TODOS os Direitos Humanos para TODOS os Humanos.


TODOS os Direitos Humanos para TODOS os Humanos.

 

Ah, os Direitos Humanos. Eu gosto deles, mesmo. Afinal, eu também sou um ser humano, embora às vezes pode não parecer. Eu juro que sou.

Não sou da turma dos “Direitos Humanos para humanos direitos”: estou certo de que sou “de direita”, seja lá o que isso quer dizer; direito, nem tanto. Além disso, a apreciação de quem é direito é subjetiva demais para ser base de direitos, maleável a todo tipo de canalhice. A história está cheia de lições sobre o que acontece quando se divide os seres humanos em duas classes, uma de “humanos direitos”, com todos os direitos e a outra, de gente de segunda classe, sem direitos.

Não posso concordar, entretanto, com o uso torto que a esquerda faz desses direitos, instrumentalizando-os para tirar proveitos políticos. Sim, pois quase não é possível fazer uma mera oposição opinativa sem correr o risco de ser levado ao Tribunal de Haia por alguma ONG ou um parlamentar mais sensível às opiniões diversas da sua, mesmo quando são eles que violam os direitos humanos.

Exagero, mas só um pouco. Senão, vejamos.

O texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, de 1948, é um belíssimo texto, sem dúvida. Composto de preâmbulo e trinta artigos, o texto tem por objetivo que “cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades.” Vale a pena a leitura do texto, que é curto, principalmente para perceber que esse objetivo não pode ser alcançado selecionando-se quais artigos devem ser promovidos e quais devem ser esquecidos, uma vez que o texto é um todo que leva em conta a dignidade humana como um todo, sendo que a preferência por um artigo em detrimento de outros põe em perigo a dignidade humana como um todo.

Pois é exatamente isso que a esquerda faz, um desmantelamento do texto, como que  “revogando” alguns artigos

O artigo 3º, por exemplo, diz que “todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” Quer ver chilique de esquerdistas, põe o povo pra reclamar da insegurança das cidades, de não se sentirem livres para andar em determinado local o horário ou pra usar determinado tipo de roupa ou qualquer outro tipo de coisa, do alto número de homicídios. Qualquer manifestação no sentido que quere garantias de vida, liberdade e segurança pessoal é logo visto como “conservadorismo”. Se o clamor vier da classe média, então, esquece. Classe média não é exatamente ser humano, é uma “aberração política, ética e cognitiva,” como disse a guru da militância, Marilena Chauí, embora eu ainda esteja me esforçando pra entender que classe média é essa que ela diz que desfila de Mercedes-Bens...

Isso para não falar da polícia. Não se vê a esquerda fazer qualquer tipo de censura aos ataques mais ou menos sistemáticos que policiais sofrem por parte de organizações criminosas. Existe um abismo entre repudiar a violência policial e aceitar que trabalhadores sejam mortos simplesmente por sua profissão. Parece que, para alguns, PM bom é PM morto.

Também tem o artigo 12:

“Ninguém será sujeito à interferências em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.”

Ora, o Estado diz que tipos de substâncias eu posso usar, que tipo de automóvel eu posso dirigir (e cobra licença para que eu possa dirigi-lo), que tipo de comida eu posso comer (você sabia que estabelecimentos comerciais não podem vender ovo com gema mole?), como eu devo contratar (a liberdade contratual é cada vez menor), como minha profissão deve ser exercida (vide OAB, mas não só, você não pode dublar desenhos animados para crianças de 5 anos de você não for ator  “de carteirinha”), etc. E nem tente ir ao tribunal querer garantias contra esses arbitrariedades, é perda de tempo. Nenhuma ONG vai fazer passeata por você.

O artigo 13 nós, brasileiros, temos respeitado bem, sou obrigado a reconhecer. Mas quando é para reconhecer aos cubanos o direito de “deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar”, garantido no §2 desse artigo, a coisa já é bem diferente. Nem falemos do silêncio sepulcral sobre as violações desse artigo na China e na Coreia do Norte. De todos, diga-se de passagem. Ao invés de ataques, esses regimes merecem loas, como o recente artigo de Tarso Genro elogiando o regime chinês (“Uma perspectiva de esquerda para o Quinto Lugar” facilmente encontrado na internet) e a nota de apoio do PC do B ao regime norte-coreano não tem muito tempo. Para uma boa parte da esquerda, chineses e norte-coreanos, assim como a classe média, é ser humano de segunda classe, se muito.

