidores no mercado, estão continuamente retirando o controle dos fatores de produção das mãos dos empreendedores menos capazes e transferindo-o para as mãos daqueles empreendedores que são mais bem sucedidos em satisfazer seus desejos.”

Já os governantes não precisam se preocupar com a satisfação do contribuinte, exceto em época de eleição, pois sua permanência no governo não depende de ele cumprir promessas de campanha. O financiamento do Estado não depende da satisfação das necessidades da população, pois impostos são tomados dela para sustentá-lo. Com a água e o esgota chegando ou não, o dinheiro entra no cofre estatal.

Uma empresa depende da satisfação de seus clientes para continuarem existindo; um Estado, não. Empresas precisam convencer seus clientes a lhe darem dinheiro; um Estado, não. Uma empresa pode perder um cliente se não oferecer seu produto com preço e qualidade que satisfaçam o cliente; um Estado, não. Empresários têm muitos motivos para satisfazerem as necessidades de seus clientes; governantes, não.

Por isso, quando os liberais defendem o livre mercado, eles não estão agindo em defesa de ricos e poderosos, mas das classes média e baixa, já que o mercado é a forma mais eficiente de acesso a serviços e produtos para a satisfação das necessidades das pessoas – incluindo o fornecimento estatal.






O Passe Livre e a conta que não se pode ver.


(publicado originalmente na page do EPL São Paulo)


O Movimento Passe Livre tem chamado novo protestos por todo o Brasil por conta do reajuste das tarifas do transporte público. A grande reivindicação do grupo é, como o nome diz, o “passe livre”, ou seja transporte público gratuito para todos, sem pagar passagem. “Catraca livre”, como dizem alguns.



Parece uma boa ideia, mas você já parou pra pensar no que isso significa pra você, contribuinte, pagador de impostos?



Peguemos o exemplo da cidade de São Paulo. Segundo dados do Portal São Paulo em Movimento, da Prefeitura de São Paulo, a receita tarifária mensal média entre novembro de 2013 e outubro de 2014, ou seja, a soma de todas as passagens de ônibus pagas na cidade dividida pelo número de meses, doze, dá R$ 377,2 milhões. Muito dinheiro. Multiplicando-se isso por doze, temos que, em um ano, a receita tarifária, foi de, aproximadamente, R$ 4.500.000. Sim, quatro bilhões e meio de reais.



Caso o “passe livre” tivesse sido implantado na cidade de São Paulo após os protestos de 2013, R$ 4.500.000 deixariam de ser pagos às empresas de ônibus, uma vez que as passagens deixariam de ser pagas. Obviamente, este dinheiro, que remunera os empresários, paga os salários de motoristas, cobradores, mecânicos e outros funcionários das viações e custeia a manutenção da frota de ônibus, teria de ser compensado de algum jeito. A prefeitura teria de bancar esse valor, ou seja, tirar R$ 4.500.000 dos cofres públicos para cobrir o dinheiro que deixou de entrar com as passagens.



Para conseguir fazer isso, a prefeitura poderia fazer duas coisas. A primeira é remanejar recursos, isto é, usar o dinheiro que seria empregado em outra coisa para pagar o dinheiro das passagens. Ela teria de atrasar uma obra ali, aumentar menos o salário de alguns funcionários, ou mesmo deixar de aumentar, deixar de reformar alguma escola ou dar manutenção em alguns equipamentos de postos de saúde e hospitais, por exemplo, para juntar quatro bilhões e meio de reais e dar ás empresas de ônibus e vans.



O que isso significaria para os cofres da prefeitura. Olhando-se a Lei Orçamentária Anual de 2014, que é a lei que diz o quanto de dinheiro vai entrar e o quanto vai sair dos cofres da cidade, vemos que R$ 4.5 bi significam aproximadamente 17% de todo o dinheiro pago pelos cidadãos em imposto, taxas e contribuições em 2014 (R$ 20,5 bi) e 9% de todo o dinheiro previsto para entrar na prefeitura (R$ 41,3 bi).



Pra entender o que isso significa, imagine que você ganha um salário mínimo, R$ 788. Imagine que você consiga se organizar e controlar seus gastos de modo que, com esse salário mínimo, você consiga pagar suas contas e sustentar sua casa. É difícil, mas imagina. Agora, imagina que, de repente, aparecesse uma conta de R$ 70 (que correspondem a 9% do salário mínimo). Você teria que comprar alguns produtos pra sua casa de uma marca mais barata, ou mesmo deixar de comprar alguns produtos. Pior, você atrasaria uma outra conta para pagar essa.