Vejamos o artigo 14:

“1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.”

O primeiro parágrafo foi violado pelo governo petista quando negou asilo a Edward Snowden – antes mesmo de qualquer pedido; o segundo, quando concedeu asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti, condenado por quatro homicídios em seu país. Esse ato do governo teve todo o apoio da esquerda; aquele, nenhum repúdio.

Diz o artigo 15, parágrafo primeiro, que “Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade.” Não é difícil encontrar, entretanto, gente que negue esse direito aos judeus com seu anti-sionismo (e não só entre as fileiras da esquerda, sejamos sinceros, antissemita é erva daninha que dá em qualquer canto). Esquecem-se mesmo do contexto em que o texto foi declarado, sob o recente trauma do Holocausto nazista e dos terrores da Segunda Guerra Mundial. Não à toa, a Declaração foi adotada no mesmo ano da criação do Estado de Israel.

E o que falar do artigo 17, esse excrecência que não sabemos como ainda não foi expurgada da declaração?

“1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.”

É claro que, se esse direito fosse respeitado, todos os expropriados da Copa do Mundo e de outras obras faraônicas ainda estariam em suas casas, a menos que quisessem negociar suas propriedades. Mas a gente não tem muito o costume de atribuir também ao trabalhador comum o direito de propriedade. Afinal, se ele é explorado a um salário de fome, como é que ele vai conseguir ter casa própria? Mas direito de propriedade é tudo que os pobres precisam para se manter a salvo dos desmandos do poder econômico dos outros, como Diogo Costa mostra em seu belo texto,” Contra a iniciativa privada dos ricos que é contra a propriedade privada dos pobres” ( http://goo.gl/lfswhW ):

“Políticos prometem cestas e bolsas para os pobres; prometeram "auxílio-produção" aos desapropriados. Mas negam aos pobres exatamente aquilo que pode fazer com que eles não dependam mais de cestas nem de bolsas: o direito de serem donos das suas coisas. Em vez disso, os pobres permanecem dependentes de favores na época de eleições, de decisões políticas tomadas em gabinetes fechados, da boa vontade do judiciário e de deliberações intermináveis travadas em conselhos comunitários.”

 Vamos ao artigo 18:

” Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.”

Tenta-se, a todo custo, anular esses artigo. Segundo a “Open Doors International’s 2014 World Watch List”, entre outubro de 2012 e 2013, 2123 cristãos foram mortos no mundo todo por causa da sua fé sob o silêncio da opinião pública e da comunidade internacional (http://goo.gl/IAVYfY). Na França – não no Iraque ou na Síria, na França, se você tentar manifestar sua fé (qualquer fé) na esquina ou em praça pública você pode ser preso por crime de seita. Aqui, tenta-se criminalizar os dogmas da fé cristã como machistas, homofóbicos, racistas. Tenta-se limitar a liberdade de manifestação de crença ou religião ao exercício privado, quase exclusivamente caseiro, da devoção. Até mesmo o sacrifício de animais por religiões que o fazem tenta ser impedido. Afinal, animais também são humanos; religiosos, nem tanto.

Isso não é à toa. Como bem demonstrou Lew Rockwell e Ron Paul, os líderes políticos, em geral, e os da esquerda, em particular, assim como seus asseclas, todos esses odeiam a religião porque ela disputa com eles a lealdade das pessoas, suas mentes e corações (“Igreja, estado e políticos - o estatismo quer ser a nova religião oficial”, em http://goo.gl/sU1t45). Afinal, uma consciência moral individual que se  examina seus atos diante de Deus segundos princípios objetivos e tidos por absolutos jamais adotará a moral teleológica revolucionária de Trotsky em “A moral deles e a nossa” (título que a juventude do PSTU resolver alterar para “Moral e Revolução” em sua tradução, disponível em http://goo.gl/qtwur1 , sabe-se lá porquê), submetida a programa de partido, cauterizada de todo “moralismo burguês”, todo julgamento individual.

E o artigo 19?

“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.”

Quanto não são ofendidos, perseguidos, processados e condenados, moralmente linchados por mero “crime de opinião”? Quantos não foram a judiciário por causa de piadas? Quantos já não se mobilizaram para conseguir a demissão de por exemplo, Reinaldo Azevedo e Rachel Sheherazade? Quantos até já não exigiram essas demissões, com o dedo em riste, certos de que sua superioridade moral está acima de qualquer direito? O que não é tudo isso senão querer silenciar pessoas? E o silêncio cúmplice quanto às censuras em Cuba, na China e Coreia do Norte? E o apoio do PT, partido governista, por meio de nota (http://goo.gl/coIjZP), à repressão aos protestos dos estudantes contra governo Maduro na Venezuela, considerados “fatos e ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática na Venezuela”?

Se temos sido razoavelmente diligentes com o primeiro parágrafo do artigo 20, que diz que “todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica”, o parágrafo 2º, “Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação”, já não goza do mesmo cuidado. Ninguém pode advogar sem ser membro da OAB, o que equivale a uma associação compulsória. O mesmo vale para outras profissões. A obrigatoriedade de se obedecer aos acordos sindicais também não deixa de ser uma associação compulsória, assim como o imposto sindical obrigatório, já que tratam todo indivíduo trabalhador como membro de sindicato. De resto, fica a provocação: a filiação automática de todos os estudantes aos XI de Agosto viola direitos humanos ???

O artigo 26 diz que “os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.” Só tem um problema: não há “gêneros de instrução” a serem escolhidos pelos pais. O MEC dita os parâmetros e uniformiza os currículos escolares de todas as escolas do país, obriga a matrícula a partir dos 4 anos (4 anos!), proíbe o ensino por tutoria e o homeschooling. Que escolha há senão entre a escola cara que passa direitinho o programa do governo e a escola pública que mal ensina a ler e a escrever? De que vale a variedade de métodos quando todo o conteúdo é padronizado?

Na verdade, está relacionado diretamente com duas coisas. A primeira é a confusão entre educação e ensino formal. Como bem ensina Murray Rothbard, em “Educação: Livre e Obrigatória”, disponível em http://goo.gl/RyLZZW :

“Todo este processo do crescimento, de desenvolver todas as facetas da personalidade do homem, é sua educação. É óbvio que uma pessoa adquire sua educação em todas as atividades de sua infância; todas as horas em que está acordada são gastas no  aprendizado de uma forma ou de outra. É claramente absurdo limitar o termo “educação” para um tipo de escolaridade formal. A criança está aprendendo a todo instante. Aprende e forma ideias sobre outras pessoas, seus desejos, e ações para alcançá-los; sobre o mundo e as leis naturais que o governam; e sobre seus próprios fins, e como alcançá-los. Formula ideias sobre a natureza do homem, e quais fins (seus e dos outros) devem estar em acordo com esta natureza. Este é um processo contínuo, e é óbvio que o ensino formal constitui apenas um item neste processo.”

Ao trancarmos crianças o dia inteiro na escola, não estamos dando a elas uma educação melhor, pelo contrário, estamos lhes dando uma educação incompleta, limitada, que reduz o desenvolvimento humano à aprendizagem de álgebra e gramática. Ensino integral, se implicar alienação da família e da comunidade do processo educacional, é educação pela metade, e isso é um crime.

O segundo problema é achar que a educação serve não para dar à criança os meios de desenvolver todas as suas potencialidades individuais únicas, físicas, intelectuais e morais, com vistas a torna-la um adulto pleno e independente, responsável por si e por seus atos, mas para ensiná-la como contribuir com o todo social, como submeter sua vida a projetos políticos, econômicos e sociais que, pretensamente, visam o bem do “todo”, seja esse todo o partido, a pátria, a América Latina, a comunidade internacional ou o planeta enquanto entidade ecológica, destruindo personalidades individuais com um rolo compressor de padronização doutrinária que faz de multiformes potencialidades uma achatada figura de “bom cidadão” de repúblicas platônicas. Isso não é educação, é doutrinação. Nesse quesito, mais uma vez vale a pena atentar para Rothbard:

“É evidente que o comum entusiasmo pela igualdade é, num sentido fundamental, anti-humano. Tende a reprimir o desenvolvimento da personalidade e diversidade individual, e da civilização; é um impulso para a uniformidade selvagem. Visto que habilidades e interesses são naturalmente diversos, um impulso para tornar as pessoas iguais em todos ou quase todos os aspectos é necessariamente um nivelamento por baixo. É um impulso contra o desenvolvimento do talento, gênio, variedade e poder de raciocínio. Visto que nega os princípios fundamentais da vida humana e crescimento humano, o credo da igualdade e uniformidade é um credo de morte e destruição.”