Mas o quê dá pra fazer com R$ 4,5 bi? Dá, por exemplo, pra comprar 1500 aparelhos de ressonância magnética de R$ 3.000.000,00. Dá pra comprar 5000 ônibus biarticulados de R$ 900.000,00. Dá pra fornecer o subsídio máximo de R$ 25.000,00 do “Minha Casa, Minha Vida” para 180 mil famílias e construir 30000 casas populares no valor de R$ 150.000,00. Dá pra pagar o salário base dos professores da rede municipal de R$ 3.000,00 por um ano para 125 mil professores. Dá pra construir 19 pontes estaiadas como a que atravessa a Marginal Pinheiros a um custo de R$ 230 milhões. Enfim, dá pra fazer muita coisa.



Não precisa explicar muito pra entender que usar os R$ 4,5 bi que estavam reservados para outros gastos para pagar o “passe livre” significaria que algumas obras seriam atrasadas ou mesmo deixariam de ser feitas, alguns serviços prestados pela prefeitura, como saúde, educação, teriam sua qualidade, que já não é grande coisa, prejudicada.



A segunda forma de a prefeitura conseguir pagar o “passe livre” é aumentando sua receita, ou seja, conseguindo que mais dinheiro entre nos seus cofres. A principal forma de a prefeitura conseguir dinheiro é com tributos, que são os impostos, taxas e contribuições que nós, moradores da cidade, pagamos. Para conseguir mais dinheiro, a prefeitura teria que aumentar impostos e taxas.



Os principais tributos pagos para prefeitura são o IPTU e o ISS.



O IPTU é o imposto que você paga por ser dono de um imóvel. Alguns podem achar que esse é um imposto que só rico paga, mas isso não é verdade. Muitas pessoas passam anos trabalhando duro para conseguir comprar sua casinha ou conseguir uma melhor para sua família, muitos deixam de aproveitar finais de semana, feriados, até férias, para construir sua própria casa. Além disso, o valor desse imposto é repassado para as pessoas que pagam aluguel, que normalmente não tem renda para conseguir um imóvel próprio.



A prefeitura pode aumentar o IPTU para pagar o “passe livre”, como já fez em 2014 para bancar os subsídios dos ônibus. Mas isso significaria um aumento nas contas dos proprietários de imóveis, inclusive aqueles que trabalham duro e controlam os gastos para conseguir pagar prestação e os que passaram anos trabalhando para conseguir comprar sua casa ou mesmo construí-la. Obviamente, esse aumento seria mais sentido pelos trabalhadores menos abastados do que pelas pessoas mais ricas, mesmo com o chamado IPTU progressivo. Além disso, haveria um aumento do imposto repassado para quem paga aluguel, o que, na prática, significaria aumento de aluguel. Também o aumento de IPTU de imóveis não residenciais, como lojas, restaurantes e outros comércios e prestadores de serviços, seria repassado para os consumidores, isso é, haveria aumento de preços. Obviamente, esse aumento pesaria mais sobre os pequenos comerciantes da periferia do que sobre as grandes e conhecidas lojas.



Já o ISS é o imposto que pessoas e empresas prestadoras de serviços pagam por prestar esses serviços. Em São Paulo, serviços prestados por autônomos e profissionais liberais não pagam ISS. Convênios e laboratórios de exames médicos, buffets de festas, o veterinário do seu bichinho, eletricista, encanador, escola particular, conserto de rádio e tv, o cineminha do fim de semana, a xerox autenticada no cartório, entre muitas outras coisas, são serviços prestados e pagam ISS, desde que não prestados por autônomos ou profissionais liberais. Assim, toda vez que você paga por uma dessas coisas, o preço do ISS está embutido. O valor do ISS é de, no mínimo, 3% do preço do serviço e, no máximo, 5%, dependendo do tipo de serviço. Assim, ao contratar um serviço que custa R$ 100, você vai pagar, no mínimo, R$102, e no máximo, R$ 105.