Mas o melhor ficou para o final, ou melhor, para o começo. Diz o artigo 1º:

“Todas os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”

Esse espírito de fraternidade, apoiado na razão e consciência que cada indivíduo tem e que confere dignidade a cada um, dignidade essa que cada um livre e igual por natureza, é um antídoto para políticas paternalistas, que julgam governantes seres iluminados, acima dos governados, estes vistos como seres incapazes de vencer na vida por si por próprios e de decidirem o que é melhor pra suas vidas, enfim, incapazes de serem livres para serem eles próprios por si mesmos, seres diferentes, humanos de segunda classe. Todo “pai dos pobres” se julga acima deles e capaz de guiar suas vidas. Não dá pra ser pai e irmão ao mesmo tempo, não dá pra se achar acima e no mesmo nível ao mesmo tempo. Cada governante que despreza a razão e a consciência individual de seus governados é um grande violador dos direitos humanos.

Ainda sobre esse artigo, o que falar sobre a patrulha ideológica, que reduz todos a estereótipos ideológicos dos quais ninguém pode fugir sem ser caçado. Para os patrulheiros, não existe indivíduo, dotado de razão e consciência, como o artigo fala: existe operário, burguês, estudante, mulher, LGBT, hétero, homem, negro, branco, índio, entre outros papéis sociais muito bem definidos pelas suas teorias, sendo que aqueles que as contrariam causam verdadeira fobia nos vigilantes da moral esquerdista. Isso explica porque todo trabalhador que desgosta da ação dos sindicatos e dos “partidos dos trabalhadores” (PT, PSOL, PSTU, etc) é tido por alienado. Isso explica porque, um dia desses, apareceu na timeline do meu Facebook alguém reclamando que um tal “feminismo liberal” estava tumultuando as discussões de um grupo feminista. Isso explica porque um estudante negro diz que acha bizarro um outro estudante negro não apoiar cotas para negros (isso ocorreu em um debate na Sala dos Estudantes do Largo de São Francisco, http://goo.gl/sDS1Af ). Isso explica porque qualquer pensamento mais a favor da economia de mercado é tido como fascista – mesmo o fascismo tendo sido antiliberal. Isso explica porque todo crítico do bolivarianismo venezuelano é tido como imperialista, seja lá o que isso quer dizer. Isso explica porque toda essa caçada à Rachel Sheherazade, afinal, é inadmissível uma mulher nordestina pensar como um “homem-branco-heterossexual-burguês.” Isso trai a teoria, e não há nada pior que uma realidade que trai a teoria.

Esses são artigos geralmente esquecidos pelos “ativistas” dos direitos humanos, que enchem a boca pra usar-se da expressão quando lhes interessa. Não me esqueci dos outros, nem me oponho a eles, não os mencionei porque estes já tem seus defensores, seus ativistas, seus militantes. Não sou contra essas pessoas, eu quero o que elas querem. Na verdade, quero mais que eles, bem mais: quero todos os Direitos Humanos para todos os humanos. Porque eu não acredito em seres humanos de segunda classe.

3 NOTAS EM TORNO DO TEXTO DE DUVIVIER.

1. Novamente a direita “chilicou” com um texto por causa de um texto irônico que a ridicularizava. Como com o texto de Antonio Prata, em poucas horas havia uma chuva de críticas ao texto de Gregório Duduvier, por se tratar de uma “caricatura mal-feita”, de humor ruim.
É uma pena ver essa jovem nova direita tão rabugenta e mal-humorada. Uma das coisas mais interessantes nos escritores liberais-conservadores é justamente o senso de humor, da ironia fina de um J.P. Coutinho ao politicamente incorreto puro e simples de Pondé e Danilo Gentilli, passando por Mainardi perseguindo a sua “anta”, Lula, e Olavo de Carvalho mandando o Imbecil Coletivo você sabe o quê. Prefiro mil vezes a ironia desses novos autores às rabugices, palavras de ordem e moções de repúdio da velha intelligentsia.
Uma direita politicamente correta, que não aguenta piada, é tudo que a gente não precisa.
2. De fato, não seria melhor pro um Eike na sua gestão. Aliás, o Brasil não precisa de um bom gestor, como o NOVO tem vendido. O Brasil não é uma empresa. Pensar que se possa gerir bem o Brasil cai no mesmo erro do socialismo: achar que se tem conhecimento total da situação e que se pode controla-la.
Contabilidade e Administração funcionam para empresas – um país precisa de liberdade.
3. Estranho Duduvier achar boa a ação do Estado na cultura e no mercado, como escreveu no Facebook em resposta às críticas ao seu texto. Logo, membro de um dos casos mais impressionantes de livre iniciativa que deu certo, o Porta dos Fundos, uma startup de humor que começou como meio dúzia de humoristas jogando suas ideias no Youtube e virou um dos canais de humor mais bem sucedidos da internet.
O Porta não deu certo por causa de incentivos estatais, mas porque eles tinham um produto, seu humor, porque empreenderam ao lançar o canal, que, por agradar a clientela, os e-spectadores (entendeu? Hâ?), no território livre da internet, bombou. Mesmo chegando pequeno em um mercado já cheio de concorrentes (e quantos canais de humor não há no Youtube?),por entregar uma piada que satisfaz melhor o senso de humor dos internautas do que a dos outros empreendimentos do tipo, se o tornou o mais importante canal de humor do país e um dos mais vistos do mundo, além de se tornar lucrativo.
Duduvier venceu no mercado de humor da internet. Se quiser que produtores de teatro, cinema e cultura em geral também vençam no mundo real, deve lutar pra proporcionar a estes a mesma liberdade que o Porta dos Fundos encontrou na web.

Revolucionários de Condomínio.

Publicado originalmente no Jornal Arcadas.

Revolucionários de Condomínio.

A passagem pelo nosso país, em fevereiro, da blogueira cubana Yoani Sánchez, que se opõe ao regime castrista e sofre censura e represálias do governo cubano por isto, exaltou os ânimos de um grupo formado por um tipo bem peculiar: os revolucionários de condomínio.


Revolucionário de condomínio pode ser definido como o cara que acredita que é “o” revolucionário porque posta memes anticapitalistas no Facebook, que usa camisetas do Che compradas em shopping centers, que apara sua barbinha à la Marx no cabeleireiro com maquininha, que ouve Caetano e Chico no IPod porque acha que isso é que é músico “do povo”, “de raiz”, que fuma maconha como “ato de rebeldia”. Ele acha que os estudantes são oprimidos porque não podem usar drogas à vontade nos campi e que o capitalismo é injusto porque ele não pode ter todos os jogos de Playstation que quer. Diz que defende a democracia e a liberdade de expressão mas é a favor do controle da imprensa (que não seja vermelha) e da censura (aos outros, é claro). Ele quer igualdade para todos e morte aos burgueses, sem perceber que ele é um burguesinho metido à besta. O seu universo é formado por contradições que ele nem percebe.


Pois foi esse tipo sui generis de “cidadão” que foi tumultuar a passagem de Yoani Sánches aqui no Brasil. E, é claro, eles nem perceberam o papel ridículo a que se prestaram. Sim, pois mais uma vez eles se puseram naquela situação contraditória que os caracteriza: utilizaram de sua liberdade de associação e de expressão para hostilizar uma pessoa que luta exatamente por isso, liberdade de associação e de expressão, em Cuba, onde essas coisas não existem. Papelão.


Emblemático disso foi o comentário de Yoani a respeito de sua “calorosa” recepção: “ Isso é algo que não vejo em meu país. Gostaria que houvesse essa liberdade no meu país.” Sim, pois se esses mesmos que fizeram a confusão se juntassem para protestar em Cuba contra o governo castrista, todos seriam presos.