Para conseguir pagar o “passe livre”, a prefeitura pode aumentar o ISS dos serviços em que já não se paga 5% do preço de imposto. Obviamente, esse valor seria repassado pra que contrata esses serviços, ou seja, haveria aumento de preços.



Mas de quanto teria que ser esse aumento? Bem, como vimos, R$ 4,5 bi equivalem a 17% de todo o dinheiro que a prefeitura receberia com impostos, taxas e lucros. Assim, deve haver um aumento de 17% na arrecadação desses tributos, entre reajustes de contribuições taxas e impostos, sendo que o mais afetado seria o IPTU, trazendo todos os problemas já explicados para proprietários, locadores, comerciantes e consumidores.



Há ainda uma terceira coisa que a prefeitura pode fazer: criar uma dívida de R$ 4,5 bi. Mas não precisa explicar porque isso seria ruim, né?



Resumindo, como disse o economista norte-americano Milton Friedman, não existe almoço grátis. No nosso caso, não existe ônibus grátis. “Passe Livre” parece uma solução simples e fácil, mas como disse o economista francês Frederic Bastiat, é preciso estar atento não apenas para os efeitos de uma medida que se podem ver imediatamente, mas também para aqueles que não se veem logo e que poderão causar muita dor de cabeça no futuro. Uma solução simples pode esconder um grande problema. No caso, um problema de R$ 4,5 bi.









LIBERDADE E DEMOCRACIA DECAEM NO MUNDO, SEGUNDO RELATÓRIO DA FREEDOM HOUSE



LIBERDADE E DEMOCRACIA DECAEM NO MUNDO, SEGUNDO RELATÓRIO DA FREEDOM HOUSE
"Pelo nono ano consecutivo, o relatório anual da Freedom House "Liberdade no Mundo" ("Freedom in the World"), sobre as condição global dos direitos políticos e das liberdades civis, mostra um declínio global. De fato, a aceitação da democracia como a forma de governo dominante no mundo - e de um sistema internacional construído sobre ideais democráticos - está sob maior ameaça do que já esteve nos últimos 25 anos".
Assim inicia o relatório da Freedom's House de 2015, mostrando a situação mais que preocupante da democracia e da liberdade no mundo. Segundo o documento, 89 países do mundo são livres, 55 são parcialmente livres e 51não são livres. Em termos populacionais, 2,8 bilhões de pessoas (40% da população mundial) vivem em países livres, 1,7 bilhão de pessoas (24%), em países parcialmente livres e 2,6 bilhões de pessoas (36%) vivem em países não livres, o que significa que mais da metade da população mundial não goza de liberdade política e/ou civil em níveis minimamente satisfatórios.
61 países tiveram declínio nos seus índices de liberdade, enquanto apenas 33 tiveram aumento nesse índice. O relatório se mostra especialmente preocupado com o declínio da liberdade na Rússia, Venezuela, Egito, Turquia, Tailândia, Nigéria, Quênia, Azerbaijão e Hungria. O único destaque positivo em termos de ganho de liberdades é a Tunísia. A metodologia da medição é baseada na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Doze países e territórios tiveram os índices mais altos de ausência de direitos políticos e liberdades civis (7 em cada quesito): República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Eritreia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Síria, Turcomenistão, Usbekistão, Tibete e Saara Ocidental. 10 países e territórios tiveram índice 7 de falta de direitos políticos e 6 de falta de liberdades civis: Bahren, Bielorrússia, Chade, China, Cuba, Laos, Sudão do Sul, Crimeia, Faixa de Gaza e Ossétia do Sul.
Na América do Sul, 5 países são tidos como parcialmente livres: Colômbia, Venezuela, Paraguai, Bolívia e Equador. No contexto da América Latina, o relatório também destaca o declinio na liberdade no México, país parcialmente livre, onde houve, ano passado, o desaparecimento de 43 estudantes na cidade de Iguala. Cuba é classificada como um país não livre.
O Brasil é classificado como país livre, alcançando índice 2 de liberdades civis e direitos políticos, índice que vem sendo mantido desde 2006, sendo que o melhor índice é 1. É um bom resultado diante do cenário global, mas também significa que ainda temos em que melhorar em termos de liberdades para alcançar o melhor índice, ainda mais se percebermos que o nosso índice está estagnado há quase dez anos. Além disso, o relatório lembra que o Brasil foi silenciosamente tolerante com as repressões violentas do governo Maduro, na Venezuela.
Como bem lembra o relatório, "práticas antidemocráticas levam à guerra civil e a crises humanitárias. Elas facilitam o crescimento de movimentos terroristas, cujos efeitos inevitavelmente se espalham para além das fronteiras nacionais. Corrupção e governança fraca alimentam instabilidade econômica".
O link do relatório vai abaixo.