O mais engraçado é que muitos destes que se opuseram à turnê da cubana apoiaram, defenderam com todo o entusiasmo a vinda do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, “democrata” de um regime que mata oposicionistas, adúlteros, blasfemos e homossexuais. Um show de tolerância.


A vinda da blogueira cubana incomoda porque deixa a contradição desses “playboys oprimidos” clara, evidente, e mostra o ridículo dela.

Soneto.


É preciso voltar ao mesmo assunto
Sempre, refletir nele toda a vida,
Dentro do coração trazê-lo junto
De si, mas como coisa não sabida

Os seus olhos lançar sobre o tal tema
Qual se nunca tivesse dele ouvido
Ou como se ele fosse um bom poema
Que precisa ser mil vezes relido,

Pois tem mil lados, todos diferentes
Mais parecendo serem outras coisas
Que parte de um só todo uno, pois as

Respostas, a não ser as que inventes,
E embora sempre únicas e exatas
Nos chegam aos pedaços pelas datas.

Direito de Ajudar.


Você sabia que se um advogado quiser lhe prestar serviços sem cobrar ele não pode? Assistam, assinem e vão, você não sabe se um dia você não vai poder pagar por seu advogado.
link da petição: http://www.avaaz.org/po/petition/O_Direito_e_um_Direito_de_todos/?foideeb&pv=10 

Argumento Anti-Docetismo - com Séculos de Atraso...

Mais uma vez, não sei se é original. Mais uma vez, me informem a fonte do argumento. Mais uma vez, comentem.

É certo que (I) Jesus é Deus, assim como que (II) Deus não mente.
Bom, também é certo que (III) Jesus tem aparência humana.
Assim, ou (IV') a aparência de Jesus é verdadeira, ou seja, Ele é humano, ou (IV'') a aparência de Jesus é falsa, ou seja, Jesus não é humano.
Se (IV''), então Jesus, tendo escolhido vir com uma aparência falsa ao mundo, nos engana. Mas se (I) e (II) são verdadeiras - e são - então (IV'') não pode ser verdade.
Logo, (IV').

Um Argumento A Favor de Deus - A Primeira Origem sem Princípio.

Não estou convencido de que este argumento seja original, embora não me lembre de a quem possa atribuí-lo. Quem souber os créditos, por favor, postar nos comentários. Minha maior preocupação não é ser original.
Também não estou convencido de que este argumento "prova" a existência de Deus, porque ele não chega ao Deus pessoal. Por isso digo que é um argumento "a favor" de Deus. Não que Ele precise... Nós precisamos.
Feitas essas ressalvas, vamos ao argumento.
Sabemos, desde Descartes, pelo menos, que é certo que
(I) Eu existo.
Se (I), ou (II') Eu sempre existi ou (II'') Eu existo desde um ponto no tempo em que surgi.
(II') é obviamente falso, portanto (II'').
Se (II''), ou (III') Eu me auto-gerei ou (III'') Eu surgi do nada ou (III''') Surgi de algo.
Ora, (III') é obviamente falso e (III''), pois do nada, nada surge. Portanto, (III''')
Se (III'''), então (IV) Um outro (coisa/pessoa) existe.
Se (IV), ou (V') Esse outro sempre existiu ou (V'') Esse outro existe desde um ponto no tempo.
Se (V'), então (VI) Há um outro sem princípio, pois sempre existiu, que é a primeira origem.
Se (V''), então ou (VII') Esse outro se auto-gerou ou (VII'') Esse outro surgiu do nada ou (VII''') Esse outro surgiu de algo.
(VII'), pois nada pode se auto-gerar, pois não pode ser anterior a si mesmo, e  (VII'') é falso, pois nada surge do nada, então (VII''').
Se (VII'''), então (IX) Um outro (coisa/pessoa) existe.
Ora, (IX) é igual a (IV).
Portanto, ou (X) Há uma número infinito de outros que me antecedem em origem no tempo ou (XI) Há um outro sem princípio que é a primeira origem.
(XI) é obviamente falso, pois não é possível que haja antecedentes meus e número infinito, pois o tempo passado não é infinito, portanto (XI).

Aos 559 anos de São Paulo.



Sou filho de baiana com paranaense, nascido na Paraná mas sempre morando aqui, na cidade de São Paulo.     Meu pai veio para cá para estudar; minha mãe, para trabalhar. Eu sempre estudei e trabalhei aqui, em São Paulo. Por tudo isto, me sinto um autêntico paulistano: por viver aqui e por não ter nascido aqui. Sim, porque deste suas origens, no contato entre portugueses jesuítas e nativos indígenas,  São Paulo é uma cidade de misturas, de contatos interculturais, de dissolução de etnias. Quem anda por São Paulo vê uma paisagem portuguesa, italiana, japonesa, judia, nordestina, negra, indígena, hispanoamericanos... Sobretudo, quem anda por São Paulo vê todos esses rostos e vê, nesses rostos, o rosto do paulistano. Não há cidade mais brasileira que São Paulo, e isso por ela ser a mais cosmopolita das cidades brasileiras.
São Paulo faz jus ao nome que recebe, o do apóstolo dos gentios. Apesar de tudo e por tudo.

Rindo com Deus ou rindo de Deus?


Regina Spektor canta que "ninguém ri de Deus / estamos todos rindo com Deus" em sua belíssima canção que mistura piano e momentos de rap.
Quem assiste a um programa humorístico na TV ou no rádio, entretanto, tem um forte argumento contra a cantora: em 99,9% dos programas ( e eu concedo os 0,1% por pensar que não assisti a todos os programas   de humor na tv brasileira), o nome de Deus é blasfemado, assim como o de Jesus, que é "personagem" de grande número das atrações, caracterizados à la INRI Cristo. Os cristãos são ridicularizados e ofendidos sem menor pudor ( uma das chamadas de South Park, VH1, passa um Mickey dizendo, com todas as letras, que "os cristãos são uns retardados").
Confesso que gosto de assistir programas de humor, especialmente depois de um dia de trabalho cansativo ou preso no trânsito, mas está cada vez mais difícil, para mim, ser audiência desse tipo de atração. Me sinto, mais do que zombado, ofendido. Não se trata mais de simplesmente se opor aos valores cristãos, mostrando sensualismo barato, linguagem vulgar, trocadilhos infames, divulgando hedonismo e cinismo, não. Enquanto era assim, eu simplesmente fingia que não era comigo. Agora, entretanto  eles simplesmente tiram sarro do meu Deus como se fosse uma celebridade de Youtube num vídeo engraçado; ridicularizam a meus irmãos - e a mim - em rede nacional, o que é crime (art. 208 do Código Penal); parodiam os hinos que canto ao meu Deus, tornando-o tão babacas quanto uma música dos Mamonas Assassinas; zombam da minha fé como se fosse a crendice mais irracional e burra; atacam meus valores como se não valessem nada.
Tem me incomodado - cada vez mais - coisas como a ridicularização de Flanders nos Simpsons, a  ridicularização que Danilo Gentili faz com seus "negócios de crente" e a exposição de sua ex-namorada de quando era presbiteriano ou as repetidas vezes em que passa o vídeo de "Para Nossa Alegria" no Pânico ou outro programa (embora entenda as intenções dos meninos que fizeram o vídeo, a maioria da pessoas jamais entenderá a beleza e verdade da letra de "Galhos Secos" por causa disso). E isso porque eu tenho percebido, cada vez mais, que quando eu dou audiência para isso, eu tenho ridicularizado a mim mesmo e ao que me é mais caro. Eu simplesmente tenho sido o bobo do meu próprio circo.
Hebreus 11:36 relata que um dos meios de perseguição aos cristãos era escarnecê-los. Bom, ainda é. Jamais me permitirei dizer que somos perseguidos aqui no Brasil, pois isso é um desrespeito aos antigos e modernos mártires. Não posso fingir, entretanto, que o mundo me odeia e odeia o que mais amo. Se as leis me protegem, se eu posso retrucar, nada disso muda o fato de que o mundo odeia a Cristo e, por isso, me odeia, a mim e a meus irmãos. E eu simplesmente não posso ser aliado do mundo nem negligente com ele. Não posso assistir a meus irmãos sendo feitos de bobo dessa corte como se eu também não estivesse com eles. Sim, eu ainda assisto, mas cada vez menos e cada vez mais indignado, ofendido. Que Deus continue sua obra em mim.