Humor ou Barbárie.

As notícias sobre o massacre de Charlie Hebdo, logo pela manhã, me deixaram atordoado. Imediatamente, me vieram à mente as palavras do filósofo romeno Andrei Plesu, no seu texto Tolerância e o intolerável: crise de um conceito, que está no livro Da Alegria no Leste Europeu e na Europa Ocidental e outros ensaios:

(...) Uma fonte muito consistente de tolerância, insuficientemente levada em conta, é o humor. Assistires ao espetáculo do mundo sem exasperação, saberes alegrar-te com o fascínio multicolorido do real, teres capacidade de distinguir as coisas (poucas em número) que devem ser levadas a sério, das que (muito numerosas) não devem ser levadas a sério, e, principalmente, não te levares muito a sério, com tuas opiniões pomposas, com as certezas feitas prontamente, com tuas exigências mais ou menos hipócritas - eis uma motivação muito fundamentada do espírito de tolerância.

De fato, quando não se sabe mais que uma piada, mesmo com todo o fundo crítico e/ou preconceituoso que possa ter, não é mais que uma piada, que, no máximo, merece a crítica de volta, preferencialmente bem humorada, quando essa resposta é o amordaçamento, na base da bala ou da canetada, é bem mais que a piada que está em jogo. O que se tem são pessoas e grupos que se levam tão a sério que não sabem brincar, pois se veem acima de qualquer crítica, como se todos devessem reverência a eles.
Os cartunistas do Charlie Hebdo não davam a mínima pra isso, eram irreverentes, irresponsáveis, como diz em algumas capas, não perdoando ninguém, políticos, religiosos, celebridades, ninguém. Passavam do ponto, às vezes? Eu diria que sim, alguns diriam que não, mas isso pouco importa. Sempre se poderia respondê-los, criticá-los, até mesmo ridicularizá-los, digamos que poderiam mesmo acioná-los no judiciário - nunca feri-los, nunca matá-los. Quando não se suporta o humor, se cai na barbárie.
O que deve nos deixar alertas. Muitos tem apontado o dedo para os muçulmanos, acusando sua religião, mas, mesmo tendo em vista a minoria extremista, o fato é que o quadro não é bom para o humor de uma forma geral, no mundo todo. O mundo está mal humorado.
Seis pessoas foram presas no Irã por dançarem "Happy", do Pharell; Chris Rock deixou de se apresentar para estudantes porque eles se sentem ofendidos com tudo; hackers quase impediram o lançamento de um filme que zoava o chefe da Coreia do Norte.
Aqui no Brasil o quadro também não é tão animador: Gustavo Mendes, imitador da presidente Dilma, foi agredido em uma apresentação; o Porta dos Fundos teve um vídeo retirado do ar (liberado depois) por criticar Garotinho; o mesmo grupo foi processado por Marcos Feliciano por conta de um especial de Natal; Gregório Duvivier foi hostilizado em um restaurante; Danilo Gentilli teve que retirar da internet um vídeo em que fazia piada com uma doadora de leite.
Todos os casos acima são recentes e foram lembrados por mim de improviso, sem pesquisa maior. Se eu pesquisar, certamente vem mais coisa.
Se comparam os casos acima com o massacre de Paris? Obviamente, não; é preciso ter senso de proporção e, sobretudo, respeito com a vida e com os mortos. Agora, uma coisa é certa: o mundo está cada vez mais mal humorado - e, como lembram os atiradores de Charlie Hebdo, isso é um perigo pra cultura de tolerância.

O jurisdicionado entre os juízes e os deuses.



O jurisdicionado entre os juízes e os deuses.



Apareceu na minha timeline notícia de um juiz federal que obrigou um Testemunha de Jeová a fazer uma transfusão de sangue, mesmo sendo isso contrário ao seus princípios religiosos. Não sou Testemunha de Jeová, discordo bastante deles, na verdade; tampouco sou contra transfusões de sangue, sou um doador até que frequente. Mas não consegui deixar de ficar perplexo com o que considero uma tremenda violência autoritária e totalitária.

Violência, física e psíquica. Violência física, porque introduz no corpo do paciente substância (sangue alheio) que ele não consentiu em receber; violência psíquica, porque fere os princípios mais básicos e valiosos do paciente, trazendo-lhe uma ferida psicológica, um dano moral de medição difícil.

Autoritária, pois, sob o pretexto de proteger a vida do paciente - e livrar o Estado de futuros infortúnios jurídicos, se impôs sobre o paciente uma decisão contrária à sua manifesta vontade, submetendo a autonomia do indivíduo de decidir sobre seu próprio corpo e sua vida ao arbítrio estatal (à Razão de Estado?).

Totalitária, porque se imiscui o Estado nas esferas mais íntimas da vida humana, quais sejam, a consciência moral e religiosa e a autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida.

Tal violência manifesta a cegueira, escondida sob o manto da laicidade do Estado, de uma cosmovisão naturalista-materialista, que, com o pretexto de afastar a religião das decisões na esfera pública, esmaga a esfera das decisões individuais dos indivíduos, reduzindo a liberdade religiosa a uma mera permissão de crença, restrita ao espaço privado, sem expressão externa possível.

Tal cegueira faz com que não se veja, nos fatos mais triviais da vida cotidiana, o significado sagrado que aquele ato tem para o crente. Não percebendo esse sentido mais transcendente da ação humana, óbvio e fundamental para a pessoa religiosa, esse é esmagado pela decisão imposta.

Assim, não conseguiu ver o juiz (e o médico) que, o que para ele era mero procedimento cirúrgico-terapêutico, para o Testemunha de Jeová era um pecado grave, uma abominação, com consequências morais, religiosas e sociais (como será recebido o paciente entre os seus irmãos de fé?); ao escolher a vida em prejuízo da liberdade, não se viu o que era a “boa vida” (nem a “boa morte”) para aquele sobre quem a decisão incidia; decidiu o juiz salvar uma vida, sem perceber que tipos de condenações (temporais e eternas) poderiam derivar de sua decisão.

Não há que se falar em deixar de lado as “superstições” nessas horas e passar por cima das convicções religiosas para se atentar aos “fatos reais” e submeter-se ao “conhecimento científico”. Não goza o membro do Poder Público (não só do Judiciário, aliás) de posição epistemológica privilegiada para simplesmente afastar valores e crenças daqueles que sofrerão as consequências de suas ações. A investidura do cargo não dá a ninguém saberes amplos sobre “esse mundo” e o “outro”, nem poderes “acima do bem e do mal”. Porque a condição humana é de ignorância quanto ao transcendente, restando-lhe apenas a crença, e porque, como relembrado exaustivamente nos últimos dias, juízes não são deuses, cabe a estes (não os deuses, os juízes...) respeitarem a crença dos jurisdicionados que suportam suas decisões.

Há dez anos, o filósofo alemão Jürgen Habermas e o teólogo também alemão Joseph Ratzinger, que viria a ser, mais tarde, o Papa Bento XVI, se encontravam na Academia Católica de Baviera, em Munique, na Alemanha, para um debate sobre essa relação complicada entre religião e razão no Estado Democrático de Direito (o debate virou um livro: “Dialética da Secularização: sobre Razão e Religião”). A despeito da importância do debate no cenário atual e do gabarito dos debatedores, a discussão é quase que totalmente negligenciada em terras brasileiras; pior, dá-se o assunto por encerrado, ostentando-se, no complexo séc. XXI, pós 11 de Setembro, as soluções (que falharam) de um superado pseudo-iluminismo (veja-se a sintomática decisão do STF no caso das células-tronco embrionárias, de 2008 [ADI 3510, especialmente o voto do Ministro Celso de Mello]). Embora de se lamentar, não é de se estranhar ver essa lógica nas decisões dos juízes.

“Há mais coisas no céu e terra (...) do que foram sonhadas na sua filosofia”, nos lembra Hamlet; em uma época, entretanto, em que as ideologias, sempre simplificadoras e esquematizadas, como nos adverte Ricoeur, ocupam o lugar de qualquer esforço filosófico (e a formação descamba, cada vez mais, para a mera aprendizagem técnica, quando não para a doutrinação, daí pensar que o assunto seja relevante para os colegas do “Páteo”), não há sequer o esforço de se pensar o que há fora delas. Reduzido o Outro a seu papel no esquema, é impossível entende-lo de verdade, em toda a sua complexidade. Cegueira.



7 Características do Ministério de Música - Ron Man


7 Características do Ministério de Música

Ron Man





(nota: Tradução de um texto do The Gospel Coalition [link no fim do texto] que fiz para estudo de grupo de louvor.)



“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;
Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;
Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” Efésios 5:18-20

Diferentemente do Velho Testamento, há poucas coisas (mas preciosas) no Novo Testamento sobre o ministério musical para o louvor corporativo; mas Efésios 5:18-20 (com Colossenses 3:16) nos dá um fundamento útil. Nesta passagem nós vemos ao menos 7 aspectos que deveriam caracterizar nosso ministério de música.



1. Um ministério cheio do Espírito

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito, . . “

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.” Filipenses 3:3

Pra além dos debates sobre o que seja se encher do Espírito intrigante aqui é que o primeiro resultado mencionado por Paulo de se encher do Espírito seja cantar!

2. Um ministério recíproco

” . . . falando entre vós. . . “

Há um importante aspecto horizontal do nosso ministério musical para o louvor corporativo é algo que fazemos juntos. Louvor privado e pessoal é uma parte importante do nosso andar com Deus; mas no ajuntamento da igreja precisamos estar focados no “uns aos outros” tanto quanto em Deus. Isso nos sugere um importante corretivo pra muitos de nossos conflitos no louvor: louvor congregacional prove benefício mútuo, ao invés de benefício individual, primeiramente; assim, a atitude onipresente de “o que é pra mim nessa música?” ou “o que eu ganho com ela?” com a qual muitos abordam o louvor corporativo mostra uma grave falta de entendimento sobre o porquê de nos reunirmos. Nós ministramos uns aos outros e encorajamos uns aos outros e fortalecemos uns aos outros enquanto cantamos.



3. Um ministério diversificado

” . . . em salmos, e hinos, e cânticos espirituais. . .”

O significado exato dessas três categorias de canções em sido muito discutido pelos últimos dois mil anos, sem uma conclusão inequívoca. Entretanto, é certo que Paulo está dizendo que devemos usar diferentes tipos de música em nosso louvor corporativo. Vamos aproveitar das riquezas musicais além das fronteiras estilísticas, geracionais e nacionais.



4. Um ministério focado em Deus

” . . . cantando e salmodiando ao Senhor. . .”

Com certeza, nossa canção é direcionada para Aquele que é o único digno de nosso louvor. Não cantamos para nosso próprio prazer ou benefício (ainda que isso seja um positive efeito colateral), mas em Sua oferta e para Seu prazer e glória.



5. Um ministério interno

” . . . no vosso coração. . .”

“Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” 1 Samuel 16:7

Temos de fazer melodia com o coração antes que ela chegue aos nossos lábios. Pois louvor, para ser para glória e prazer de Deus, deve ser a expressão de um coração devotado. Tanto o antigo quanto o Novo Testamento deixam claro que Deus está mais preocupado com a atitude interna do louvor do que com a forma externa. Por isso nossa canção deve vir de dentro.



6. Um ministério responsivo

” . . Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai. . .”

“Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza.” Salmos 150:2

Nós só temos uma canção pra cantar por causa da iniciativa de Deus de se revelar a Si mesmo para nós e se mostrar a nós poderoso em Seus atos salvadores em nosso favor. Todo louvor é uma resposta à graciosa auto-revelação de Deus.



7. Um ministério empoderado por Cristo

” . . .em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.”

“Dizendo: Anunciarei (eu, Cristo) o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores (ao Pai) no meio da congregação.” Hebreus 2:12

Nossas músicas agradam a Deus porque Ele veio e, através do nosso Sumo Sacerdote, sua canção se sobrepõe e aperfeiçoa a nossa. Orar e louvar em nome de Jesus é bem mais que colocar Seu nome no final pra dar um efeito máximo; ao invés disso, é saber que somente nEle e por Ele, por meio de Seu sacerdócio e revestidos de Sua justiça, podemos nos aproximar de Deus.



Fonte: http://www.thegospelcoalition.org/blogs/tgcworship/2014/01/27/7-characteristics-of-the-ministry-of-song/